"O Mundo não é uma herança dos nossos pais, mas um empréstimo que pedimos aos nossos filhos" (Autor desconhecido)
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domingo, 18 de dezembro de 2011

Verney Lovett Cameron

Viajantes, aventureiros e exploradores

Verney Lovett Cameron - (Dorset (Inglaterra), 01/07/1844 - Leigthon Buzzard (Inglaterra), 24/03/1894) - Explorador. Tendo ingressado na Marinha de Guerra Britânica prestou serviço, em 1857, na campanha etíope e depois, durante alguns anos, na repressão ao esclavagismo na costa oriental africana. Em 1873, a Real Sociedade de Geografia de Londres encarrega-o de dirigir uma missão em busca de David Livingstone*, pelo que inicia a sua missão em Zanzibar, onde contrata Sidi Mubarak Bombay*. Passado pouco tempo, em Bagamoyo, no Tanganica (actual Tanzânia) toma conhecimento da morte deste missionário, ao cruzar-se com a caravana que transportava o seu féretro para Zanzibar. Apesar disso continua a sua marcha para Udjiji, na Rodésia do Norte (actual Zâmbia), local onde o missionário falecera, chegando aí em Fevereiro de 1874. Reúne toda a documentação, mapas elaborados por David Livingstone*, bem como o restante espólio que estava guardado na sua cabana e envia-os para Londres salvando, assim, todo um memorial informativo extremamente importante para o conhecimento europeu, quer da vida que foi deste homem quer das suas viagens e impressões sobre África. Aproveita aí a sua estadia para melhor topografar o lago Tanganica e descobre a saída Oeste do mesmo para o rio Lukuga. Prosseguindo a sua viagem atinge o rio Lualaba, do qual o Lukuga é um afluente e prossegue por aquele, na tentativa de resolver o mistério do curso do rio Congo, até que se vê forçado a deixar o mesmo, por se recusar a utilizar mão de obra escrava para prosseguir as suas investigações geográficas e deixando a glória da resolução do problema do curso do rio Congo em aberto, tendo sido Henry Morton Stanley* a resolvê-lo um pouco mais tarde. Rumando para Sudoeste atinge o rio Zambeze e prossegue a sua caminhada até à localidade portuguesa do Bié, em Angola. A 28 de Novembro de 1875 avista as águas do Oceano Atlântico, tornando-se no primeiro europeu a ligar o continente africano da costa oriental à costa ocidental, via terrestre. Sidi Mubarak Bombay*, que consigo iniciara esta portentosa viagem desde Zanzibar, também estava ali presente. Três anos mais tarde Verney Lovett Cameron visita o rio Eufrates, onde efectua estudos económicos sobre a viabilidade de actividades comerciais e, em 1882, acompanha Richard Francis Burton* em explorações pela Costa do Ouro, na parte ocidental africana. Publicou "Através de África", onde relata a sua famosa odisseia africana e, de parceria com Richard Francis Burton*, publica "Uma Costa do Ouro de ouro". Faleceu, por acidente, fruto duma queda de cavalo. 

