"O Mundo não é uma herança dos nossos pais, mas um empréstimo que pedimos aos nossos filhos" (Autor desconhecido)

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Gertrude Caton-Thompson

Viajantes, aventureiros e exploradores

Gertrude Caton-Thompson - (Londres, 01/02/1888 - Worcestershire, 18/04/1985) - Arqueóloga. Tendo efectuado os seus estudos em Londres e Paris, acompanha a sua progenitora, em 1911, numa viagem ao Egipto,viagem essa que a irá marcar, definitivamente, na sua paixão pelo estudo das civilizações antigas. Após a I Guerra Mundial, e depois de ter participado na Conferência de Paz, que se realizou em Paris (1919), inicia a sua actividade de arqueóloga em 1920, no Sul de França e, entre 1921 e 1924, encontra-se em Malta e no biénio 1924/26 no Egipto, novamente envolvida em estudos (Escola Britânica de Arqueologia) e escavações (em Abydos e Oxyrhinchus).


Em 1928 é contratada pela British  Association for Advance of Science para elaborar um relatório sobre a origem das ruínas da cidade de pedra situada na Rodésia do Sul (actual Zimbabué) e que tinham sido descobertas por Karl Mauch*. Contratando uma equipa de arqueologistas, composta só por elementos femininos, lança-se ao trabalho com bastantes dificuldades, principalmente porque as ruínas tinham sido esventradas ao longo dos anos quer por outros arqueólogos quer, principalmente, por caçadores de tesouros, que acabaram por destruir importantes vestígios. Acabando por utilizar uma avioneta, para melhor visualizar todo o terreno envolvente às ruínas, logra descobrir uma zona que, por estar tapada por densa vegetação, escapara à sanha dos caçadores de tesouros.

Foi nesta área que Gertrude Caton-Thompson e a sua equipa de arqueólogas traz, à luz do dia, entre diversos artigos uma quantidade apreciável de artefactos de cerâmica e de contas de vidro que lhe permitem consolidar uma tese sobre as origens da construção das ruínas. Apresentando o seu relatório em 1929, na cidade de Joanesburgo determina, nas suas conclusões, que a cidade de pedra (zimbaué) era de origem africana e tivera a sua vida no período compreendido entre os séculos IX e XIII, sendo a mesma ponto de chegada e de partida de caravanas árabes que a ligavam ao litoral índico a comerciarem, o que a tornou no centro duma grande civilização africana, que ficaria conhecida como Reino do Zimbabué.

Afastando qualquer hipótese de intervenção de alguma civilização branca na construção daquela cidade, Gertrude Caton-Thompson criou uma ruptura com a mentalidade colonial vigente na época, que não concebia que os negros conseguissem construir o que quer que fosse que ultrapassasse a simples palhota. 

De regresso a Londres apresenta, de novo, o seu famoso relatório no Museu Britânico, onde volta a causar polémica com as suas conclusões. Depois de ter trabalhado no oásis de Kharga (Egipto, 1930/32), encontra-se no Iémen (1938) onde, no desempenho da sua actividade arqueológica, tenta encontrar elos de ligação entre artefactos daquela zona com os achados nas ruínas da cidade de pedra da Rodésia do Sul, principalmente na área da arquitectura, arte e cantaria, mas sem nunca ter conseguido estabelecer tal ligação. Destruía assim, de vez, os sonhos daqueles que tentavam ligar as ruínas zimbabuanas a depósitos de tesouros da mítica Rainha iemenita Balkis que, como amante do Rei Salomão, gerara um filho e ajudara na construção fantasiosa da lenda dos judeus negros e das suas migrações pelo Sul do continente africano.

Retornando à Grã-Bretanha exerceu funções docentes em faculdades, quer em Cambridge (Newnham College) quer em Londres (Bedford College e Escola de Estudos Orientais e Africanos).

* - Já fichado.

Historiando Moçambique Colonial


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Arquipélago do Bazaruto - Este arquipélago cujas  ilhas eram, antigamente, chamadas de Bocicas e que se encontram orientadas, sensivelmente, no sentido Norte/Sul, foi doado à Coroa Portuguesa pelo Régulo Micissa, em 1722, como forma de permuta pelo auxílio que recebera desta.

O arquipélago, que se encontra sensivelmente a 15 milhas do continente, compõe-se duma série de ilhas que se apresentam como uma fiada dum grande colar de pérolas e que são: Bangué, Chirundure ou Tumulene, Lunene (que também era referida por "ilha das casuarinas"), Magaruke, Benguèrua, Bazaruto (ou Bazaruto Grande) e Santa Carolina.


Nunca tendo figurado no mapa das preocupações dos portugueses, só em 1855 é que a administração colonial instalou, no arquipélago, uma colónia presidiária denominada "Estabelecimento D. Pedro V", na ilha de Santa Carolina, dotada duma pequena guarnição militar e também duma alfândega, tendo a mesma servido de prisão a indivíduos considerados perigosos e centro de fixação de deportados. A título de curiosidade refira-se que, nesta ilha de Santa Carolina, em 1930, era a mesma habitada apenas por uma só pessoa, um nativo de nome Mafundiça, com cerca de cem anos de idade e que tinha por missão acender o farolim ali existente e que era subsidiário do farol da ilha do Bazaruto, para efeitos de alumiamento da costa.

Frei João dos Santos** refere na sua "Etiópia Oriental" a riqueza deste arquipélago em pérolas, tendo mesmo os seus bancos perolíferos sido alvos duma intensa actividade predadora ao longo dos séculos e que acabaram por raziar os mesmos, actividade essa que era controlada a partir da ilha de Chiloane. Os bancos madrepóricos mais ricos do arquipélago e que, por isso, foram alvo de intensivas depredações, eram os bancos Inhassôro; Macondo, Chirure, Serpa Pinto, Benguérua e São Sebastião.

Em 1891, por inciativa de Serpa Pinto*, é fundada a Companhia das Pérolas do Bazaruto, que encarrega Guilherme Ivens Ferraz de efectuar estudos sobre as possibilidades económicas da apanha e exportação da actividade perlífera. No entanto a actividade já não era economicamente rentável, o que veio a confirmar-se por estudos posteriores, levados a cabo pelo General Morais Sarmento, pelo que esta Companhia passou os seus direitos para a Companhia do Luabo. Esta Companhia também acabou por se desinteressar da exploração económica da actividade perolífera pelo que transaccionou os seus direitos para a Companhia de Moçambique*. No século XIX, o arquipélago também exportou cal para a ilha de Chiloane, cal esta que era fabricada com a casca das ostras, bem como também se apanhava âmbar pardo**.

Outra curiosidade deste arquipélago era a circulação, até 1893, duma espécia de moedas, conhecidas por chudos ou mujenas**. Rica em pescado, marisco e pérolas, o arquipélago esteve sempre em estado letárgico e só na recta final da presença lusa em Moçambique (década de 60) é que se desenvolveram as suas potencialidades do turismo e ecológicas. Assim, em 1971, criaram o Parque Natural Marinho, nas ilhas de Benguera, Magaruke e Bangué, e as ilhas de Bazaruto e Santa Carolina ficaram classificadas como de Vigilância Especial.


Dotado dum sistema ecológico muito específico, onde é possível encontrar espécies animais extintas noutras parte do planeta, estas ilhas são um paraíso que ainda hoje em dia se mantêm, tendo-se tornado num dos pontos de elite do turismo índico.

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Ilha de Bangalane - Situada na baía de Lourenço Marques, na foz do rio Incomáti, só em 1862 é que foi definitivamente ocupada pelos portugueses. Até à sua instalação definitiva, serviu de palco a diversas lutas entre portugueses e forças de régulos inimigos, tal como por exemplo, em 1848, em que forças do Régulo Mapunga, da Magaia, degolaram uma pequena força militar portuguesa composta por um oficial e três soldados e, dez anos mais tarde, forças do Régulo Cobete, também da Magaia, derrotaram outra pequena força militar portuguesa, composta por um oficial e quatro soldados, que acabaram afogados, na tentativa de fuga para o continente.


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Ilha de Chiloane - Situada na foz do rio Save, perto de Sofala, servia, a partir do século XVI, de entreposto comercial para resgate do ouro e marfim.

Sem grande importância estratégica, quer militar ou marítima serviu, no entanto, a partir de meados do século XIX, de refúgios aos habitantes de Sofala, receosos das investidas das gentes de Muzila pelo que, abandonando aquela localidade, muitos deles instalaram-se nesta ilha que, no entanto, nunca atingiu nenhum tipo de desenvolvimento económico.


Também era nesta ilha que se encontravam os principais agentes económicos de origem indiana que dominavam a exploração da apanha de pérolas do arquipélago do Bazaruto.

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Xecado de Quitangonha - Localidade criada por diversos notáveis muçulmanos, em 1515, após a fixação definitiva dos portugueses na ilha de Moçambique**, como forma de se libertarem da tutela dos novos senhores. No entanto, em 1523, foram dominados por António Galvão, que lhes permitiu autonomia desde que não cortassem os fornecimentos de alimentos à ilha e não hostilizassem os portugueses.

Até finais do século XIX o Xecado conseguiu manter a sua relativa independência da administração portuguesa. No decurso do século XVIII colaboraram regularmente com as autoridades portuguesas, mantendo uma relação pacífica mas o aparecimento de negreiros franceses na sua zona, por volta de 1770, pagando bom preço por escravos, provocou um desafogo económico que levou os dirigentes do Xecado a reivindicarem a independência total, já que pretendiam monopolizar tráfico humano, na faixa compreendida entre Nacala e a baía da Condúcia.

No findar do século XVIII governava o Xeque Tuacali Hija, que desenvolveu o tráfico de escravos com a cumplicidade do Governador de Moçambique, até que em 1801 foi atacado e deposto por forças portuguesas coligadas com chefes macuas. Na década seguinte o Xeque Janfar Salim manteve uma política de relacionamento dúbia com os portugueses, até que estes o prenderam, em 1817 e o deportaram para Inhambane, onde veio a falecer em 1821.

