"O Mundo não é uma herança dos nossos pais, mas um empréstimo que pedimos aos nossos filhos" (Autor desconhecido)

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Píteas




VIAJANTES, AVENTUREIROS E EXPLORADORES



Píteas - Navegador grego da Antiguidade, que terá vivido no século IV AC (ou III AC) e do qual quase nada se sabe, em concreto, sobre os seus elementos biográficos. Após a expedição do cartaginês Hanon à costa ocidental africana (já relatada na mensagem anterior) Cartago impôs um férreo bloqueio marítimo nas Colunas de Hércules(1), durante os dois séculos seguintes a esta espantosa odisseia.
 
 
No entanto, o seu envolvimento em lutas contra o Império Romano, que ficaram conhecidas como as Guerras Púnicas, desviaram a sua atenção, homens e barcos para outras zonas, acabando por desguarnecer a vigilância sobre o referido Estreito. Terá sido no século IV AC (2) que um mercador grego, de nome Píteas e residente na então poderosa colónia grega de Massalia (3) conseguiu ludibriar a vigilância cartaginesa e ultrapassou as Colunas de Hércules.
 
 
Fruto da sua posição geográfica no Mediterrâneo, Massalia era uma importante cidade charneira no comércio que mercadejava com povos do Ocidente e do Norte - as "terras do Sol poente". Para ela confluíam, entre outros, o cobre e a prata ibéricas, o ouro irlandês, o estanho bretão e o âmbar nórdico, trazidos por mercadores celtas que, descendo de desconhecidas terras nortenhas, vinham mercadejar a Massalia, falando vagamente duma grande ilha onde abundava o estanho que traziam e em cujas praias eram colhidas, atiradas pelo mar, o precioso âmbar.


A evolução económica de Massalia levou a um aumento da procura dos bens que os celtas traziam, mas que chegavam em poucas levas, trazidas pelas barcas fluviais que capilavam pelo interior europeu. Tornou-se convicção, no seio da burguesia local, que se fossem enviados barcos de maior envergadura por mar e ultrapassadas as Colunas de Hércules, os produtos afluiriam em maior quantidade.


A oportunidade da concretização de tal objectivo exploratório começou a tomar forma quando o bloqueio naval cartaginês diminuiu nas Colunas de Hércules, fruto das guerras púnicas que Cartago travou contra Roma, e da qual saiu derrotada.


Massalia, aliada indefectível de Roma, aproveita a oportunidade e, em 240 AC, arma um navio entregando o comando do mesmo a Píteas, com a finalidade deste explorar o Atlântico e se apurar dos locais onde adquirir maiores quantidades de âmbar e estanho, este essencial para o fabrico do bronze, produto que era um dos principais esteios económicas da Massalia de então, bem como o de buscar novos portos para onde se pudessem canalizar as exportações massalianas.


Píteas, almirantando um navio de cerca de cem toneladas e com uma tripulação duns vinte e cinco homens, deixa Massalia em finais da Primavera de 240 AC (data provável) e ruma para Ocidente, cuidando sempre de navegar à vista. Avistando os Pirinéus aporta a Emporion (4) e, daqui, segue até ao rochedo de Gibraltar. Passa de noite pelas famosas Colunas de Hércules, fintando a debilitada marinha cartaginesa até que, no alvor matinal, se encontra a navegar no Oceano Atlântico. Repousa em Cádis (5) e, volvida uma semana, dobra o cabo de S. Vicente (actual Portugal) no noroeste ibérico.





Estátua de Píteas, em Marselha



Contorna a placa ibérica apercebendo-se, pelas várias leituras que efectuava da latitude, que se trata duma península e navega calmamente pela costa gálica (actual França) até atingir a vila celta de Corbilo (6), cujo porto se localiza na foz do rio Loire, onde se reabastece e colhe informações sobre a rota marítima que lhe permitisse atingir as minas de estanho da Cornualha.



Fruto da orografia costeira franco-bretã, Pítias flecte para Oeste e dobra o promontório do Cabo Kabaion (7) e avista a desértica ilha de Uxibanne (8), no extremo Oeste francês. Abandonando a segurança da navegação com avistamento costeiro permanente, interna-se pelo mar adentro e acabam por avistar a ilha Britânia (9). Voltando a navegar à vista, Píteas e os seus homens voltam a descobrir vestígios da presença humana até que aporta numa aldeia e, em contacto com as populações locais, apercebe-se que falam celta, língua por si e pela sua tripulação mais que conhecida. 