Chuma, James - (Lago Niassa, 1850(?) - Zanzibar, 1882)- African-Bombay**. Pertencente ao povo jaua, era filho dum pescador de nome Chimilengo e de Chinjeriapi. Ainda jovem acaba capturado e vendido como escravo a um negreiro português, mas acaba libertado por um conterrâneo seu, de nome Weketoni e, juntos, integram-se na Missão Anglicana de Magomero, liderada pelo Reverendo Charles Frederik Mackenzie. Em 1864, James Chuma e Weketoni são levados para a Índia, ficando na escola de Shanapur, a cerca de 150 quilómetros de Bombaim, onde efectuam estudos básicos e aprendem a dominar inglês. Retornados a África cruzam-se com David Livingstone*, a quem se põem ao seu serviço, a partir de 10 de Dezembro de 1865. Numa deslocação deste missionário ao lago Niassa, em 1866, os dois african-bombays**  acompanham-no mas Weketoni, chegado ao lago, recusa-se a continuar com o explorador, juntamente com outros serviçais, por se reencontrarem agora no meio do seu povo. James Chuma será dos poucos que continuará ao serviço do missionário, na exploração do lago Moero e, depois, para o lago Banguelo, na Zâmbia. Em Abril de 1868, James Chuma e outros acompanhantes, entre os quais se encontrava Abdullah Susi, outro african-bombay**, recusam-se a acompanhar David Livingstone* na sua exploração centro-africana ao Reino do Cazembe, por temerem voltar a serem escravizados, prática habitual nas terras daquele Reino. Em Novembro desse mesmo ano, James Chuma e Abdullah Susi reingressam ao serviço do missionário e tornar-se-ão seus fiéis e incondicionais servidores até ao findar dos seus dias. Acompanha o missionário em todas as suas explorações, na busca das nascentes do rio Nilo  e assiste, em 1871, ao famoso encontro entre este e Henry Morton Stanley*, em Udjiji, onde se cruza também com Sidi Mubarak Bombay*. Quando David Livingstone morre, Chuma e Susi, entre outros, tratam da mumificação do cadáver, depois de lhe retirarem alguns órgãos que enterram sob uma árvore e, durante nove meses, transportam o corpo do explorador para Zanzibar, numa viagem de cerca de 1.500 quilómetros plena de riscos, onde defrontaram animais selvagens e combates com tribos hostis. O usual. No caminho cruzam-se com a expedição de Verney Lovett Cameron*, que ia em busca do missionário e que acaba por tomar conhecimento da notícia do passamento do explorador. Conseguindo levar a bom porto os seus intentos, atingem Zanzibar, onde entregam o féretro às autoridades britânicas e, posteriormente, desloca-se a Londres juntamente com Abdullah Susi, a expensas dum amigo de David Livingstone*, mas não a tempo de assistirem ao funeral do mesmo. Ambos são condecorados pela Real Sociedade de Geografia de Londres com a Medalha de Bronze. Retornando a Zanzibar, onde virá a falecer, alcoolizado e vitimado por uma tuberculose, James Chuma, tal como Abdullah Susi, tornou-se um nobre exemplo da verticalidade humana.

Susi, Abdullah - (Lago Niassa, ? - Zanzibar, 1891). African-Bombay**. Escravizado na sua adolescência, acaba libertado e remetido para a Índia, após o que regressa a Zanzibar. Integra-se nas expedições de David Livingstone*, de quem se tornará um leal servidor, com um percurso idêntico ao de James Chuma. Quando o explorador morre, acompanha o cadáver mumificado até Zanzibar, donde será remetido para a Grã-Bretanha, para as exéquias nacionais. Mais tarde acompanha James Chuma* a Londres, onde é condecorado com a  Medalha de Bronze da Real Sociedade de Geografia daquela capital. Retorna a África e coloca-se ao serviço de Henry Morton Stanley* e, em 1886, adopta o nome de David Susi, em homenagem ao seu mentor David Livingstone*.  
     
* - Já biografado anteriormente.
** - Termo já explicado anteriormente.

Leituras

Atendendo à comemoração do cinquentenário da queda do Estado Português da Índia, ocorrido a 18/12/1961 recomendo a leitura da revista Visão História nº 14, saída neste mês de Dezembro, dedicada a este tema e com o título "Há 50 anos a queda da Índia Portuguesa" . Aborda, duma forma muito correcta, tudo o que se passou na época, quer os seus antecedentes (com um pequeno resumo desde que lá  chegámos, na época dos  Descobrimentos), quer os factos da invasão em si e quer as consequências dos mesmos. Complementa-se com entrevistas a pessoas que viveram os acontecimentos no terreno e ainda apresenta um bom suporte fotográfico.