Face à fraca administração portuguesa, também ela muitas vezes a lucrar com o comércio da escravatura, este negócio foi prosperando no Xecado, sendo mesmo a sua principal fonte de riqueza. A tentativa de derrotar e submeter o Xeque Ali Amissi Heri, que governava o Xecado em meados deste século XIX falhou, com escaramuças ocorridas entre Agosto e Setembro de 1857, tendo sido no seu consulado que se deu o apresamento da barca francesa "Charles et George"*, que provocaria um grave incidente diplomático entre Portugal e a França. Só em 1873 é que os portugueses, coligados com forças macuas e com forças de Abder Raman, que era o Vizir(1) do Xecado, conseguiram prender este Xeque e deportá-lo para Lisboa. Abder Raman acaba premiado e ascende ao poder do Xecado, mas por pouco tempo, pois acaba decapitado por um chefe macua.

Em 1884, os portugueses nomeiam Mamude Boana Amade como Xeque de Quitangonha e de Matibane, aceitando este a plena soberania lusitana. No entanto, vinte anos mais tarde, aliando-se a Farelay*, revoltar-se-á contra os portugueses, obrigando estes a formar uma coluna militar punitiva, em Março de 1904, comandada pelo Governador do Distrito, Forjaz de Serpa Pimentel que, em operações até Maio desse mesmo ano, o derrotam.

A partir daí o Xecado vai perdendo importância estratégica e económica, fruto da consolidação e expansão portuguesa no território e dos sucessivos confrontos que estalam com forças macuas e rivalidades entre os próprios membros do Xecado.


(1) - Cargo político dum estado árabe (ou arabizado), correspondente a primeiro-ministro.
* - A ser fichado.
** - Já fichado.

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Leituras

Livro: Há uns tempos atrás uma das minhas noras ofereceu-me um livro cuja leitura me tem dado imendo prazeer. Trata-se da "Caderneta de cromos contra-ataca", da autoria de Nuno Markl (Objectiva, 2011, 235 págs.). O livro, que é baseado num programa da Rádio Comercial, é uma delícia. Fez-me voltar aos idos das décadas de 70 e 80 (onde já era adulto) e relembrei-me de muitas coisas que já as tinha arquivado no sótão da minha memória. Mas que fizeram as delícias dos meus filhos e de muitos adolescentes daquelas épocas e, algumas delas, também me adocicaram a vida. O livro está dividido em  cinco secções: Comer, Brincar, Usar, Ver e Ouvir e, nestas, abrange toda uma panóplia de artigos de consumo que marcaram as nossas vidas.

A escrita é irónica, ligeira e predispõe bem o leitor, tornando esta obra não num livro em si mas numa máquina do tempo que nos transporta aos nossos tempos da inocência perdida e da adolescência vivida. 

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Acordo Ortográfico: recomenda-se a leitura do artigo que Anselmo Borges escreveu no Diário de Notícias (14/04/2012) subordinado ao título: "Acordo Ortográfico: inútil e prejudicial".

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Vídeo

Sou um apaixonado pela obra poética e musical de Pedro Barroso (PB), cantautor este que pertence à minha Santíssima Trindade Musical: Pedro Barroso, Fausto e Pedro Abrunhosa. Colhi, do Youtube, este belíssimo trabalho de PB, numa singela homenagem ao professor/poeta António Gedeão


Ainda sobre PB foi publicado, produzido pelo próprio, o DVD "Pedro Barroso - 40 anos de música e palavras", uma súmula  que abarca todo o seu período de criatividade entre 1969 e 2009, com entrevistas, fotos e 12 interpretações musicais suas. Vale a pena adquirir um exemplar deste vídeo.


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In memorian


Adriano Correia de Oliveira (Avintes, 09/04/1942 - Avintes, 16/10/1982) faria 70 anos este mês. O combate à ditadura do Estado Novo na leal militância ao Partido Comunista, fizeram-no Homem de uma só cara e cor. Mas foi na música, iniciada com um disco em 1963 que fizeram dele uma das minhas (p)referências musicais. A recordá-lo, busquei no "youtube" a "Fala do homem nascido", poemado por esse imortal António Gedeão.




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Poesia


(António) Rui de Noronha (28/10/1909 - 25/12/1943). Nasceu em Lourenço Marques (Moçambique), cidade onde também faleceu. Depois de ter feito estudos secundários tornou-se empregado ferroviário, naquela colónia portuguesa. Colaborou em diversos jornais, mas foi no "Brado Africano" que a sua poesia melhor se exprimiu. Desgostos amorosos e a desilusão de nunca ter conseguido publicar um livro, para o qual teria escolhido o título "Lua Nova") terão ajudado à sua morte prematura; ele que em vida fora um homem amargurado, introvertido e recolhido. Três anos após o seu passamento foi publicado, pela Minerva Central, parte da sua obra poética, no livro intitulado "Sonetos", numa selecção de poemas feita pelo então Professor Reis Costa mas que, posteriormente, se veio a apurar que mutilara parte dos mesmos.




Foi um  poeta de transição que, na falta duma tradição literária moçambicana, teve que se agarrar aos estereótipos portugueses do início do século XX e dar-lhe alguma roupagem de conteúdo social moçambicano, contornando a censura. Por isso Rui de Noronha é, justamente, considerado um dos percussores da nova poesia moçambicana.

Elsa de Noronha, a sua filha, declamadora ainda no activo (felizmente) tem sido a grande impulsionadora do conhecimento da obra poética do pai, atendendo a que tem um interessante espólio literário do mesmo.

Surge et ambula

Dormes! e o  mundo marcha, ó pátria do mistério.
Dormes! e  mundo avança, o tempo vai seguindo...
O progresso caminha ao alto de um hemisfério
E no outro tu dormes o sono teu infindo...

A selva faz de ti sinistro eremitério,
Onde sozinha, à noite, a fera anda rugindo.
A terra e a escuridão têm aqui o seu império
E tu,ao tempo alheia, ó África, dormindo...

Desperta. Já no alto adejam negros corvos
Ansiosos de cair e de beber aos sorvos
Teu sangue ainda quente, em carne sonâmbula...

Desperta. O teu dormir já foi mais que terreno...
Ouve a voz do Progresso, este outro Nazareno
Que a mão te estende e diz - "África, surge et ambula".

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Carregadores

A pena que me dá ver essa gente
Com sacos sobre os ombros, carregadíssima!...
Às vezes é meio-dia, o sol tão quente,
E os fardos a pesar, Virgem Santíssima.

À porta dos monhés, humildemente,
Mal a manhã desponta a vir suavíssima,
Vestindo rotas sacas, tristemente,
Lá vão espreitando a carga pesadíssima...

Quantos, velhinhos já, avós talvez,
Dez vezes, vinte vezes, lés a lés
Num dia  só percorrem a cidade!

Ó negros! Que penoso é viver
A vida inteira aos fardos de quem quer
E na velhice ao pão da caridade. 

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Aconteceu

Juan Carlos: O Rei Juan Carlos, de Espanha, foi à República do Botswana caçar elefantes e acabou por fracturar a sua anca direita, na sequência duma queda. Foi pena não ter fracturado mais nada, no mínimo. Já tem idade suficiente (81 anos) para passar uma mensagem de defesa e preservação do meio ambiente. Pode ser que um dia se vire o feitiço contra o feiticeiro e, de caçador, passe a caçado.



E o mais interessante é que a foto acima foi já retirada pela entidade organizadora, a "Rann Safaris", segundo informação que se lê na secção Pessoas do DN.


Mas, infelizmente, em relação a armas, a memória do Rei parece curta. Em 29 de Março de 1956, na "Villa Giralda", no Estoril - Portugal, Juan Carlos terá morto o seu irmão mais novo Alfonso, não propositadamente, mas por acidente ao que se terá apurado ou se entendeu apurar. Seria razão mais que suficiente para deixar as armas de lado, de uma vez por todas.


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RTP 1: Na passada quinta-feira (12/04) a nossa RTP 1 transmitiu uma tourada. É costume, é chic, é cool, é... o raio que os parta. Não sendo um extremista anti-tourada defendendo, no entanto, a abolição progressiva da mesma até ao seu desaparecimento total num espaço de tempo não muito longo; já sou um radical contra a exibição das touradas em televisões, muito mais ainda numa que vive dos meus impostos.

Alguém me consegue explicar, como se eu fosse uma criança de seis anos, qual é o orgasmo que alguém, montado num cavalo, pode ter ao espetar uma farpa longa num touro que já correu, está cansado, baba-se sedento e, ainda por cima, tem os cornos boleados, o que lhe corta as defesas? Realmente é cá duma heroicidade da treta. Para isso prefiro Espanha, onde vi espetar farpas curtas, a pé, num touro que tinha os cornos pontiagudos, intactos. Aí, ainda posso reconhecer garra ao farpeador. Apesar de também não concordar com o uso de farpas de espeto. Podiam-se perfeitamente substituir por farpas com bolas de cera com tinta que, ao tocarem na pele do touro, derramariam a mesma no seu costado.

Mas não. Há que sangrar o touro para gáudio da assistência bacoca, que bate palmas, no meio de toda aquela  fogueira de vaidades vãs. E com direito a toque de trompete. Não sei porquê, lembro-me dos Coliseu romano nos tempos augustinos e cesarianos.

Daí o meu aplauso à Catalunha e às Canárias, onde as touradas foram proibidas. E a Cidade do México vai votar, no final deste mês, a proposta de abolir as touradas. Espero que vença a proibição.
  

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Guiné-Bissau: Na República das Bananas, perdão enganei-me, na Plataforma Giratória Internacional da Droga, perdão lá me enganei outra vez, queria dizer na República da Guiné-Bissau lá aconteceu mais um golpe de estado, novamente efectuado por militares muito preocupados com o sofrimento do povo, com os caminhos da democracia, também com os seus tachos, perdão, voltei-me a enganar, também como em justificarem a sua injustificável existência num País que fazem, à força, triste e miserável. País que apresenta uma média, desde a sua independência total (separação de Cabo Verde), de um golpe de estado em cada dois anos.  