Tinham aportado a Kantion (10), onde são informados que as minas de estanho se encontram mais a sudoeste. Voltando a embarcar atinge a Cornualha onde repousa, sendo bem recebido pelos bretões. Visita centenas de minas de estanho, confirmando a informação colhida em Kantion. fazendo-se de novo ao mar ruma para Norte, navega ao longo da costa da Irlanda, ilha que avista mas evita-a, eventualmente por lhe terem informado que a mesma era habitada por selvagens canibais.


Avista a Escócia e vê a vegetação costeira rarear à medida que avança para Norte. Das florestas sulistas passara para as árvores dispersas, destas para a urze, destas para as gramíneas e destas para as rochas desnudadas. Para além da rareação da vegetação também nota e sente a rarefação do clima. O frio agora era mais inclemente. Do calor sulista passava a gora para o frio nórdico. Mesmo assim continuou a rumar para Norte, vencendo sempre os medos, desde o mar chão sulista ao mar cavado nortenho. até que atinge as ilhas Orcales (11) e, depois, as Shetland (12), onde ancorou na mais setentrional delas, a ilha de Unst (13).


Píteas observa que o dia tem mais de dezasseis horas. Ultrapassara a latitude de 60º Norte o que, para a época era um facto notável. Junto dos pastores insulares, que os acolhe e lhes vende agasalhos e alimentos, colhe a informação da existência duma grande ilha mais a Norte, que apelidam de Thule, onde o Sol de põe e o mundo acaba.


Rumando a embarcação de novo para Norte, Píteas atinge, seis dias depois, um local que descreverá como "..onde não existe terra propriamente dita, nem mar nem céu, mas é uma espécie de amalgama das três, em que a terra e tudo o mais se encontram suspensos numa espécie de mistura gelatinosa de todos os elementos, sobre a qual era impossível andar ou navegar...".



Ainda hoje é polémica até onde terá chegado Píteas e a sua tripulação. Uns apontam o limite Norte da sua viagem as ilhas Faroé (14), outros a Islândia e que, ao tornar para Sul ainda teria tocado nas costas da actual Noruega.


A sua descrição acima referida rotulou-o, durante muitos séculos, como fantasista, mentiroso, inventor de lendas mas Fridtjot Nansen (15), explorador polar, desvendou o mistério afirmando que a descrição de Pítas era resultado de ter avistado massas de gelo flutuante cujo roçagar provocava uma neblina, ou seja a chamada "lama de gelo".


Os defensores que ele terá atingido a Islândia reportam-se à sua descrição de ter avistado "fogo que brilha sempre" e ao "imenso cume" da ilha, o que poderia indiciar a actividade vulcânica islandesa. Na sua torna-viagem ruma para o actual mar do Norte e explora ricas regiões ambaríferas na actual costa dinamarquesa. No  calmo regresso pátrio, culmina uma viagem que cobriu cerca de sete mil milhas marítimas, fez entrar Píteas no panteão planetário dos grandes exploradores da Antiguidade.



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(1) - Nome antigo do actual Estreito de Gibraltar.
(2) - Há, no entanto, quem calcule a realização desta viagem no século III AC.
(3) - Nome antigo da actual cidade de Marselha, em França. Massília era, na altura dos factos aqui relatados, aliada do Império Romano. Terá sido fundada em 600 AC, por comunidades gregas oriundas da Anatólia.
(4) - Fundada em 575 AC por colonização grega, oriundos da Anatólia. É a actual Ampurias, em Espanha.
(5) - Fundada pelos fenícios em 1100 AC foi ocupada por diversos povos mediterrânicos, ao longo da sua História: gregos, cartagineses e romanos, entre outros. Actual território espanhol.
(6) - Actual cidade portuária de Saint Nazaire, onde desagua o rio Loire, o rio francês de maior curso.
(7) - Pointe du Raz, em França.
(8) - Ilha de Ouessant, na França.
(9) - Grã-Bretanha.
(10) - Actual cidade de Kent, localizada no sudeste da Grã-Bretanha.
(11) - Arquipélago escocês, admitindo-se que tenham sido habitadas por humanos desde 3000 AC. Posteriormente povos noruegueses assenhorearam-se da mesma, entre os séculos VIII e IX. Em 1468 entraram no domínio escocês como prenda dum dote de casamento real entre a princesa dinamarquesa Margarida e o rei escocês Jacob III.
(12) - Arquipélago com o mesmo percurso humano e político do arquiélago da Orcales.
(13) - Tem importância actual por ser uma importante colónia de nidificação de aves.
(14) - Actual região autónoma dinamarquesa, o arquipélago começou a ser colonizado por irlandeses a partir de 600 DC. É composto por 18 ilhas maiores e outras menores e a tradução do seu nome significa "ilha das ovelhas".
(15) - Explorador excepcional do Ártico, cientista, político e humanista de primeira grandeza, tendo sido galardoado com o Prémio Nobel da Paz em 1922. A sua espantosa vida será abordada numa futura mensagem.  