Aliás, deixo aqui o registo do agrado com que leio as edições trimestrais da Visão História, uma revista temática sobre factos históricos, que "acuso" de ter contribuído para a minha preguiça, pois os temas que ela  aborda são tão bem explicados e confiáveis, numa linguagem simples e acessível, documentando-se com gráficos, desenhos e fotografias que dou por mim, volta não volta, a não ir pesquisar outras fontes para cruzar a informação. Passe o exagero.

Ainda sobre este tema saiu, recentemente, a lume um romance histórico denominado "Goa 1961 - a impotência do Estado  Novo na queda da Índia Portuguesa", de Paulo Aido (Zebra Publicações, Lisboa, 2011, 292 págs.). Para quem se quiser documentar sobre este tema, ao de leve e numa leitura suave, sem a carga pesada dum livro de História puro e duro, tem aqui uma oportunidade. Sem desprezo por outras publicações.

Exposição

"Vik" é uma exposição que visitei, com agrado, no Museu Colecção Berardo, no Centro Cultural de Belém. É uma retrospectiva da obra do artista brasileiro Vik Muniz, temporizada desde o princípio da década de 90 até ao presente. E é gratuita.

Gostei

De ler que, no Cazaquistão, a caça com águias-reais atrai turismo e que, das verbas daí resultantes, fundou-se um centro de conservação de falcões. Espero que tal corresponda à verdade. (Sábado nº 398).

Recomendo

Uma visita às grutas de Mira d´Aire, consideradas  as maiores de Portugal. Localizadas a cerca de 15 quilómetros de Fátima, percorrer os seus subterrâneos não é uma descida aos infernos, mas antes um festim geológico onde se combinam, na perfeição, a pedra e a água, tudo envolto numa sinfonia de luzes. Na região existem outras grutas também visitáveis, mas não tão extensas e profundas quanto esta.

Imbecilidades

"O gato duma viúva italiana herdou 10 milhões de euros." (Sábado nº 398). A notícia é apenas esta linha transcrita, pelo que nada mais sei. Mas espero bem que as autoridades competentes do País onde os factos ocorreram (admitindo a notícia como verdadeira) impeçam a concretização de tal testamento. Que o/a dono/a dum animal deixe testamentado uma certa verba para garantir um resto de vida com qualidade a qualquer animal que o acompanhou sempre, até estou de acordo. Agora, mais do que isso, é pura imbecilidade. Com tantas organizações humanitárias, ambientais, culturais ou científicas (entre outras) a carecerem de dinheiro para os seus fins filantrópicos, este gesto não é de quem gosta de animais. É de quem se quiz servir dum animal para se vingar de alguém (ou de alguéns) ou então não estava na plena posse das suas faculdades. E, sobre actos de vingança ou de maluquices, o Estado tem que intervir.  

Uma pergunta

"As declarações (de Sócrates) explicam porque é que a bomba lhe rebentou nas mãos e ele nos conduziu para a tragédia." Freitas do Amaral, antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros ao Jornal de Negócios. (Sábado nº 398). Pergunto: estou com a memória confusa ou este senhor não fez parte do governo socratiano que nos conduziu a esta "tragédia"? Ele entrou em ruptura com José Sócrates e demitiu-se do Governo para não pactuar com esta "tragédia" ou largou o tacho, (desculpem-me, lá me veio um ataque de crise bloquista) ou saiu do Governo apenas por motivos de saúde? Alguém lhe explique que se a palavra é de prata o silêncio é de ouro. 

Memória da semana

15/12/1832 - Nascimento, em Paris, de Gustave Eiffel, engenheiro francês que paternizou a Torre Eiffel, bem como a estrutura da Estátua da Liberdade. Em Portugal a inspiração da sua traça ficou marcada na ponte D.Maria Pia, no Porto e no elevador da Glória, em Lisboa.
15/12/1899 - No decurso da Segunda Guerra Anglo-Boer, os britânicos são derrotados na batalha de Colenso (actual África do Sul). Travada junto ao rio Tugela, fechou o trágico ciclo da  "Black  Week" ("Semana Negra") por ter sido a terceira derrota britânica consecutiva, cujas tropas eram comandadas pelo General Henry Buller, custando-lhes o trágico balanço de cerca de 150 mortos, 750 feridos e 220 prisioneiros tendo, às mãos dos britânicos, falecido cerca de 50 bóeres.