Mas o que me leva a falar sobre este assunto é a publicação duma fotografia em que um cão do Primeiro-Ministro foi abatido pelos revoltosos, quando assaltaram a casa do mesmo. Abater um cão. O canídeo devia ser perigosíssimo para os golpistas. A puta que os pariu.

E andamos nós a sustentar aqueles parasitas. Quando os guineenses, liderados por Nino Vieira, fizeram um golpe que terminaram com a  parceria política com Cabo Verde, começaram a afundar-se e cada vez mais vão a pique. Aquele "diz que é uma espécie de País" devia era chamar-se "República Titanic".  


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Foi dito


"Dou graças a Deus por não ter sido eleito Presidente" disse Manuel Alegre numa entrevista ao "Expresso", reportando-se ao facto de ter-se candidatado às eleições da Presidência da República Portuguesa e não ter vencido as mesmas.

Mas, então, pergunto eu que sou burro que nem um calhau: o que é que ele foi lá fazer? Passear-se? Gastar dinheiro? Mamar umas patuscadas?

Lembro-me de há muitos anos, era Ramalho Eanes o Presidente da República (o que eu dei graças a Deus) e terem-lhe perguntado a sua opinião sobre Manuel Alegre, com quem havia um litígio político na altura (já não me recordo qual) e ele ter respondido (cito de memória): "Em Portugal há muito bons poetas e em simultâneo maus políticos". Em cheio, meu General (como quase sempre foi seu timbre).

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Vale a pena meditar

"Uma sociedade só é democrática quando ninguém for tão rico que possa comprar alguém e ninguém for tão pobre que se tenha que vender a alguém" - Jean Jacques Rousseau (1712/1778; filósofo)


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As fotografias inseridas foram retiradas do Google Imagens.
Seja uma pessoa culta e educada. Mande o Acordo Ortográfico à merda.
As marcas referidas são incompatíveis com intuitos publicitários. São, só, meras opiniões do Autor. 


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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Karl Mauch

Viajantes, exploradores e aventureiros



Karl Gottlieb Mauch - (Stteten im Renstal (Alemanha), 07/05/1837 - Estugarda (Alemanha), 04/04/1875) - Explorador alemão. Apaixonou-se por África ainda na sua terra natal (Alemanha), onde exercia o mister de professor. Depois do Instituto Geográfico Alemão lhe ter recusado financiamento para explorações africanas, por não lhe reconhecer competência para tal, decide partir à aventura tornando-se embarcadiço num navio, para Durban, em 1864.










Lentamente começa a internar-se no sertão africano, elaborando mapas e recolhendo espécies animais e vegetais, que envia para a Alemanha, tornando-se mesmo num dos primeiros europeus a descobrir ouro, em Hartley Hills (Transval) em 1867. Adquire prestígio e o Instituto Geográfico Alemão altera a sua posição e começa a apoiá-lo, o que lhe permite aventurar-se mais ainda pelo interior africano.


Em 1868, contando 31 anos, inicia a que virá a ser a sua mais famosa expedição solitária. Tendo ouvido falar, por nativos, da existência duma grande cidade abandonada para lá das margens do rio Limpopo, as suas buscas acabam por o levar à descoberta das famosas ruínas de pedra do Zimbabué, no decurso do ano de 1871 e que mais não era que uma das cidades do Reino do Monomotapa*, tornando-se no primeiro europeu a descobrir tal civilização.


Imbuído do espírito da época, cujo paradigma assentava no eurocentrismo e faltando-lhe formação académica e arqueológica, já que era um autodidacta que se metera na aventura, recusa-se a aceitar que a civilização por si descoberta fosse obra de negros, mas sim que pertenceria a uma antiga civilização perdida de europeus. Baseando as suas ideias na Bíblia e nas lendas nativas que recolheu localmente, atribuiu as ruínas como tendo sido a capital do lendário Reino de Ophir, da Rainha de Sabá, amante do Rei hebreu Salomão, e onde ela guardaria parte do seu fabuloso tesouro.


Regressado à Alemanha escreve e publica o livro "The jounals of Karl Mauch - 1869/1872", mas viu as suas teses serem contestadas, incluindo pelo próprio Instituto Geográfico Alemão. Doente e sofrendo de depressões, buscou na morte voluntária a cura para a incompreensão a que fora votado pelo sociedade científica do seu País. Seria Gertrude Caton-Thompson** que estabeleceria, de vez, as raízes de origem africana da civilização do Zimbabué.


* - Já fichado.
** - A fichar.


Historiando Moçambique Colonial

Companhia do Mazane de Diu - Companhia comercial indiana que se estabeleceu na ilha de Moçambique a partir de 1686, quando o Vice -Rei da Índia concedeu, a partir daquele ano, à Companhia do Mazane de Diu o monopólio do negócio entre os dois territórios. O Mazane era uma entidade comercial que podia ter uma estrutura de carácter individual, familiar ou colectiva e de fortes recursos económicos e financeiros.

Intervinha na aquisição e troca de mercadorias, regulava o mercados dos preços, alugava ou comprava os meios de transporte que viesse a ter necessidade, estabelecia contactos e acordos com outras entidades, nomeadamente portuguesas, contratava pessoal e planificava a expansão do negócio.

Instalado, inicialmente em Diu, rapidamente alargou as suas áreas por diversas partes da Índia e, posteriormente, alargou a sua rede comercial a Moçambique. Tinha, a seu cargo, uma rede de funcionários com funções específicas, onde se podiam encontrar comissionistas, que eram gestores do negócio e que escolhiam a mercadoria e controlavam toda a contabilidade inerente à mesma, os caixeiros-viajantes que vendiam a retalho, os fiéis de armazém que guardavam a mercadoria e observavam a sua conservação, os alfaiates que costuravam e  reparavam os tecidos e todo um rol infindável de vendedores ambulantes, que palmilhavam os territórios do interior, mercadejando os produtos. Muitas vezes a orgânica comercial dos baneanes, moldada numa estrutura familiar, era geracional, fruto duma forte identidade de sangue que identificavam e caracterizavam as famílias hindus.

Em Moçambique, conluiando-se com as autoridades das áreas política, administrativa, fiscal e militar como cunha de entrada nos mercados, obtenção de monopólios territoriais e isenções fiscais, acabaram por correr com os comerciantes portugueses em muitas áreas, quando se apercebiam da sua fraqueza económica e fraco poderio militar.

No acordo de 1686 que foi estabelecido entre o Vice-Rei da Índia, o Conde de Alvor, e a Companhia de Mazane de Diu, e que entregava a estes o monopólio do comércio entre os dois territórios estabelecia-se, entre outras cláusulas, que: A) os funcionários portugueses davam prioridade e apoio aos seus negócios; B) os membros da Companhia estavam isentos de direitos aduaneiros sobre as importações e exportações; C) os compradores eram obrigados a pagar de pronto os bens adquiridos à Companhia, para evitar que esta ficasse com o capital empatado; D) os barcos da Companhia tinham prioridade sobre todos os outros, no tocante a facilidades alfandegárias e portuárias, reparação dos mesmos e recrutamento coercivo, caso fosse necessário, de tripulantes. A Companhia foi extinta em 1777.

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Aforamento - Nome dado às concessões feitas em Portugal, a partir do século XII e que tinham carácter enfitêutico no qual, através dum pagamento, que era anualmente estipulado, o enfiteuta assumia todos os direitos sobre o terreno. Tinha a finalidade de promover a agricultura no País, pois obrigava o enfiteuta a cultivar o solo. É na linha deste pensamento medieval que irá nascer, em solo moçambicano, a política dos prazos*.


Anil - Produto extraído das folhas da anileira, que é uma planta tropical herbácea ou arbustiva, da família das leguminosas, produto esse que era uma tinta que depois sofria um processo de desidratação. De tom azul servia para tingir diversos tipos de roupa. A sua cultura, em Moçambique, terá sido introduzida nas Quirimbas e na Zambézia,  no decurso do século XVII.


Baneane - Expressão portuguesa que se referia à casta hindu dos "vanias", comerciantes por tradição e integrados na Companhia do Mazane de Diu.

Boma - Paliçada defensiva que circundava as aldeias do Niassa, mas que apresentava no entanto um estrutura mais fraca e simples que as aringas* zambezianas.


Canarim - Indivíduo proveniente de Canará, localidade situada na antiga Índia portuguesa, e que era um espaço geográfico situado na costa industânica, entre Goa e Cananor.

Caneco - Termo depreciativo com que se referiam a pessoas de proveniência indiana e de baixo estrato social.

Monhé - Aportuguesamento da palavra "muinhe", que significa "senhor", tendo-se tornado num termo colonial depreciativo com que se referiam a pessoas de origem indostânica.

* - Já fichado.
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Leituras

Através de amigo comum que nos apresentou, tive o privilégio de conhecer Francisco Xavier Valeriano de Sá, um dos mais profundos conhecedores da História da nossa presença na ex-Índia Portuguesa.

Nascido em Diu, completado os estudos secundários em Goa e universitários (economia) em Lisboa, para além de funcionário do BNU, Francisco Xavier de Sá dedicou-se ao estudo da história da presença portuguesa naquele antigo território indostânico, para além de se dedicar à fotografia, pintura e música goesa. 

Considero-o um erudito de fino trato e, sem dúvida, um Príncipe da Cultura, da "velha guarda" que o tempo, no seu inexorável andamento, se encarrega de fazer desaparecer. Sem complexos de esquerda ou de ser apodado de saudosista do passado, meteu a ombros a ingrata tarefa de biografar todos os políticos e religiosos que dirigiram os destinos daquele território, dando à estampa, depois de inúmeras dificuldades e sacrifícios financeiros, dois livros interessantes, a saber:

A) "Vice-Reis e Governadores da Índia Portuguesa" (Comissão Técnica de Macau para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1999, 430 págs.), que contém o historial biográfico de todos os governantes lusos que lideraram a Índia, do primeiro (D.Francisco de Almeida) ao último (Vassalo e Silva). Como complemento deste trabalho monumental, o Autor deslocou-se àquele território e fotografou todos os retratos existentes na famosa Galeria dos Vice-Reis da Índia, galeria esta que foi idealizada e iniciada pelo Vice-Rei D.João de Castro. Salvou, para memória futura, todos este património iconográfico já que, de há muito, as pinturas estão em degradação face às inclemências climáticas (temperaturas e humidade elevadas) e ausência de competentes cuidados técnicos para preservação dos mesmos.