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 Mapa itinerário da viagem marítima de Píteas
 
 


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Píteas terá escrito o memorial "O Oceano" mas a sua narrativa aí contida foi considerada, quer na época quer nas subsequentes, muito fantasiosa pelo que o manto do descrédito sobre a sua  veracidade pairou durante dois milénios. O seu original terá sido destruído num dos incêndios que afectaram a famosa Biblioteca de Alexandria (1). No entanto, fruto da sensação que o seu escrito causou na época levou a que o mesmo tivesse sido lido e estudado por muitos geógrafos de então que efectuaram, nos seus trabalhos, transcrições ou citações do dita obra o que permitiu a historiadores e pesquisadores actuais terem reconstruído o texto interligando as partes em falta com deduções e conjecturas subjectivas.



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(1) - Biblioteca construída no Egipto, a mando de Ptolomeu I, um fiel seguidor de Alexandre Magno, no século III AC. Este edifício foi um dos mais importantes pólos difusores do conhecimento global do mundo desde sempre. O próprio nome da cidade de Alexandria é uma homenagem de Ptolomeu ao seu General, a quem o acompanhou desde a primeira hora, nas suas famosas conquistas para Oriente.
 
 
O incêndio mais popular e lamentavelmente famoso deste edifício teria sido ordenado pelo Governador Amr ibn-Asal, a mando do Califa Rashid al-Kathab, em 642 DC, sob a alegação que todos os livros aí contidos ou diziam o mesmo que o Alcorão e portanto eram desnecessários ou contradiziam o livro sagrado e, assim, era mais que razão para se ordenar a sua total destruição. No entanto historiadores modernos põem em causa este relato, sendo duvidosa a sua veracidade.
 
 
Outro incêndio historicamente definido e mais pacificamente aceite que o anterior terá ocorrido no ocaso da dinastia ptolomaica, aquando da invasão das legiões romanas sob comando de Júlio César (47 AC) que, por motivos de captura de opositores egípcios, ordenou o incêndio de todos os barcos ancorados no porto alexandrino. O incêndio atingiu tal intensidade e grandiosidade que atingiu colateralmente a Biblioteca, destruindo-a parcialmente.
 
 
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Leituras sobre a viagem de Píiteas:

Título: A extraordinária viagem de Píteas, o Grego -
Autor: Barry Cunliffe -
Editora: Editorial Inquérito      Págs.: 164 págs.  Ano: 2003     Género: História







Um livro que já tive mas que, por ter sido "emprestadado" por mim, acabei por ficar sem o mesmo. No entanto é, do que eu conheço, a única edição em português que aborda esta viagem e que nos leva a conhecer a nossa Europa avoenga.



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Em www.patriaetradizione.it, na internet, colhi o texto que se segue que integra o livro "Finnis Terrae" da autoria de Giovanni Maria Rossi, em italiano. Nunca li esta obra, limitando-me a transcrevê-la bilingue (com recurso a tradução automática do PC e sem interferir na mesma), podendo ser consultada, no original, no sítio atrás referido.


"IBERIA
  
 
Ho attraversato le colonne d'Ercole che per me sono due promontori rocciosi sferzati dai venti, Abila e Calpe (Gebel Musa in Marocco e Gibilterra) .
Eu cruzei os Pilares de Hércules, que para mim são dois promontórios dos ventos, Abila e Calpe (Jebel Musa em Marrocos e Gibraltar).

Ai suoi piedi si trova l'antica città di Calpe (Carteia) che alcuni ritengono sia stata fondata da Eracle.
A seus pés está a cidade velha de Calpe (Carteia), que alguns acreditam ter sido fundada por Heracles.
  
Girammo a destra ed entrammo nel mare esterno, nel golfo Taressio.
Nós virámos à direita e entrámos no mar fora da Taressio Golfo.
 