16/12/1770 - Nascimento, na Renânia do Norte, do compositor musical Ludwig van Beethoven. Dentro do seu numeroso espólio musical destaca-se a 9ª Sinfonia - Ode à alegria - presentemente escolhida para hino da União Europeia.
16/12/1836 - Trava-se o combate de Blood River, no Natal (actual África do Sul), nas margens do rio Nacome e que opôs as forças zulus do Rei Dingane às forças bóeres lideradas por Andries Pretorius. A batalha culminou com uma estrondosa derrota zulu, apesar da sua superioridade numérica (calcula-se em 10.000 guerreiros) mas cujas lanças foram impotentes para o poder de fogo das espingardas bóeres (calculados em cerca de 500 homens). O nome "Blood River" ("Rio de Sangue") ficou a dever-se ao facto das águas do rio Nacome terem ficado tingidas de vermelho do sangue dos guerreiros zulus, que se calcula terem sofrido cerca de 3.000 mortos. A consequência directa desta batalha foi a confiança político-religiosa que se gerou no seio da comunidade bóer para virem a criar a efémera República da Natália (República do Natal), que viria a ser anexada pelos britânicos em 1843. Outra consequência foi que, posteriormente, esta vitória viria a servir de fonte de inspiração para os bóeres convencerem-se que eram um povo eleito de Deus e destinado a colonizarem África pois, segundo eles, esta vitória fora uma providência divina que, assim, determinava a superioridade racial branca, base teórica em que assentava a filosofia do "apartheid".
16/12/1915 - Albert Einstein publica a Teoria Geral da Relatividade.

17/12/1903 - O norte-americano Orville Wright efectua, pela primeira vez na História, o voo com um avião mais pesado que o ar, baptizado de "Flyer", durante 12 segundos, tendo percorrido 36 metros.
17/12/1929 - Morre, em Lisboa, o Marechal Gomes da Costa (Manuel de Oliveira Gomes da Costa). Oficial de Cavalaria percorreu, até 1915, diversos territórios ultramarinos portugueses e, nomeado Comandante do CEP - Corpo Expedicionário Português, parte para França a combater na I Guerra Mundial, acabando derrotado na Flandres. Em 1926 lidera o golpe militar que, saindo de Braga a 28 de Maio, vem até Lisboa, golpe esse que instala a Ditadura Nacional, liquidando a 1ª República. Entra em litígio com outros revoltosos, afastando Mendes Cabeçadas da Presidência do Governo, que assume para si, bem como a Chefia do Estado, mas de forma não explícita, durante cerca de três semanas. Óscar Carmona e Sinel de Cordes, outros líderes da revolta, demitem-no, acabando preso e deportado para os Açores. Regressa no ano seguinte, promovido a Marechal, como compensação e para não servir de mártir a oposicionistas, mas já sem força política e militar nenhuma.

18/12/1961 - Tropas indianas invadem o Estado Português da Índia e anexam-no para a República da Índia. O Estado Português da Índia, composto pelos territórios de Goa, Damão, Diu e pelos enclaves de Dadrá e Nagar-Avelim eram, para o regime ditatorial do Estado Novo, um símbolo da grandeza do que Portugal fora 500 anos antes e a memória do seu Primeiro Império (o Segundo Império fora o Brasil e o Terceiro Império eram os territórios africanos, bem como Macau e Timor). Após a independência da Índia (1947) e desfeito o sonho de Mahatma Gandhi de todo o subcontinente indiano ser um só País, fractura essa ocorrida com a independência simultânea do Paquistão ficavam, fora da alçada do Governo Indiano, os territórios portugueses do Estado da Índia. Depois de goradas diversas tentativas de se dialogar com as autoridades portuguesas, o Governo indiano, liderado por Jawarhal Nheru, ordenou a invasão militar do Estado Português da Índia, acto que foi consumado em 48 horas. A queda deste território representou, para o Governo português liderado por Oliveira Salazar, um marco histórico profundamente negativo, já que o mesmo consolidava a premonição do findar da presença portuguesa fora do território europeu, iniciada em Fevereiro/ Março deste mesmo ano, com o eclodir da guerra em Angola e continuado no mês de Agosto seguinte, com o abandono do forte de São João Baptista de Ajudá, por imposição do governo do Daomé (actual Benim). Há quem defenda que, à semelhança do que se passou com Timor, faltou referendar o futuro do Estado Português da Índia.