B) "O Padroado Português do Oriente e os Mitrados da Sé de Goa"  (Plátano Editora, 2004, 163 págs.), onde consta um resumo histórico do Padroado Português do Oriente, desde o seu início, à criação da Sé Metropolitana, Primacial e Patriarcal de Goa, bem como um resumo histórico dos Governos da Arquidiocese de Goa e do Patriarcado das Índias Orientais encorpando, depois, na relação cronológica dos governos e governantes da Diocese, Arquidiocese e Patriarcado de Goa, desde o seu início (1505) até ao final do milénio.

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Aconteceu

GovernoÀ sucapa, às escondidas, promoveu uma lei que impede as reformas antecipadas aos beneficiários da Segurança Social. Para salvar a dita cuja Segurança Social. Com o conluio do nosso inefável Venerando Chefe de Estado, esta Augusta Personalidade subscreveu o diploma e, depois, quiçá debaixo do braço dalgum contínuo, foi de mansinho, mui mansinho, para a Imprensa Nacional onde foi logo publicado.
"Prontes, já tá", penso que terão cogitado os nossos benditos governantes. Assim os malditos trabalhadores já não vão a correr pedir as reformas antecipadas.
Não sei porquê lembrei-me da música "Vampiros" de Zeca Afonso, quando ele canta: "No céu cinzento sob  o astro mudo/ batendo as asas pela noite calada / vêem em bandos com pés de veludo / chupar o sangue fresco da manada."

Assembleia da República - Na quinta feira, que antecedia o feriado pascal de sexta, os Senhores Deputados anteciparam o plenário para o período da manhã (que por norma acontece sempre no período da tarde). E, desta maneira singela, o Parlamento - a dita Casa da Democracia - os nossos Excelsos Representantes da Nação (ERN) puderam desaparecer, gozando umas mini-férias antecipadas.
A Função Pública, entre os quais os funcionários do Parlamento, o Sector Empresarial do Estado e o Privado trabalharam. Mas os ERN esses foram gozar à tripa forra.
Lá voltei a lembrar-me da música dos Vampiros: "São os mordomos do Universo todo / Senhores à força, mandadores sem lei / enchem as tulhas, bebem vinho novo / dançam a roda no pinhal do rei."

Mário Soares - Circulava, com  motorista, numa viatura do Estado a 199 km/hora na A8, quando foi interceptado pela BT da GNR. Perante a emissão da multa, no valor de 300 euros, reagiu dizendo ao motorista: "O Estado paga a multa". Lamentável este exemplo de como uma pessoa, com responsabilidades, dá aos cidadãos, não só do incumprimento da Lei como também de que  sejam outros (o Estado, ou seja eu, via impostos) a pagarem as tropelias dele. Oh "shôtor", "atão" custava-lhe muito pagar a porra da multa?
Não sei porquê voltei-me a lembrar do refrão dos "Vampiros" de Zeca Afonso: "Eles comem tudo / eles comem tudo / eles comem tudo / e não deixam nada."


"Tá" mal - Voltou-se atrás com a decisão de se nomear Teixeira dos Santos para a Caixa Geral de Depósitos. Lá seria mais um tacho. O ex-ministro, que foi um dos coveiros deste País (mas não o único), um pau mandado socratiano, talvez não tenha que esperar muito para lhe acomodarem qualquer coisita. Tadito, o homem também tem direito, que Diabo. Temos que ser democratas. Ou comem todos (um ou mais tachos) ou não come ninguém. Se os incompetentes deste País são premiados com tachos chorudos, tais como Freitas do Amaral (Presidente da ONU), Durão Barroso (Comissão Europeia), Victor Constâncio (BCE), António Guterres (Alto Comissário da ONU), Santana Lopes (Santa Casa da Misericórdia), por exemplo ou vão para paragens calmas, como José Sócrates (Paris), há que arranjar qualquer coisita.    

Foi escrito e dito


Coragem - Tem-se utilizado muitas vezes esta palavra para qualificar certas atitudes de governantes ou agentes desportivos nossos. "O ministro fulano de tal demonstrou uma coragem ao decidir isto ou aquilo", ou " o treinador fulano de tal demonstrou uma coragem ao não colocar em campo o jogador cicrano de tal" por exemplo. São comentários, essencialmente, na área política ou desportiva onde mais vezes tenho detectado o uso e abuso esta palavra.
E acho errado. Banalizou-se o sentido de "coragem". Actos de coragem acontecem dia-a-dia, praticados por anónimos. É o caso dos que lutam desesperadamente para salvar um filho da droga, trabalhando no duro em mais que um emprego para arranjarem dinheiro para pagarem desintoxicações; é o caso do bombeiro que arrisca a vida no meio dum incêndio para resgatar alguém que ficou retido no meio das chamas; é o caso do cônjuge que não abandona o seu parceiro atingido por uma doença fatal e luta desesperadamente ao seu lado até ao fim, sabendo da inevitabilidade do destino mas secando as lágrimas e indo de vitória em vitória até à derrota final; é... enfim, poderia enumerar aqui tantos casos de heroicidade anónima em que aqui, sim, há Coragem. E com "C" grande.
Agora o treinador que não põe certo menino a jogar ou o ministro que assina um diploma... meus senhores, tenham mais tento no uso de expressões. Para estas situações a nossa língua, que é muito rica, tem outros vocábulos: "dever", "obrigação", por exemplo.

Língua portuguesa - Sobre as hipóteses de um patrício nosso emigrar para o Brasil e tentar arranjar trabalho naquele País, a Visão nº 995 na pág. 62, sintetizou os pontos mais importantes para esse objectivo, facultando alguns conselhos. Num deles, refere: "A língua é a mesma: Só em teoria. A prática pode revelar-se desastrosa. Conselho essencial: fale devagar. E não se esqueça: fale devagar" (sic).
Pois é. E andámos nós a prostituir a nossa língua aos interesses económicos brasileiros, conspurcando-a por decreto.


Ricardo Araújo Pereira  (RAP) - Aliás sobre isto de ambos os países falarem a  mesma língua, foi humorizado por RAP, numa sua deslocação ao Brasil e num espectáculo que deu onde, no decurso do mesmo, humorizou: "Vou falar devagar. Não que seja retardado, mas porque sou português. Sei que para vocês é mais ou menos a mesma coisa, mas não é..." (retirado da Visão nº 995, pág.99)

Dinheiro - Interessante o artigo que li (Sábado nº 413, pág. 81) sobre um movimento que pretende acabar com o dinheiro fisicamente, e tudo passar a ser adquirido com cartões de débito. Exemplificando o caso sueco, que é um dos países onde cada vez circula menos dinheiro, as vantagens seriam, por exemplo, a diminuição de assaltos e de corrupção, atendendo a que todas as transacções electrónicas deixam registo. Para além do custo que orça aos contribuintes o fabrico, distribuição e garantia de segurança da circulação do dinheiro vivo.

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Pensamento

"O preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por gente inferior." - Platão, filósofo, 428AC - 327 AC.


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Seja uma pessoa culta e educada. Mande o Acordo Ortográfico à merda.

Todas as marcas ou produtos referidos no presente texto são incompatíveis com intuitos publicitários. As referências aos mesmos reflectem, apenas, a opinião do Autor e nada mais do que isso.


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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Fernando Laidley

Viajantes, aventureiros e exploradores




Fernando Laidley - (Luanda, 1917 - Lisboa, 2010) - Aventureiro. Passa, neste corrente mês de Abril, o segundo aniversário do falecimento (por doença) de Fernando Laidley. Em 1955, acompanhado por José Guerra, pilotando ambos um Wolksvagen (o popular "carocha") que não tinha qualquer preparação especial, partem de Lisboa rumo ao continente africano e entrando por Marrocos, atravessam a Argélia, a Líbia e dirigem-se para o Egipto. Daqqui descem toda a costa oriental africana (Sudão, Quénia, Tanganica (actual Tanzânia), Moçambique e África do Sul) até ao Cabo da Boa Esperança. Daqui rumaram para o Sudoeste Africano, Angola, Congo Belga, África Equatorial Francesa, Nigéria, África Ocidental Francesa e, de novo, entram na Europa e param em Lisboa. Em cerca de nove meses tinham circundado, via terrestre, o continente africano, tendo sido a primeira equipa a conseguir tal feito.


Em 1957, acompanhado apenas dum pequeno leão, o "Boma", efectua a viagem entre Luanda/Lourenço Marques/Bissau ligando, via automóvel e pela primeira vez, as três províncias ultramarinas portuguesas situadas na placa terrestre africana. Depois de ter saído de Luanda e atingido Lourenço Marques, (sul de Moçambique), ruma para o centro desta Província e flecte para a Rodésia do Sul, entrando depois do Congo Belga e passando, de seguida, para a África Equatorial Francesa, percorre o Chade, Camarões, Nigéria (colónia britânica), Níger Francês e, finalmente, atinge a Guiné portruguesa, chegando a Bissau.  


Posteriormente, em 1960, Fernando Laidley fará outra ligação, via automóvel, partindo de Lisboa e chegando a Goa, depois de ter travessadso a Europa (Espanha, França, Itália, Jugoslávia, Grécia) entrado na Turquia e atravessado a Pérsia e o Paquistão. Em Carachi ultimou a viagem de barco, para não ter que entrar na Índia independente. Estava-se em vias de se perder o Estado da Índia Portuguesa, face às reivindicações da toda poderosa República da Índia e esta viagem servia os proprósitos políticos do Estado Novo, de quem Fernando Laidley foi sempre um incondicional apoiante, para efeitos de propagandear a presença portuguesa naquele longínquo território.