Sopra un promontorio a picco sull'Oceano si innalza l'acropoli che fu di Gerione triforme: a lui il forte Eracle rapì (decima fatica) gli armenti dall'isola Eritia dai vasti campi e nella ricorrenza della festa del dio, in ricordo della sua impresa, i tori destinati al sacrificio vengono prima lasciati liberi per le strade della città, con grande strepito, suoni e agitare di panni per eccitarli, e
Em um penhasco com vista para o mar sobe a acrópole de Geryon foi tripla: para ele o Heracles forte sequestrado (trabalho décimo) do gado da ilha Eritia por campos abertos e sobre a Festa de Deus, em memória de seu empresa, touros destinados para o sacrifício são primeiro desocupado as ruas da cidade, com um grande barulho, som e agitar panos para excitar e
  
i più valenti dei giovani cercano di arrestarne l'impeto afferrandoli per le corna.
as pessoas mais talentosas jovens que procuram travar o ímpeto agarrá-los pelos chifres.

Infine, fiaccati dalla lunga corsa, vengono trascinati al tempio e immolati, non senza che a volte abbiano calpestato o incornato a sangue i meno abili dei tauromachi.
Finalmente, enfraquecida pelo longo prazo, são arrastados para o templo e sacrificado, não sem algumas vezes pisaram ou ferido no sangue menos capazes do que tauromachi.
   
Queste terre che il vasto oceano circonda sono agitate da forti maree (così infatti si chiamano i suoi movimenti).
Essas terras que o vasto oceano rodeia são agitados por fortes marés (assim chamado na verdade seus movimentos).

Con l'alta marea le depressioni del terreno lungo la costa si riempiono di acqua e questo consente alle navi di risalire fino alle città dell'interno come su un fiume.
Na maré alta, as depressões no solo ao longo da costa são preenchidos com água e isso permite que navios de voltar para as cidades do interior, como em um rio.

In questi estuari però il riflusso è molto pericoloso e accade spesso che la velocità di ritirata delle acque lasci in secco le imbarcazioni.
Nestes estuários, no entanto, o refluxo é muito perigoso e muitas vezes acontece que a velocidade de recuo das águas deixe secar em barcos.

Quando le acque defluiscono gli abitanti del luogo si spargono festosi nelle ampie distese di sabbia ancora umida per raccogliere i crostacei e le conchiglie che il mare ha lasciato, come in dono.
Quando os moradores de fluxo de águas espalhar festivo nas grandes extensões de areia ainda molhado para coletar caranguejos e conchas que o mar deixou como um presente.
 
Finora non è sufficientemente chiaro se sia il mondo a provocare tutto questo con il suo respiro (se è un essere vivente come pensano i filosofi) o se da qualche parte lontano, come sostiene Platone, non vi siano delle caverne dove le acque del mare, a ritmo alterno, sprofondano e da dove sollevatesi, tornano a rifluire, o se non sia piuttosto la luna la causa di tanti sommovimenti.
Até agora ele não é suficientemente claro se o mundo para causar tudo isso com a respiração (se é um ser vivo como os filósofos pensam) ou em algum lugar distante, como diz Platão, existem cavernas onde as águas do mar, em alternância pia ritmo, e onde sollevatesi, volte a fluir de volta, ou se é melhor a Lua por causa de tantos transtornos.

Io ho potuto osservare durante questa navigazione esterna che il respiro dell'oceano segue un ciclo come quello degli astri, con un periodo diurno, uno mensile e uno annuale in rapporto con le fasi lunari.
Eu vi durante esta viagem fora do sopro do oceano segue um ciclo como o das estrelas, com um dia, um mês e um relatório anual com as fases da lua.

Per il periodo annuale, ai due equinozi corrispondono le maree più alte, in quello d'autunno più che in quello di primavera; nel solstizio d'inverno sono molto più deboli e ancor più in quello d'estate.
Para o período anual, os dois equinócios são as marés mais altas do outono do que na primavera, o solstício de inverno são muito mais fracos e ainda mais no verão.
   
I Turdetani, che vivono fra il fiume Betis e l'Anas (attuale Rio Guadiana) sono ritenuti i più colti tra le popolazioni iberiche: conoscono la scrittura e possiedono ancora, a testimonianza del loro passato, delle cronache storiche, dei poemi e delle leggi in versi che dicono vecchie di 6.000 anni. O Turdetani, que vivem entre o rio Betis e Anas (hoje Rio Guadiana) são considerados os mais sábios entre os povos ibéricos: alfabetizados e ainda para testemunhar o seu passado, as crônicas históricas, poemas e leis nos versos mais de 6.000 anos.
  
A cinque giorni di navigazione da Gadeira, vi è il promontorio sacro (Cabo San Vicente, Portogallo del sud) che è la punta più occidentale dell'Europa e di tutta la terra abitata. A vela de cinco dias a partir de Gadeira, não é o promontório sagrado (Cabo San Vicente, sul de Portugal), que é o ponto mais ocidental da Europa e de toda a terra habitada.
  