 Foi dito

"Acrobata é o homem que parte as costelas para encher o estômago." Ambrose Bierce (1842-?) jornalista, escritor, humorista norte-americano. Desconhece-se a data do seu falecimento, pois o mesmo foi dado como desaparecido na guerra civil mexicana, após 1913. (Fonte: Citações para humoristas/José Manuel Veiga/Editorial Lio).

"Dai o que não é vosso, prometei o que não tendes e perdoai a quem não vos errou." Conselho dado ao Mestre de Aviz, futuro D.João I. (Fonte: Histórias rocambolescas... / João Ferreira /Esfera dos Livros)

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

David Livingstone

Aventureiros, viajantes e exploradores:
David Livingstone - (Blantyre (Escócia), 19/03/1813 - Chitambo (Rodésia do Norte - actual Zâmbia), 01/05/1873) - Missionário, médico e explorador africanista. Tendo feito os seus estudos em Glasgow, em Setembro de 1838 é aceite na Sociedade Missionária de Londres (London Missionary Society) e, dois anos depois, a 20 de Novembro, é ordenado missionário na Albion Saint Chapel, nesta mesma cidade. A 08 de Dezembro de 1840 embarca no navio "George" com destino a África. Após a sua chegada à cidade do Cabo ruma para Norte e, em 1842, instala-se numa missão religiosa em Matosa, a cerca de trezentos quilómetros de Kuruman, nas margens do rio Limpopo, junto do povo bechuana. Numa caçada quase que perde a vida quando um leão o ataca e lhe fractura um braço. Casa-se em 1845, com Mary Moffat, filha de Robert Moffat e que o tratara do ferimento causado pelo leão e, em 1840,  acompanha dois caçadores ingleses (William Oswell e Mungo Murray) à região do Kalaári onde, segundo relatos de nativos, existia um grande lago. A viagem foi um pesadelo, onde quase morreram de sede, para além de terem enfrentado toda a espécie de adversidades, tais como ataques de cobras, leões e elefantes. A 01 de Agosto desse mesmo ano atinge o lago Ngami, na Bechuanalândia (actual Botswana), sendo os primeiros europeus a terem atingido tal zona, pelo que acabou condecorado pela Real Sociedade de Geografia de Londres, por tal facto exploratório. Em 1851 instala-se na região dos macololos, explora a região do rio Zambeze e, pela primeira vez ouve, dos nativos, relatos da existência dumas quedas de água nesse mesmo rio, a que chamavam de "Mosewatunya". No ano seguinte regressa à cidade do Cabo, onde embarca a mulher e os quatro filhos que já tinha na altura, para Inglaterra. Entre 11 de Novembro de 1853 e 31 de Maio de 1854 David Livingstone explora e liga o interior africano até à costa oriental africana. Em 1854 é condecorado pela Sociedade de Geografia da França e a Universidade de Glasgow atribui-lhe o grau de Doutor. Inicia o seu projecto de ligar, a pé, o continente africano de costa a costa, o que vem a conseguir ligando Luanda a Quelimane e descobrindo as famosas cataratas "Mosewatunya", que rebaptiza com o nome de "Victoria Falls", em homenagem à sua Rainha Victoria, jornada esta iniciada e concluída entre 03 de Novembro de 1855 e 20 de Maio de 1856. Esta proeza leva a Real Sociedade de Geografia de Londres a condecorá-lo com a Medalha de Ouro(Patron´s Gold Medal), tornando-se no primeiro europeu a conseguir tal descoberta. Em 1856 retorna a Inglaterra, coberto de glória, reunindo-se à sua família e, em finais do ano seguinte, publica o seu livro "Missionary travels and researches in South Africa". Volta a África em 1858, agora como explorador encarregado de cartografar as vastas regiões do rio Zambeze e tentar rasgar