Estas três viagens deram notoriedade nacional (e também alguma internacional) a Fernando Laidley, tornando-o num filho querido do regime. Efectuou outras viagens de menor impacto mas sempre todas elas inseridas num espírito de aventura e de servir a causa nacional.

Em 1990 efectua o seu último e grande périplo. Aos 70 anos de idade efectua o 1º Raid Trans-Saariano Duplo Planalto do Tassili, num total de 12.000 quilómetros, metade dos quais em pleno deserto saariano. Foi obra.


Neste interim efectuou múltiplas outras viagens quer pelo continente africano quer pelo Oriente (Macau e Taiwan). Quando rebentou a guerra em Angola (1961) esteve no Norte daquele território a efectuar reportagens de guerra.

Tive a felicidade de conhecê-lo há uma década e meia atrás e, desde o princípio, criou-se entre nós uma excelente empatia. As nossas crenças políticas, apesar de opostas, não beliscaram minimamente a nossa amizade. Aliás, Fernnado Laidley tinha a distinta "lata" de, conservador e monárquico como se assumia dizer, com notório exagero, na sua roda de amigos que o melhor amigo dele era "um comunista". Deixou-me a incumbência de, um dia, quando eu entendesse a melhor altura, dar a conhecer os seus apontamentos sobre a última viagem que efectuou no deserto do Sahara, viagem esta que nunca chegou a publicar. Já ninguém se interessava por ele. O regime tinha caído e outros valores se levantavam. Curta é a memória dos homens.


Deixou vários livros escritos, que hoje apenas se encontram em alfarrabistas. Destaca-se o "Roteiro Africano", que relata a odisseia da 1º volta a África; "Missão em África",  que relata a viagem que efectuou acompanhado dum leão entre Luanda/Lourenço Marques/Bissau e "Missão na Ásia"; que se reporta à ligação automóvel de Lisboa a Goa. Sobre a guerra em Angola publicou "Missões de guerra e de paz no norte de Angola" e sobre outras viagens que efectuou escreveu "Reportagem em dois continentes".


Foi um homem que amou até à exaustão a sua Santíssima Trindade: as mulheres, África e os desertos. Contava por várias as mulheres que amara, por dezenas os países que visitara e por milhares os quilómetros que guiara.




Historiando Moçambique Colonial



Prazo - A palavra "prazo" significa aforamento, período de  tempo acordado ou convencionado para a realização de alguma coisa, como também pode significar esfera de influência ou jurisdição. Assim, os Prazos da Coroa seriam o outorgamento dum direito real por um determinado período de tempo, dos terrenos da Coroa.


Os portugueses, em meados do século XV, dominavam as rotas marítimas da costa oriental africana, nunca tendo sido sua política penetrarem no interior do continente. No entanto, a busca do ouro, do qual o Reino do Monomotapa* era, aparentemente, rico levou os portugueses a penetrarem no interior do Zambeze. O enfraquecimento do Monomotapa, acabando por se transformar num fantoche nas mãos dos portugueses, aliado à miragem do ouro e da prata nas minas nunca alcançadas no seu Reino, levou a que centenas de aventureiros de várias nacionalidades palmilhassem o mato zambeziano, até Tete, constituindo pequenos principados particulares, que foram crescendo em anarquia e ao sabor da lei do mais forte.


Os novos conquistadores, mercê do poder das armas de fogo, substituíram-se aos chefes locais, criando exércitos privados com os seus escravos (achikundas*) e tornando-se senhores de vastas áreas. No fundo tornaram-se régulos de raça branca, mas cafrealizados. A falta crónica de mulheres brancas levou-os a constituírem haréns com mulheres nativas e os filhos, mestiços, eram os seus herdeiros. Começou-se, assim, a correr o risco dos conceitos da civilização branca e cristã acabarem por ser absorvidos pela africanização do estilo de vida dos conquistadores.


Fruto disso, bastas vezes estes indivíduos entraram em conflito com a Coroa Portuguesa e, se bem que no fundo aceitassem a sua origem portuguesa e, por arrastamento, a soberania da bandeira real, já não admitiam que a Coroa interferisse nos seus domínios, onde eram senhores absolutos.


Mas este hibridismo cultural levava também aos novos senhores feudais a necessitarem do apoio da Coroa quando, por exemplo, surgiam disputas territoriais sobre os limites das suas terras com os seus vizinhos. A Coroa Portuguesa, por seu lado, não queria perder a soberania das terras mas o caso zambeziano era típico, pois a conquista das mesmas não fora orientada e planificada por si, mas sim ao sabor do aventureirismo particular. A necessidade também dos conquistadores, por vezes, terem das tropas da Coroa os auxiliarem nas suas guerras contra os gentios rebeldes, acabou por levar a uma solução de consenso entre as partes.


Assim, vamos encontrar no início do século XVII, na zona da Zambézia, múltiplos brancos já africanizados, exercendo o poder total em vastas áreas, poder esse adquirido pelas suas iniciativas individuais, mas ainda carentes do auxílio da Coroa, para apoio militar e regulamentação jurídica das suas propriedades, por um lado e, por outro, a Coroa Portuguesa que, detendo um direito histórico de planificação de conquista não o levara a cabo, mas  também encontrando-se aberta a abrir mão a prerrogativas que lhe eram caras, para não perder a soberania total nesses mesmos territórios. Por volta de 1613 os Dominicanos tomaram a iniciativa de solicitar à Coroa o reconhecimento do seu direito sobre terrenos que lhe tinham sido doados pelo Capitão D. Nuno Álvares Pereira, admitindo-se que tenha sido este o primeiro passo, direccionado à Coroa, para que esta aceitasse uma situação de facto.


Anteriormente, a Coroa Portuguesa tinha reconhecido ao comerciante Diogo Simões Madeira** a posse de terrenos que lhe tinham sido doados pelo Monomotapa Gatsi Rusere, como prémio por serviços prestados. Como não havia regulamentação jurídica para estas situações, em 1618, o Rei de Portugal concede ao Vice-Rei da Índia, de quem Moçambique dependia, poderes para legislar em relação às terras da Zambézia. Até aí existia apenas uma determinação da Coroa que impunha que os portugueses do interior obrigavam-se a obedecer à Coroa e a administrar as terras conforme o Monomotapa decidisse. 


Assim, a partir de 1629, a Coroa começou a reconhecer "de jure" os direitos dos proprietários dos terrenos, independentemente do modo como os haviam adquirido e que podiam ter sido por actos de guerra, casamento ou doação. Era reconhecido o direito à posse da terra a quem quer que a requeresse, mas limitava o período de posse a três gerações, sendo a sucessão obrigatoriamente pela linha feminina e as herdeiras eram obrigadas a casar com portugueses brancos ou seus descendentes, não poderiam abandonar o prazo, que passava a ser o seu local de residência, tinham que pagar um foro e a fornecerem exércitos armados quando a Coroa os requisitasse. A concessão do prazo caducava após a terceira geração, podendo a Coroa renovar à mesma família ou outorgá-la a outra. Dentro dos seus domínios o prazeiro geria-o como quisesse e entendesse, tendo total autoridade e sem ter que prestar contas a ninguém.


Esta ordenação jurídica, na qual o Estado transfere toda a sua autoridade para o prazeiro, por um período de três gerações e enquanto este reconhecesse a soberania da Coroa, remonta a uma disposição legal da Idade Média, que era a Lei das Sesmarias, a qual foi promulgada em Portugal, País eminentemente agrícola, pelo Rei D. Fernando, em 1376, com o fim de desenvolver a agricultura. Assim, ao publicar essa Lei, pretendeu-se desenvolver a agricultura, obrigando os proprietários das terras a cultivarem as mesmas e, caso não o fizessem, seriam obrigados a entregarem o cultivo das terras abandonadas a outros, por um período de tempo a determinar entre as partes. No decorrer do tempo acordado todos os direitos do proprietário passavam para o cultivador das terras, chamado "sesmeiro". Mais tarde, o Rei D. Afonso V reestruturou a Lei, dividindo os contratos em duas categorias: o emprazamento e o aforamento. No primeiro todos os direitos eram completamente transferidos do proprietário para o cultivador e no segundo caso o proprietário mantinha todos os direitos, cobrando apenas uma quarta parte do cultivo. Esta última forma de contrato tinha, por período de tempo, uma vida mas, com o evoluir dos anos, acabou por se fixar em três gerações.


Verifica-se, assim, que os Prazos da Coroa são uma fusão do emprazamento - transferência completa de todos os direitos do proprietário para o cultivador, ou seja da Coroa para o colono - e do aforamento - atribuição do prazo por três gerações - pelo que se pode, perfeitamente, considerar que a linhagem de jurisprudência dos prazos zambezianos vem na linha sucessória da Lei das Sesmarias.


Tem-se questionado qual o poder dos senhores dos prazos (prazeiros), se seriam meros funcionários administrativos, tipo governadores de terras que recebiam ordens e executavam-nas ou se exerciam o poder total. É de crer na segunda posição. Efectivamente, não é viável que tendo os prazos sido construídos à revelia da Coroa, por rasgos individuais e de forma violenta e tirânica, viessem depois esses mesmos conquistadores aceitarem comportar-se docilmente perante os ditames da Coroa. Aliás, a história biográfica de inúmeros prazeiros zambezianos mais reforçam esta opinião de rebeldia para com o poder central. No limite dos seus prazos, os senhores eram absolutos: executavam todos os actos políticos, administrativos, religiosos, lançavam impostos e cobravam-nos,decretavam guerras, tinham poder de vida e de morte sobre os seus habitantes e administravam a justiça a seu bel-prazer. 


Autênticos potentados do sertão zambeziano, de grandes casas senhoriais recheadas de haréns, sem obedecerem a ninguém a não ser na aceitação da soberania da Coroa - e, mesmo assim, muitos deles até isso discutiram -  comandando exércitos privados de milhares de homens e donos de terras imensas, estes predadores de terras e gentes, a ferro e fogo entraram na lenda moçambicana, provocaram um hibridismo cultural e foram o ténue elo de ligação entre África e Europa.