Il paese dei Lusitani è attraversato da molti corsi d'acqua che scorrono da oriente a occidente, paralleli al Tago, ricco di pesci e di crostacei. O país do lusitano é atravessada por vários rios que fluem de leste a oeste, paralela ao Tejo, ricas em peixe e marisco.

Sul Duro vivono alla spartana: si ungono d'olio due volte al giorno in locali speciali e praticano il bagno a vapore in stufe di pietra riscaldate dal fuoco, si bagnano nell'acqua fredda e fanno un solo pasto al giorno, molto frugale.
Vida dura na ungir espartano-se com óleo duas vezes por dia em lugares especiais e praticar um banho de vapor em estufas de pedra aquecidas pelo fogo, tomar banho em água fria e fazer apenas uma refeição por dia, muito frugal.
   
L'ultima popolazione è quella degli Artabri che abitano il vicino al promontorio Nerio (Cabo Finisterre, in Galizia) , il limite estremo delle coste settentrionali e occidentali d'Iberia.
A última população é o de pessoas que vivem Artabria junto ao promontório Nerio (Cabo Finisterra, Galiza), o limite extremo das costas norte e oeste da Península Ibérica.

La sopravvivenza è molto difficile e alcuni popoli di montagna hanno cominciato a darsi al brigantaggio.
A sobrevivência é muito difícil e alguns povos da montanha começaram a dar ao banditismo.

Bevono solo acqua e dormono sulla nuda terra, si fanno crescere i capelli come le donne e se li legano sulla fronte con una fascia solo per il combattimento.
Só beber água e dormir no chão nu, crescer o cabelo como as mulheres e vinculá-los na testa com uma banda só para o combate.

Per due terzi dell'anno vivono di ghiande di quercia, per il resto mangiano soprattutto carne di montone.
Durante dois terços do ano ao vivo em bolotas, o resto principalmente comido carne de carneiro.
   
Le altre popolazioni devono generalmente birra, raramente del vino durante i banchetti familiari.
Outras populações têm, geralmente, cerveja, vinho raramente durante a família banquetes.

Usano il burro al posto dell'olio.
Eles usam manteiga em vez de óleo.

Mangiano seduti.
Eles comem sentados.

Gli uomini sono tutti vestiti di nero, spesso coperti di un mantello.
Os homens estão todos vestidos de preto, muitas vezes cobertos com um manto.

Le donne di solito si vestono di vivaci stoffe ricamate.
As mulheres geralmente se vestem de tecidos bordados brilhantes.

In alcune zone dell'Iberia le donne portano delle colane di ferro con un becco ricurvo sopra la testa che si protende davanti alla fronte e su questo beccuccio abbassano un velo che ripara loro il volto come un ombrello: lo ritengono un ornamento.
Em algumas áreas da Iberia mulheres usam colane de ferro com um bico curvo sobre a cabeça, que se estende em frente da frente do bico e baixou um véu que protege seu rosto como um guarda-chuva: o considerarem um ornamento.

Sono le donne a fare i lavori agricoli,
São as mulheres que fazem o trabalho agrícola, e

anche dopo aver partorito accudiscono gli uomini, che se ne stanno sdraiati sul letto di fronte a loro.
e mesmo depois de dar à luz a cuidar dos homens, que se está deitado na cama na frente deles.
CELTICA
  
 
Nella Celtica ci sono molti fiumi, ampi che scorrendo dai laghi o dalle montagne attraversano le pianure per gettarsi nell'oceano.
No Celtic, existem muitos rios, lagos ou rolagem que grande através das montanhas para as planícies no oceano.
   
Le terre degli Aquilani si trovano fra i Pirenei e la Garonna e sono per lo più sabbiose e magre.
As terras de Aquilani está entre os Pirinéus eo Garonne e são principalmente de areia e fino.

Di fronte alla foce del Liger (Loira) il fiume che divide il paese dei Pictoni da quello dei Namneti e dove sorge il grande emporio di Corbilo, c'è un'isoletta abitata dalle donne dei Namneti invasate da Dioniso e votate a soddisfare il dio con riti misterici ed ogni sorta di cerimonie sacre.
Em frente à foz do Liger (Loire), o rio que divide o país da do Namneti Pictoni e onde está o grande empório Corbilo, tem uma ilha habitada por mulheres de Namneti vaso por Dionísio e votou para atender o deus com todos os tipos de ritos de mistério e cerimônias sagradas.