caminhos que permitissem abrir rotas comerciais. Efectuou novas viagens, de carácter exploratório e religioso ao longo dos rios Zambeze e Chire, tendo atingido e explorado o lago Niassa (1861). No ano seguinte morre a sua mulher e, em 1864, torna a Inglaterra, onde repousa durante dois anos. Regressa a Zanzibar, financiado pela Real Sociedade de Geografia de Londres, a fim de iniciar novas explorações nas zonas dos Grandes Lagos Africanos e para tentar descobrir as misteriosas nascentes do rio Nilo, naquilo que era considerado o maior desafio do século para qualquer explorador africano. Em Abril de 1867 atinge o lago Tanganica e, no ano seguinte, a 18 de Julho, descobre o lago Bangwelo. A 14 de Março de 1869 estabelece-se em Udjiji, juntao ao lago Tanganica, na Rodésia do Norte (actual Zâmbia). Efectua novas missões exploratórias até que é dado como desaparecido no interior africano, durantes largos meses, originando a criação duma expedição financiada pelo jornal norte-americano "The New York Herald", chefiada por Henry Morton Stanley, expedição esta que vem a localizar David Livingstone em Udjiji, em 28 de Outubro de 1871. Ficou célebre esse encontro entre os dois exploradores, cujo relato correu mundo, com a  célebre pergunta: "Dr. Livingstone, I presume?".  Durante largos meses os dois exploradores percorrem as zonas adjacentes ao lago Tanganyka, até que Henry Morton Stanley regressa, deixando David Livingstone para trás, pois este não queria regressar à Europa, enquanto não encontrasse as nascentes do rio Nilo, a sua grande obsessão. Envelhecido e doente, tomado por febres, David Livingstone continua a sua busca obsessiva, sem êxito, até que a morte o colhe em Chitambo. Tornou-se, juntamente com Cecil Rhodes, num acérrimo adversário dos portugueses, se bem que por motivos diferentes e a quem os apodava de "negreiros divulgadores de sífilis" . Criticava abertamente a escravatura, que classificava como uma praga da humanidade, tendo lutado abertamente contra o tráfico negreiro o que também lhe granjeou inúmeros inimigos. Os seus restos mortais, foram mumificados e trazidos de Chitambo para Zanzibar, pelos seus fiéis criados James Chuma e Abdullah Susi, dois african-bombays*, numa viagem fúnebre que durou nove meses. Cruzaram-se em Bagamoyo, no Tanganica (actual Tânzania), com a expedição do explorador Vernon Cameron, que fora enviada a ter com David Livingstone e acabaram surpreendidos com a notícia do seu passamento. Este brilhante explorador e missionário que, a par com James Booth, foi um dos primeiros europeus a defender intransigentemente os direitos humanos das gentes africanas e que baseava que o desenvolvimento dos mesmos assentava no princípio dos "Três C - Crsitianismo, Comércio e  Civilização", repousa na Abadia de Westeminster, em Londres, para onde foi trazido com honras de funeral de Estado, no ano seguinte à data da sua morte.

*African-Bombays - Palavra inglesa que se reportava a todos os nativos africanos que, trabalhando como escravos na zona do Oceano Índico, eram resgatados pela Marinha Britânica, nas perseguições que desencadeavam contra os esclavagistas, quer nos barcos negreiros, quer em plantações ilhéus ou na placa continental. Após o resgate, esses escravos eram levados para Bombaim, na Índia Britânica, onde eram integrados em áreas agrícolas e, posteriormente, já libertos da sua anteriuor condição, por ali ficavam ou retornavam a África. O mais famoso "african-bombay" foi Sidi Mubarak Bombay.