A rápida integração dos aventureiros portugueses nas sociedades tribais ter-se-á, fundamentalmente, devido a três factores: A) o de terem encontrado nas sociedades africanas um sistema feudal idêntico ao que tinham deixado na Europa; B) terem atacado as chefias mas não mexendo na estrutura tribal; C) terem encontrado o Reino do Monomotapa em fase de declínio e a ajuda do poder das armas de fogo.


Dentro dos prazos a população dividia-se, essencialmente, em escravos armados que eram os achikundas, e os colonos indígenas. Os escravos integravam-se nos exércitos dos prazeiros e os colonos indígenas, autênticos servos da gleba, dedicavam-se à agricultura. Por a agricultura ser apenas de subsistência e por o poderio dos prazeiros assentar na extensão territorial e manutenção dum poderoso exército, verificava-se que o escravo achikunda tinha um melhor estatuto social que os colonos indígenas.


A 07 de Abril de 1760 o Conselho do Ultramar, numa tentativa de disciplinar a  extensão territorial dos prazos ordenou, numa Provisão, que os prazos das regiões interiores não poderiam ultrapassar as três léguas quadradas e os prazos sitos ao longo da costa e dos rios, ou que possuíssem minas, não ultrapassassem uma légua quadrada e, em 25 de fevereiro de 1779, emite outra Provisão que determinava que os arrendatários residissem nos mesmos. No entanto, quer esta quer outras disposições legais, nunca foram cumpridas, quer porque a administração portuguesa era fraca e corrupta quer porque os prazeiros eram ricos e poderosos. No decorrer do século XIX começam a aparecer prazeiros a dedicarem-se à agricultura, abandonando a política belicista. Em 22 de Dezembro de 1854 e em 24 de Outubro de 1880 são publicados dois Decretos que extinguem os prazos, mas este regime de extinção foi revisto em 18 de Novembro de 1890 por António Enes** e regulamentado, de novo, por uma Portaria de 07 de Julho de 1892.


Até à década de 30 do século XX os prazos existiram na Zambézia, pois a publicação do Decreto nº 5713 de 10 de Maio de 1919 autorizava a existência dos mesmos provisoriamente e a sua liquidação, necessária com o advento do capitalismo e a criação de companhias majestáticas**  custou, à Coroa Portuguesa, muitos dissabores e lutas intestinas contra estes senhores da guerra, de terras e de gentes, que nunca quiseram abrir mão dos pergaminhos conquistados pelos seus antepassados.


A política dos prazos zambezianos durou cerca de 300 anos e, desde o longínquo tempo do Reino do Monomotapa até aos alvores do século XX (nascimento e morte dos prazos) foi a única maneira que os portugueses tiveram para conseguirem penetrar no interior do centro de Moçambique.



Manuel António de Sousa - (Goa, 1835 - Barué, 1892) - Prazeiro. Oriundo de Goa, foi um dos dos mais famosos e poderosos senhores da guerra do século XIX, tendo mantido sempre uma fidelidade total à bandeira portuguesa. Puro predador de gentes e de terras, chegou a Moçambique aos 18 anos de idade, tendo combatido sempre ao lado dos portugueses durante cerca de 30 anos, criando um exército de milhares de homens e usando como nome de guerra "Gouveia".


Formou o Estado Secundário da Gorongosa** onde se instalou por volta de 1854/55 e era Capitão-Mor de Manica e Quiteve, cargo para que foi nomeado em 1863. Dominou a Revolta do Massingir** e integrou forças suas nas segunda e terceira expedições militares contra o Bonga**.


Em 1887 vem a Lisboa, onde é condecorado e promovido a Coronel de Segunda-Linha pelo Governo de Lisboa, como prova de reconhecimento dos seus bons ofícios à causa portuguesa. Apodera-se do trono do Reino do Barué*, fruto do casamento que firmou com uma filha de Chipatata e eliminando potenciais candidatos ao trono baruísta, atingindo o zénite da sua vida aventurosa.


Juntamente com Paiva de Andrada* e João de Resende foi preso pelas foças da BSAC (de Cecil  Rhodes*) na zona de Manica, começando aqui o seu declínio, pois os seus lugares-tenentes (Cambuenba*, Luis da Gorongosa, Guizi) aproveitando a sua prisão, abandonam-no. Libertado da prisão sul-africana, por pressão do Governo Português, tenta reconquistar os seus domínios, entretanto rebelados por o suporem morto.


Na tentativa de retomar o Reino do Barué, ataca as forças de Hanga*, em Inhachirombe, acabando ferido e abandonado pelos seus. Reza a história que terá sido seteado por uma criança que o viu escondido e ferido, no mato, quando fugia depois da derrota de Inhachirombe. O seu crâneo ornamentava a aringa* de Hanga que também usava, pendurado no pescoço, o seu anel.



Através duma Portaria Provincial, assinada em 25 de Janeiro de 1915, o Governador-Geral Joaquim José Machado** determinou que a vila de Catandica passasse a denominar-se Vila Gouveia, em homenagem a Manuel António de Sousa.

* - Já fichado.
** - A ser fichado.

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Aconteceu

Faleceu António Tabuchi. Um italiano que amou Portugal, que divulgou a sua cultura, que estudou Fernando Pessoa. Um livre-pensador, um  europeísta. Um Homem sem fronteiras. Portugal deve-lhe muito. Espero que a sua memória seja perpetuada no nosso País.
Porque, por mim... obrigado Tabuchi, por tudo o que me deste.




Está a acontecer



Exposição fotográfica alusiva ao 25 de Abril. Na Biblioteca Museu da República e da Resistência (Lisboa), de 02 a 30 de Abril corrente.


Vai acontecer


Conferência evocativa da passagem do 20º aniversário do falecimento de Salgueiro Maia. Serão oradores Vasco Gonçalves e Maria Inácia Rezola. No próximo dia 03 de Abril, pelas 18H00, na Biblioteca Museu da República e da Resistência. Entrada livre.




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Foi dito



"Entre o governo que faz o mal e o povo que o consente há uma certa cumplicidade vergonhosa". (Victor Hugo). Não sei porquê, ao ler esta frase, lembrei-me da segunda vitória eleitoral que José Sócrates teve, nas legislativas. E não só.



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sábado, 24 de março de 2012

Mary Mitchel Slessor

Mary Mitchel Slessor



Mary Mitchel Slessor - (Aberdeen (Escócia), 02/12/1848 - Calabar (Nigéria), 13/01/1915) - Missionária da Igreja Presbiteriana Unida da Escócia.

Cresceu no seio duma família pobre, filha de pai alcoólico e tendo seis irmãos. Desde muito nova que começou a frequentar a Igreja local, tornando-se profundamente religiosa. Será, aliás, a sua profunda reliogisidade que a acompanhará até ao fim dos seus dias e que lhe dará forças para as provações que sempre suportou. Em 1859 a família muda-se para Dundee, mas a vida continu a não lhes sorrir fruto do vício do chefe de família. Com onze anos de idade é obrigada, tal como a sua mãe, a ir trabalhar na indústria têxtil, para reforçar o provento familiar, trabalhando durante doze horas na fábrica, onde só tinha duas horas para refeições. Os estudos ressentem-se e a fome é uma constante na casa familiar, onde o alcoolismo do pai roubava os magros proventos para sustentar o seu vício. Só com a sua morte é que, lentamente, a vida começou a suavizar-se na família. Durante 14 anos trabalha na fábrica, sempre doze horas por dia, para além de ao fim de  semana refugiar-se na Igreja.

O seu sentir missionário começa a avolumar-se, desde que, em criança, lera histórias de missionários que a sua Igreja tinha, em diversas partes do Mundo, desde a China ao Calabar. A morte de David livingstone, outro missionári escocês, oxorrida em 1874 veio a despoletar de vez essa sua intenção de partir. Inspirando-se na obra de David Livingstone, a 05 de Agosto de 1876, Mary Slessor parte de Liverpool, a bordo do "Etiópia" com destino a uma Missão da Igreja Presbiteriana Unida no Calabar (ao sudeste da actual Nigéria), como professora-missionária, onde chega a 11 do mês seguinte, ficando colocada em Duke Town, durante quatro anos. 


Em 1879 retorna à Europa a tratar-se,por doença, regressando ao Calabar no ano seguinte, onde lhe encarregam de tratar dos assuntos femininos na Cidade Velha. Aqui ficará dois anos, sendo a única europeia ali a viver. Em 1883 vem de novo à Escócia, para novos tratamentos da sua saúde debilitada, onde fica durante dois anos. No regresso ao Calabar o seu destino é ir viver no meio da tribo Ibaca, a pedido do seu rei, Ocon. Depois segue a fixar-se em Town Creek, onde fica seis meses.

Colocada, inicialmente, em missões litorais conseguiu, após várias insistências, ser colocada no interior  do território, onde só iam homens, pois eram terras de caçadores de cabeças e de canibais. Assim, a 03 de Agosto de 1888, parte para a aldeia de Okoyongo onde chega, depois duma violenta jornada, por rios e trilhos, onde a fome, as roupas encharcadas e, sendo a única pessoa europeia na viagem, a ter que confiar nos acompanhantes de circunstância, tornaram a viagem num pesadelo.

Durante cerca de 40 anos exerceu o seu apostolado no Calabar, superintendo várias missões no interior do território. De tudo um pouco esta valorosa mulher viu, assistiu e interveio, sempre que pôde na defesa dos fracos, dos oprimidos, dos humilhados. Desde mercados de escravos onde resgatou crianças; passando por crocodilos a procurarem pessoas junto dos rios; a um hipopótamo ter virado uma canoa onde seguia, só se tendo salvo por lhe ter atirado com uma panela para a bocarra; a suspeitos serem obrigados a mergulharem um braço em óleo a ferver para demonstrarem a sua inocência; a viúvas serem mortas para acompanharem os defuntos na outra vida; a gémeos serem amaldiçoados e mortos por serem obra de demónios, tendo salvo alguns; a salvar uma aldeia inteira de ser chacinada por alguns habitantes terem sido culpados pelos feiticeirtos pela morte do filho dum chefe tribal; a evitar conflitos bélicos entre tribos locais por questões de posse de gado ou de mulheres; de tudo o que se possa imaginar nessa antiga África do obscurantismo, do paganismo e da surpestição, Mary Slessor viveu. Viveu e combateu. 