Nessun uomo osa mettere piede su quest'isola; sono le donne che attraversano il braccio di mare quando hanno voglia di congiungersi con i loro mariti e poi ritornano nell'isola.
Nenhum homem ousar pôr os pés na ilha, são as mulheres que cruzam o estreito quando eles querem se juntar aos seus maridos e depois de volta na ilha.

Usanza vuole che una volta all'anno scoperchino il tetto del tempio eo ricostruiscano lo stesso giorno, prima del tramonto, ognuna portando il suo fardello.
A tradição conta que uma vez por ano scoperchino o telhado do templo e quer reconstruir no mesmo dia, antes do pôr do sol, cada um carregando seu fardo.

Colei che per ventura lo fa cadere, viene fatta a pezzi dalle altre.
Ela, que por acaso ele não cair, é dilacerada dos outros.
  
 I Veneti che abitano queste estreme contrade marittime (popolazione celtica che abitava l'odierna regione del Morbihan in Bretagna e che oppose accanita resistenza a Cesare) .
Os venezianos que vivem nestes bairros marítimas extremas (povos celtas que viviam na região moderna de Morbihan, na Bretanha e oposição feroz resistência a César).
  
Tra i promontori di questa costa il più importante è Kabaion (Point du Raz, in Bretagna) , dove abitano gli Ostimmi.
Entre as cabeceiras desta costa é a mais importante Kabaion (Point du Raz na Bretanha), onde habitam os Ostimmi.
   
Nell'isola di Sena (Sein, al largo del Point du Raz) di fronte al territorio degli Ostimmi, vi è un famoso oracolo dei Celti.
A ilha de Sena (Sein, fora da costa de Point du Raz) na frente do território do Ostimmi, há um célebre oráculo dos Celtas.

Le sacerdotesse, sante votate alla verginità perpetua, sono in numero di nove: curano anche le più insanabili malattie, conoscono e predicono il futuro.
As sacerdotisas, santo devotado a virgindade perpétua, são nove em número: tratar até mesmo as doenças mais incuráveis, conhecer e prever o futuro.

Per le condizioni climatiche la terra non produce né vino né olio, di conseguenza i Celti, privi di questi prodotti, ricavano una bevanda dall'orzo, che chiamano zythos, e inoltre devono l'acqua con cui hanno lavato i loro alveari.
As condições climáticas da terra não produz vinho ou óleo, assim os celtas, sem esses produtos, uma bebida derivada da cevada, que eles chamam de Zythos, e também precisa da água com que eles lavaram suas colméias.

In cambio di un'anfora di vino danno uno schiavo.
Em troca de um jarro de vinho danos escravo.

I Celti sono alti di statura, muscolosi, bianchi di carnagione e con i capelli biondi, non solo per natura, ma anche perché si ingegnano di aumentare artificialmente quel colore distintivo che la natura ha dato loro, lavandosi continuamente i capelli in acqua di calce.
Os celtas são alto, musculoso, de pele branca e cabelos loiros, não só pela natureza, mas também porque ingegnano para aumentar artificialmente a cor distinta de que a natureza lhes deu, constantemente lavar o cabelo em água de cal.

I nobili si radono le guance, ma si fanno crescere i baffi fino a ricoprire la bocca.
Os nobres raspam suas bochechas, mas eles o bigode crescer para cobrir a boca.

Quando pranzano non siedono su sgabelli, ma in terra, servendosi di pelli di lupo o di cane per cuscino.
Quando o almoço não se sentar em bancos, mas no chão, usando peles de lobo ou travesseiro cão.

Ai loro banchetti invitano anche gli stranieri e fino alla fine del pasto non chiedono chi siano né cosa desiderino.
Seus banquetes convidar os estrangeiros até o final da refeição não perguntar quem são ou o que querem.

Anche durante il pranzo colgono ogni minimo pretesto per iniziare accanite discussioni che finiscono in una sfida a duello, senza alcuna preoccupazione per la vita.
Mesmo durante o almoço tomar cada menor pretexto para começar a feroz debate que terminou em um duelo, sem nenhuma preocupação com a vida.

Fra loro infatti prevale la concezione di Pitagora secondo cui l'anima dell'uomo è immortale e dopo un certo numero di anni inizia una nuova vita prendendo forma in un altro corpo.
Entre eles, na verdade, a concepção de Pitágoras que a alma do homem é imortal e, após um certo número de anos começa uma nova vida a tomar forma em outro corpo.