Livro:
"David Livingstone - Viagens de exploração no Zambeze e na África Central" , de Júlio da Gama (Livraria Universal de Magalhães & Moniz - Editores; Porto; 1880; 181 págs.). Trata-se do relato das viagens que o explorador David Livingstone efectuou na África Austral e bacia do Zambeze, entre 1840 e 1864 e na África Central (do Niassa ao Alto Congo), entre 1866 e 1873.

Disco:
Morreu o cineasta Ken Russel. Dele fica-me a memória de ter dirigido o videoclip "Nikita", magistralmente cantado por Elton Jonh. Um videoclip muito inteligente, que não precisou de ser legendado para, em qualquer parte do mundo visse quem o visse e falasse a língua que falasse, se percebesse o sentido da letra da canção romântica.

Exposição:
"25 anos de aquisições e doações" é uma exposição que exibe centenas de peças adquiridas ou doadas, com especial relevo para os artigos que foram pertença da nossa Casa Real, tais como jóias, pinturas, cerâmicas, ourivesaria, tecidos, móveis e aguarelas, entre outros. No Palácio Nacional da Ajuda (Lisboa), entre os dias 06 de Dezembro próximo e 06 de Abril de 2012.

Lamento:
Um homem esqueceu-se duma mala contendo 1,4 milhões de euros num restaurante (Sábado,pág. 33). Lamento não ter sido eu a encontrá-la.

Recomendo:
Uma ida à Feira de Velharias de Algés, que se realiza todos os quartos domingos do mês, durante o dia todo. Idêntica à Feira da Ladra lisboeta, mas com a vantagem de ser em terreno plano, num jardim, com bastante arvoredo que projecta frescura, bancos para descanso e bar com esplanada no centro da feira, para se tomar algo.

Imbecilidades:
A Comissão de Promoção da Virtude e Prevenção do Vício, na Arábia Saudita, pretende a promulgação duma lei que obrigue as mulheres a andarem com os olhos cobertos se estes forem considerados muito bonitos e, por isso mesmo, sensuais (Sábado, pág. 30). Estou de acordo. E até digo mais: estou a pensar escrever-lhes a sugerir que as mesmas sejam proibidas de sairem de casa se estiverem menstruadas, suadas ou banhadas. Não vá o cheiro das feromonas atazanar as pobres cornetas daqueles desgraçados beduínos púdicos. Francamente. Não há pachorra.

Uma pergunta:
Uma mulher foi "...violada com violência..." (Sábado, pág. 36). Como será uma violação pacífica?

Vai acontecer:
Em Oeiras, lançamento do livro póstumo "Memórias do Oriente - Índia, Timor e Moçambique", de Dias Antunes. No Palácio Verney, dia 06 de Dezembro próximo, pelas 15H00.

Uma oportunidade para ver um espectáculo da espectacular Áurea. No dia 25 de Dezembro próximo, pelas 22H30, no Casino de Lisboa. E, cereja no topo do bolo, não se paga bilhete. Melhor prenda de Natal é difícil.

Está a acontecer:
Em Skopje, capital da Macedónia, estão-se a plantar 5,7 milhões de pinheiros (Sábado, pág. 36). Para variar, o Natal serve de justificação a uma boa causa. Para variar do atentado ecológico que se teima em perpetuar, em nome da paz e harmonia universal, em ceifarem milhões de jovens árvores que serviriam para despoluirem as cabeças dos cabeçudos que as cortam.

Aconteceu:
Os "hackers" do auto-denominado grupo "LulzSec Portugal" atacaram o sistema informático ligado à PSP e divulgaram ,publicamente, dados pessoais de polícias. Também atacaram o sítio do Parlamento e do Hospital  da Cruz Vermelha, bem como já entraram noutros sítios do Estado e ameaçaram não se ficarem por aqui, indo assestar as baterias a bancos e empresas. Bom... e quando é que os gestores/administradores desses sítios se resolvem a abrir os cordões à bolsa e mandarem instalar sistemas de segurança eficazes para protegerem os bancos de dados? É que esses sistemas já existem. Não dando uma garantia a cem por cento dão-na, no entanto, numa percentagem muito elevada. É puro acto de negligência criaram bancos de dados confidenciais e não os protegerem como deve de ser. E não vale a pena virem para a imprensa vociferarem contra os "hackers". Eles existem e vão continuar activos e vivos.