A sua coragem de dizer "não" à barbárie, na cara dos que ordenavam tais barbáries; o exemplo abenegado que deu por várias vezes na defesa da vida de pessoas que a buscavam em fuga; a recusa no aproveitamento de bens materiais para seu próprio benefício; a altivez com que se apresentava perante potentados locais e olhava-os de frente sem medo; o ter demonstrado por várias vezes não recear a morte em exemplos nobres de resgate de pessoas; tudo isso grangeou-lhe respeito e admiração entre os nativos, que carinhosamente a apelidavam de "Ma" (Mãe). 

Ainda veio por mais duas vezes à sua Escócia (1898 e 1907), sempre em tratamentos das doenças tropicais mas, em 1908, regressa a África, de vez, onde virá a falecer.

Por tudo o que viveu, por tudo o que deu, por tudo o que fez, esta lendária mulher coragem entrou na História como a "Rainha Branca do Calabar".



Historiando Moçambique Colonial


Banto - Palavra criada pelo filologista Black (século XIX), estudioso das línguas dos povos da África Austral, que reparou que a raiz "tu" ou "ntu" (pessoa) era comum a tdos os idiomas. O plural desta raiz "ba-ntu" (povo, gente) generalizou-se e adoptou-se para designar todos os povos, a Sul do Equador, com uma remonta origem linguística comum.


Cambuemba - (?/?) - Lugar-Tenente de Manuel António de Sousa*. Quando este foi preso, juntamente com Paiva de Andrada e João de Resende, pelas forças da BSAC de Cecil Rhodes, em 1890, Cambuemba, juntamente com Luís da Gorongosa e Ghizi, também eles lugares-tenentes de Manuel António de Sousa, entraram em rota de colisão com os interesses portugueses. Batalhando sempre a Companhia de Moçambique, Cambuemba, operando a partir da sua aringa de Chemba, entre 1893 e 1896, expulsa dos prazos de Chiramba e Tambara os portugueses e chega a isolar Sena. Em 1896 estabelece acordos com o Bonga de Massangano e com o Reino do Barué.
Em Maio de 1897, sendo um dos líderes da revolta tonga, expulsa os europeus de diversos prazos, bloqueando a navegação fluvial do baixo Zambeze e voltando a provocar o isolamento de Sena. No entanto acaba derrotado, em Setembro desse mesmo ano, face ao poder de fogo das forças portuguesas, tendo estas conseguido uma vitória plena, destruindo quase todas as aringas inimigas,prendendo a maioria dos amambos senas e tongas e liquidando centenas de rebeldes.
Cambuemba refugia-se no Reino do Barué, na corte do Makombe Hanga*, que congrega à sua volta todos os opositores aos portugueses, juntamente com Luis da Gorongosa e Guizi. Em 1900 Hanga nomeia-o comandante das forças baruístas, apesar de ser do povo tonga e, dois anos mais tarde assume, directamente, a defesa de Missongue, a capital baruísta, contra o ataque português liderado por João de Azevedo Coutinho*.
Tendo sido derrotado nessa batalha acaba preso, na sequência da mesma, tendo sido deportado a ferros para a ilha de São Tomé, onde virá a falecer. 


* - A ser biografado.


Chibalo - Trabalho forçado. Era uma medida arbitrária e violenta, que a autoridade administrativa colonial impunha, justificando-se quase sempre com o argumento da indolência típica dos nativos. Ainda vigente no decurso do século XX, génese de muitas revoltas nativas contra os portugueses como, por exemplo, no Barué, aquando da ligação duma estrada de Tete para Macequece.
Pelo seu estilo de escravatura que esta medida impunha, as autoridades coloniais quase nunca pagavam o trabalho ou, quando o faziam, era de forma insuficiente. O conluio de régulos com a administração colonial, que os presenteava quando lhes arranjavam braços, contribuiu para queda do prestígio desta instituição no seio das populações.


Hanga - (?-Rodésia do Sul, 1910) - Makombe baruísta. Sucede a seu pai, Chipatata, depois de ter vencido outros pretendentes. Insubmisso aos portugueses consegue congregar, à sua volta, outros opositores dos mesmos, ultrapassando o conceito tribal. É assim que o vemos nomear, para o comando das suas forças, Cambuemba, que era tonga, o mesmo se passando para a nomeação do mukomowsha, bem como o ter-se aliado aos angunes e celebrado casamentos com  mulheres senas. Derrotou Manuel António de Sousa, que acabou morto pelas suas hostes. Em 1902, depois da queda de Missongue, capital do seu Reino, refugia-se na Rodésia do Sul e continua a fomentar revoltas contra os portugueses.  


Reino do Barué - A nação barué, desde sempre independente, situava-se a Norte do Reino do Quiteve, tendo como outros limites geográficos a Gorongosa a Este, a Zambézia a Norte e, a Sul, o rio Pungoé, sendo a sua população formada, principalmente, por chonas e carangas e que se fundiram, mais tarde, com tongas.
Os seus reis tinham o título de "makombes". Avassalado ao Reino do Monomotapa, em 1608 revolta-se contra o  Monomotapa Rutsi Ruserere, adquirindo a sua independência, mantendo-a até finais da década de 20 do século XVII, altura em que a perde momentâneamentenpara o prazeiro António Lobo da Silva.
Na primeira metade do século XVIII o Reino estende os seus domínios para Sul, até às margens do rio Luenha. Em 1788 o cientista Manuel Galvão da Silva percorre o Reino, que apresenta uma boa estabilidade política, marcando mesmo a sua independência pelo afrontamento que impõe aos portugueses, que têm que lhe pagar tributos, para poderem percorrer os seus territórios.
Entre 1828 e 1830, devido a uma crise dinástica, o Barué esteve sem Makombe, tendo o novo Makombe aceite um tratado de livre trânsito com as autoridades portuguesas. O Reino sofre incursões angunes entre 1834 e 1838 e surge nova crise dinástica, em 1846, quando surgem dois pretendentes: Chibudo e Chipatata, sendo o primeiro protegido por Muzila* que, no entanto não o consegue entronizar, acabando o segundo por ascender a Makombe.
Este Reino era desejado por Manuel António de Sousa* que, desenvolvendo a sua política de anexação deste território, guerreou e submeteu os senas e tongas, povos súbditos do Barué, o que obrigou Chipatata a aliar-se a Bonga*, de Massangano, inimigo jurado de Manuel António de Sousa. No entanto tal aliança não colheu frutos, o que acabou por obrigar Chipatata a reconhecer a superioridade militar de Manuel António de Sousa pelo que, em 1869, é este senhor da guerra quem salva o Reino do Barué de nova ameça angune.
No entanto Chipatata acabará por pagar caro tal aliança pois, ao permitir o casamento duma sua filha com Manuel António de Sousa, acabará por entregar o Reino nas mãos deste predador. Hanga, filho de Chipatata, consegue reunir à sua volta chefes baruístas que estavam descontentes com Manuel António de Sousa e conspiram contra o mesmo, mas acaba derrotado e foge para junto do Bonga de Massangano, onde se exila durante alguns anos, até 1890, quando as forças da BSAC de Cecil Rhodes** prendem Manuel António de Sousa, que escoltava Paiva de Andrada** e João de Resende, levando-os a todos para a África do Sul. Aproveitando este revés do seu inimigo, Hanga consegue sublevar o Barué e ainda capta a confiança militar de importantes lugares-tenentes de Manuel António de Sousa para as suas hostes:Cambuemba, Capovo, Luis da Gorongosa e Guizi (1).
Após se ter libertado da prisão sul-africana, por pressão do Governo Português junto das autoridades londrinas, Manuel António de Sousa parte à reconquista do Barué, com  o apoio de forças militares portuguesas, comandadas por João de Azevedo Coutinho*, mas acabará ferido e morto pelas forças de Hanga, que exibirá o seu crâneo como troféu valioso. Assim se reconquista a independência do Barué, em 1892, mas o Reino será atravessado por uma crise dinástica, pois ao trono perfilam-se Hanga e também Samaconde, ambos filhos de Chipatata. Samaconde acaba por ascender ao poder, em 1894, desenvolvendo uma política favorável aos portugueses mas acabará derrubado anos mais tarde, refugiando-se na Rodésia do Sul, onde morrerá exilado. Assim, Hanga ascende ao trono baruísta tornando-se, em difinitivo, Makombe, se bem que ainda tenha que derrubar outro rival, de nome Chipitura, acabando este por morrer em 1899.
A fim de fazer face à ameaça portuguesa Hanga tentou estabelecer acordos com o Bonga de Massangano e com os angunes, mas não logrou ter êxito nestas tentativas. Aliando-se aos tongas, Hanga trava a sua última batalha, em 1902, quando as forças portuguesas, de novo comandadas por João de Azevedo Coutinho,invadem o Reino em finais de Julho desse ano. Com a queda de Missongue, a capital do Reino do Barué, Hanga refugia-se na Rodésia do Sul, onde morrerá, em 1910.
O seu filho, Chikwore, sucede-lhe e subleva várias regiões de Tete e da Zambézia, em finais de Março de 1917, acabando derrotado por forças portuguesas no findar desse mesmo ano, pelo que, à semelhança do seu pai, refugia-se na Rodésia do Sul. As razões desta revolta prenderam-se com o recrutamento obrigatório de carregadores para a guerra que se travava contra os alemães (I Guerra Mundial, que será dissecada mais à frente) no Norte de Moçambique; com a imposição do imposto de palhota e com as brutalidades praticadas pelos sipaios nas populações indefesas, obrigadas a trabalhar em regime de escravatura (chibalo) na construção duma estrada que ligava Tete a Macequece.
Mas o Reino do Barué ainda iria provocar algumas dores de cabeça aos seus novos senhores pois, no ano seguinte, Makosa, primo de Chikwore, que ascendera a Makombe após a derrota e exílio do seu familiar, promove nova revolta contra os portugueses, provocando surtidas de guerrilha até Outubro de 1918, altura em que é definitivamente derrotado, refugiando-se em Mekoto, na Rodésia do Sul e desaparecendo, de vez, o Reino do Barué enquanto nação independente.