 Così durante le cerimonie funebri per i loro morti alcuni lanciano sulla pira delle lettere scritte ai parenti defunti, come se i morti le potessero leggere. Assim, durante as cerimônias fúnebres para os seus mortos sobre a pira lançar algumas das cartas escritas a parentes falecidos, como se os mortos podiam ler.

Vivono in grandi case circolari fatte di tavole e graticci, ricoperte da uno spesso tetto di paglia.
Eles vivem em grandes casas circulares feitas de tábuas e telas, coberto por um telhado de palha grossa.

E' inoltre loro costume quando sono schierati a battaglia avanzare davanti alla prima linea per sfidare a duello i più valenti degli avversari.
É também seu traje quando eles são implantados com antecedência antes da linha de primeira batalha para duelos os adversários mais talentosos.

Ai nemici caduti tagliano la testa che poi appendono al collo dei loro cavalli.
Inimigos caído para cortar a cabeça e depois pendurar no pescoço dos seus cavalos.

Le teste dei nemici più illustri le imbalsamano con olio di cedro.
Os chefes da embalsamar inimigos mais distinto com óleo de cedro.

Vestono con tuniche colorate e ricamate in varie tinte e calzoni che nella loro lingua chiamano “bracae”.
Vestido em túnicas coloridas e calças bordadas em várias cores e em sua própria língua chamada "bracae".
  
 
BRITANNIA
  
 
Dall'isola chiamata Ouxisame (Ouessant, Bretagna) avvolta da una fitta nebbia, ci dirigemmo verso settentrione.
Ilha chamada Ouxisame (Ouessant, Bretanha) envolta em uma névoa espessa, que para o norte.

Di fronte alla Celtica che guarda l'Oceano, infatti, ci sono molte isole e la più grande di queste si chiama Britannia.
Em frente ao Celtic olhando o mar, na verdade, há muitas ilhas ea maior delas é chamada Britannia.

La Britannia, di cui ho visitato tutti i recessi accessibili, ha forma di un triangolo.
Grã-Bretanha, de que visitei todos os recessos acessíveis, tem a forma de um triângulo.

Le coste più vicine al continente hanno un promontorio che chiamano Cantion (North Foreland, Kent).
As costas mais próximas do continente têm um promontório chamado Cantion (Norte Foreland, Kent).

La seconda punta, chiamata Belerion (Land's end, Cornovaglia) è a quattro giorni di navigazione dalla terraferma e l'ultimo capo, che chiamano Orca (Duncansby Head, Scozia, vicino alle isole Orcadi) si protende in mare aperto.
A segunda dica, chamado Belerion (extremidade da terra, Cornwall) é uma vela de quatro dias a partir do continente e do último chefe, que chamou Orca (Duncansby Head, Escócia, perto das Ilhas Orkney) estende offshore.

La maggior parte dell'isola consiste in una distesa di pianure e di foreste, con molte zone collinari e molti fiumi dal flusso alterno.
A maior parte da ilha é constituída por uma extensão de planícies e florestas, com muitas montanhas e rios muitos de o suplente.

Piove spesso e quando è chiaro la nebbia dura così a lungo che il sole si vede tre o quattro ore al giorno.
Chove com freqüência e quando é evidente a neblina dura tanto tempo que o sol pode ser visto três ou quatro horas por dia.

I Britanni sono più grandi e più proporzionati dei Celti, con i capelli meno biondi e si tingono il corpo.
Os britânicos são maiores e mais proporcional para os celtas, com menos cabelo loiro e tingir o corpo.

Le loro abitazioni sono modeste, fatte per la maggior parte di canne o tronchi d'albero.
Suas casas são modestas, em sua maior parte feito de junco ou troncos de árvores.

L'isola, nonostante il freddo, è densamente abitata ed è governata da molti re e nobili che per lo più vivono in pace tra loro.
A ilha, apesar do frio, é densamente povoada e é governado por muitos reis e nobres, que em sua maioria vivem em paz um com o outro.

Qui i mercanti comprano lo stagno e lo trasbordano nella Celtica
Aqui, os comerciantes compram o estanho e transbordados no Celtic

L'isola di Ierne (Irlanda) si stende parallela alla Britannia, meno allungata, ma poco larga.
A ilha de Ierne (Irlanda) estende-se paralelamente à Britannia, menos alongada, mas não muito grande.

Il clima non consente le semine, ma l'erba vi è così lussureggiante e gustosa che le pecore si ingozzano in breve tempo.
O clima não permite a semeadura, mas a erva é tão exuberante e saboroso do que o desfiladeiro de ovelhas se em um curto espaço de tempo.

I suoi abitanti sono più selvaggi dei Britanni.
Seus habitantes são mais selvagem do que os britânicos.