Mas não é só neste jardim à beira-mar plantado que os "hackers" atacaram. O grupo "Teampoison" atacou, informaticamente, as Nações Unidas e divulgaram as palavras-chaves de mais de mil endereços electrónicos de funcionários daquela organização. Como protesto contra a inactividade da ONU em muitas situações trágicas de conflitos que assolaram várias partes do mundo.

E lá continua o folhetim "Isaltino Morais". Já cheira mal tanto atraso nas decisões judiciais. Agora o Tribunal da Relação indeferiu mais um requerimento do arguido e ainda existem pendentes mais dois recursos. Mas será que é difícil os Juízes trabalharem um pouco mais e tomarem decisões rápidas. Nem que seja para justificarem o vencimento. Decidam-se, porra.

Outro folhetim judicial que se arrasta é o de "Vale e Azevedo". Já nem me lembrava dele. Lá continua em Londres, a aguardar que os magestosos Juízes de Sua Magestade se decidam, favoravelmente ou não, sobre o terceiro mandado de captura europeu que a Justiça de cá emitiu. Porra, decidam-se.

E, na Noruega, consideraram o Anders Breivik chanfrado ou, como se deve dizer politicamente correcto, como sofrendo de "esquizofrenia paranóide", pelo que não pode ser condenado por ter morto 77 pessoas. Pois, então, como ele não joga com o baralho mental todo, é inimputável e vai ter direito a tratmento psiquiátrico. Que pena não se ter cruzado com uma bala perdida. E não se pode condená-lo a ouvir, até ao fim da vida, ininterruptamente o "Paranoid" dos Black Sabath?

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (?), só no mês de Outubro passado a floresta amazónica foi desflorestada em 385,5 quilómetros quadrados. No mês anterior tinha sofrido uma razia de 253,8 quilómetros quadrados. Eu não sei se podemos culpar só os políticos brasileiros. Coitados... afinal, eles descendem de nós. Talvez, por isso, se possam considerar inimputáveis.

Na Argentina uma professora entregou aos alunos uma "pen" com material didático de biologia mas que, por lapso, tinha também gravado uma cena de sexo explícito em que ela participava activamente e que, por esquecimento, não a desgravou. Que sorte daqueles alunos. E não percebo porque é que os pais ficaram indignados. No meu tempo da primária (já lá  vão 50 anos) também tínhamos cenas de sexo. Era quando não sabíamos a tabuada ou não fazíamos os trabalhos de casa e a professora (ainda me lembro dela, a D. Maria Emília) mandava baixarmos os calções e, no estrado e de rabo desnudado virado para a turma, aplicava-nos umas reguadas no dito cujo com a "menina dos olhos", que era uma grossa régua de madeira. Democraticamente tocava a todos os  faltosos. Ainda vi uns bons pares de cus de infelizes colegas meus da desgraça. E choravam. Sim, porque isto de apanhar no cu, ao que dizem, faz doer.

Efemérides da semana:
29/11/1874 - Nascimento de Egas Moniz, neurocirurgião português, Prémio Nobel da Medicina.
30/11/1609 - O astrónomo italiano Galileu Galilei observa a face da Lua, pela primeira vez com um telescópio por si construído e faz um desenho desta sua observação.
30/11/1874 - Nascimento de Winston Churhill, político britânico, Prémio Nobel da Literatura.
30/11/1935 - Falecimento de Fernando Pessoa, poeta português.

Foi dito:
"Em nossa casa comíamos "à la carte". Aquele que tirava a Ás de Espadas, comia." Woody Allen, cineasta norte-americano.