* - A ser biografado.

** - Já biografado.

(1) - Todos eles tinham o elo comum de terem servido sob as ordens de Manuel António de Sousa, de quem aprenderam as tácticas de combate. Existem poucas ou nenhumas referências biográficas destes, salvo o de Cambuemba, que foi o que mais se destacou dentre eles.
De Guizi sabe-se que casou com Nhana Imanga, uma das viúvas de Manuel António de Sousa, mas não soube aproveitar as vantagens políticas que este casamento lhe poderia ter dado em relação aos seus outros companheiros dissidentes. Combateu os portugueses entre Sena e Barué ao lado de Cambuemba, até que, em 1897, derrotado, refugia-se no Barué.
Todos estiveram presentes na derrocada de Missongue, em 1902, tendo Cambuemba sido preso e deportado, Luis da Gorongosa sabe-se que foi preso e desconhecendo-se o seu destino, nada tendo conseguido apurar dos outros.


Sipaio - Polícia indígena subalterno, sucessor do achikunda*. Diferenciava-se deste por não defender o prazeiro (que era um indivíduo defenido) mas sim a administração colonial (que era uma entidade abstracta), para além do facto de não só estar mais disciplinado, como também ter uma farda própria, que era igual em todo o território.
Elos importantes na ligação entre as populações e a administração colonial, aos sipaios que actuavam nas zonas rurais eram-lhes concedidos, no início, reminiscências do tempo dos achikundas, tais como o direito de saque, por exemplo. Com o evoluir dos tempos tais direitos foram sendo retirados e substituídos por formas mais modernas de subsistência, tais como vencimento fixo e subsídios.
O sipaio e o régulo, na grande generalidade dos casos, foram as duas entidades nativas que melhor facilitaram a vida à administração colonial portuguesa para se implementar no seio das populações.

* - Já fichado.



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Livro



"1421 - o ano em que a China descobriu o Mundo", de Gavin Menzies (Publicações Dom  Quixote, 2008, 527 págs.) é um livro polémico que defende a teoria de que, antes da costa americana ter sido atingida por Cristóvão Colombo (1492) e, também, que antes da viagem de circum-navegação planetária iniciada por Fernão de Magalhães e continuada por Sebastião del Cano ter sido completada (1521), já os chineses tinham navegado à volta do mundo, um século antes.
Segundo o autor, em 1421 um frota de cem navios chineses, comandada pelo Almirante Zheng He, saiu da China (governada na altura pelo Imperador Zhu Di), em direcção à Índia, desceu ao Cabo da Boa Esperança, cortou o Atlântico Sul, mapeou as costas sul-americanas, entrou o Pacífico e atingiu a Austrália, tendo retornado ao País em 1423, com apenas sete naus sobreviventes.
Ao regressar ao País Zheng He vem encontrar a Pátria num caos tremendo, já com outro Imperador no trono que, face aos custos da viagem e às dificuldades que se atravessava, ordenou a destruição da frota e dos documentos relativos à mesma, perdendo-se um espólio valioso.
Caberia, assim, à China a glória de ter sido a primeira Nação a circum-navegar o planeta, a descobrir a Antártica, a Austrália e a resolver o problema da longitude, segundo a tese apresentada por Gavin Menzies, Oficial da Marinha Britânica que, para consubstanciar a sua tese, viajou pelas sete partidas do mundo, percorreu a maioria dos países existentes onde vasculhou centenas de museus e bibliotecas.
No entanto a maioria dos historiadores contemporâneos, especializados nestas matérias de viagens náuticas, não aceita as teorias de Gavin Menzies, o que não obsta à leitura do livro.
Até porque o mesmo dá-nos pistas interessantes e põe-nos a pensar. Em suma, tira-nos as palas dos olhos.



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Filme


Ao deambular por uma livraria deparei com o livro "O nome da rosa", de Umberto Eco, agora segundo uma versão mais actualizada, com uns acréscimos. Não me convenceu, ficando sempre com a sensação de que é "mais do mesmo".
Mas veio-me à memória o filme inspirado nesta obra, realizado por Jean-Jacques Annaud, em 1986. Se, por norma, diz-se que um filme não consegue, por si só, transmitir toda a mensagem do autor do livro (o que não é de admirar face à limitação de tempo que um realizador dispõe) a verdade é que este filme é, na minha opinião, soberbo.
Aliás, é o único filme interessante na filmografia de Sean Connery.
Esta trama "policial", desenrolada na Idade Média, tem um naipe de actores com interpretações sem mácula, um  cuidado no guarda-roupa, nos diálogos e na cadência do desenrolar das situações, à medida que as mortes vão ocorrendo que fazem dele um filme que, para quem não goste de ler livros maciços, é mais do que suficiente para perceber a mensagem do escritor.
Sem dúvida, um filme a ver... ou a rever.
  

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Nasceram sete crias de lince ibérico, no Centro de Reprodução do Lince Ibérico, em Silves. Atendendo a que o lince é uma espécie em risco de extinção, aqui está uma boa notícia. É pena que estas boas notícias sejam cada vez mais raras. Mas enfim...
O que é mesmo pena é que a nossa classe política não esteja em vias de extinção.
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Em Toulouse (França), após 32 horas de cerco, a polícia invadiu o apartamento de Mohamed Mehra, suspeito de múltiplos homicídios naquela região, acabando o mesmo morto no decurso dessa acção (22/03).
Pergunto eu: 32 horas? Mas a Polícia não tem mais nada para fazer do que andar nesta palhaçada? Para gáudio da imprensa que adora este tipo de notícias: dá pano para mangas. 
Nunca ninguém me explicou a razão do arrastamento da resolução destas situações. Isto não tem muito que saber: é chegar ao local, interpelar o suspeito, dar-lhe um prazo e, caso este não se renda, é entrar e resolver a situação rapidamente. Muito mais quando nem sequer há reféns.

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Um gato foi atropelado numa rua, em Lisboa. Nada de especial. Infelizmente situações destas acontecem. Mas o que vem para o caso é que há mais de uma semana que o gato continua esparramado na rua. Cada vez mais espalmado contra o alcatrão, sempre que um carro passa por cima. À vista de todos nós.
Dos serviços de higiene camarários nada. Os homens da recolha do lixo dizem que só recolhem o lixo dos contentores. Num alerta dado por mim num departamento camarário, que sim senhor, que iam tratar do assunto. Então não? Está-se mesmo a ver. O gato, ou melhor, o que resta, lá continua, cada vez mais fundido com o alcatrão.
Quando chegar o Natal e vierem, todos pressurosos, baterem-me à porta a desejarem-me Boas Festas, de mão estendida, vou colocar-lhes, em vez duma nota, uma foto do gato esparramado.



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Enoja-me a posição de Eduardo Catroga, antes e depois de ser "chairman" da EDP. Dar o dito por não dito e tentar vender-nos gato por lebre. Aliás, este "pintelho eléctrico"  é o reflexo de grande parte da classe política portuguesa: vendedores da banha da cobra. Não passam dum bando de aldrabões que, pela terceira vez após o "25/04", atiraram este País para, de mão estendida, hipotecar a sua soberania aos interesses estrangeiros. Eduardo Catroga faz-me lembrar aquela casta de políticos que, em nome do Estado negociaram determinado contrato ou concessão e, depois do mesmo assinado e com a tinta acabada de secar, passaram-se para o outro lado. Sãos os Ferreiras do Amaral, os Pinas de Moura deste País, entre outros. O sentido Pátrio desapareceu. Tudo em nome da voragem de altos vencimentos. Alguém lhes diga que, quando morrerem, não poderão levar a fortuna consigo.   


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A Presidente da Libéria, que foi galardoada com o Prémio Nobel da Paz, pela sua luta em prol dos direitos das mulheres, defendeu a criminalização do homossexualismo. Não sei porquê deu-me uma vontade de lhe oferecer o "De profundis" de Oscar Wilde. Mas não, devo ser eu que estou a delirar e li mal a notícia.


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Nalgumas escolas próximas de Dodoma, capital da Tanzânia, as crianças portadoras do virus HIV têm que usar, obrigatoriamente, um laço vermelho na lapela do uniforme. Não sei porquê lembrei-me de estrelas amarelas, nazis, etc. e tal. Mas não, devo ser eu que estou a delirar e li mal a notícia.


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Está a acontecer



Exposição subordinada ao tema  "Guerra colonial /Tarrafal / 50 anos depois". A nossa memória colectiva revisitada em textos, fotos e mapas afixados em paineis, numa exposição coordenada pelo jornalista, escritoe e historiador António Valdemar e concepção gráfica do cenógrafo e artista plástico Fernando Filipe. A decorrer até 30 de Abril próximo, na Sociedade Portuguesa de Autores (Rua Gonçalves Crespo - 62 - Lisboa).


Festival de Gastronomia Serrana, no concelho de Tavira. A comida confeccionada aos poucos e saboreada do mesmo modo. O conceito do "slow food". Até 15 de Abril próximo.


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Vai acontecer


Na Biblioteca Museu da República e Resistência (Lisboa) exibição do filme "Os miseráveis". No próximo dia 28 de Março, pelas 18H00. Entrada livre.



Na Biblioteca Municipal da Penha de França (Lisboa) leitura e discussão da obra "Memória de elefante", de António Lobo Antunes. No próximo dia 28 de Março, pelas 11H00. Entrada livre, mediante inscrição prévia.



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Defenda a sua língua materna. Recuse-se a escrever com as normas do actual Acordo Ortográfico.


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Todas as marcas ou produtos referidos no presente texto são incompatíveis com intuitos publicitários. As referências aos mesmos reflectem, apenas, a opinião do Autor e nada mais do que isso.


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