Sono antropofagi ed erbivori ei figli si fanno un punto d'onore di divorare i genitori dopo la loro morte.
Eles são canibais e herbívoros e as crianças vão torná-lo um ponto de honra para comer seus pais após a sua morte.

Gli uomini si accoppiano davanti a tutti con qualsiasi donna, comprese madri e sorelle.
Os homens vão acasalar com qualquer mulher na frente de todos, incluindo mães e irmãs.
  
 In seguito, costeggiando la Britannia, si trovano le isole Hebudes (Ebridi), in numero di cinque.
Então, ao longo da Britannia, ficam as ilhas Hebudes (Hébridas), em número de cinco.

Gli abitanti ignorano l'agricoltura e vivono soltanto di pesce e di latte.
Os habitantes ignoram a agricultura e só peixes vivos e leite.

C'è un solo re per tutte queste isole, perché sono separate l'una dall'altra solo da uno stretto canale.
Existe apenas um rei de todas estas ilhas, porque eles são separados um do outro apenas por um canal estreito.

Il re non possiede niente di proprio, tutto è comune, e viene mantenuto a spese pubbliche.
O rei não tem nada de seu, tudo é comum, e é mantida com recursos públicos.

Non ha una donna propria, ma a turno, secondo il proprio capriccio, può prendersi chi vuole.
Não foi uma mulher, mas por sua vez, de acordo com seu próprio capricho, pode levar quem quiser.
  
 A sette giorni e sette notte di navigazione dalle Hebudes, si trovano le Orcadi.
Sete dias e sete noites navegando de Hebudes, são as Orcadas.

Sono trenta, molto vicine fra loro, disabitate, non hanno vegetazione, soltanto un magro tappeto di erbe simili a giunchi; tutto il resto è ricoperto di sabbia e nude rocce.
Eu sou 30, muito perto um do outro, desabitada, não tem vegetação, apenas um tapete fina de grama-como juncos, tudo o resto está coberto de areia e rochas nuas.
  
 
L'ULTIMA THULE
A ULTIMA THULE
  
 
A sei giorni di navigazione dalla Britannia verso il nord si trova Thule ( Shetland, oppure Faer Oer, o Islanda), la più settentrionale delle isole britanniche, il limite estremo della terra.
Seis dias vela da Grã-Bretanha para o norte está Thule (Shetland ou Faroe, e Islândia), a mais setentrional das ilhas britânicas, o limite extremo da terra.

Durante il solstizio d'estate, quando il sole entra nel segno del Cancro, non vi sono notti, mentre nel solstizio d'inverno non c'è la luce diurna: e questo accade, dicono, per sei mesi consecutivi.
Durante o solstício de verão, quando o sol entra no signo de Câncer, há noites, enquanto o solstício de inverno, há luz do dia, e isso acontece, eles dizem que, durante seis meses consecutivos.
  
 I popoli vicini alla zona glaciale sono completamente sprovvisti di piante alimentari e gli animali domestici sono rari, si nutrono di miglio e di altri erbaggi, di frutti selvatici e di radici.
As pessoas próximas ao glacial são completamente desprovidos de alimentos e animais domésticos são raros, eles se alimentam de verduras painço e outros, frutos silvestres e raízes.

Battono il grano in vasti capannoni dopo aver raccolto le spighe, perché non hanno mai giornate limpide; la mancanza di sole e le piogge rendono impossibile l'uso di aie all'aperto.
Bata o grão em galpões depois de coletar os ouvidos, porque eles nunca dias claros, a falta de sol ea chuva torna impossível usar pátios ao ar livre.
  
 A un giorno di navigazione da Thule inizia il mare di ghiaccio che alcuni chiamano Cronio.
Na vela um dia de Thule começa gelo do mar que Cronio alguns chamam.

Qui non si trova più né terra propriamente detta, né mare, né aria, ma una materia composita di questi elementi diversi, che sembra una medusa.

Aqui não é mais a terra, nem adequado, nem o mar, nem ar, mas um material compósito destes elementos diferentes, que se parece com uma água-viva.

Presi da un improvviso timore di offendere gli dei, i marinai si rifiutarono di procedere oltre quello che consideravano il limite estremo del mondo. Tomado por um súbito medo de ofender os deuses, os marinheiros recusaram-se a ir mais longe que eles viam como o limite extremo do mundo.
  
 
LE TERRE DELL'AMBRA
TERRAS DO ÂMBAR
  
 
Il Codano (Danimarca) è un golfo immenso pieno di isole di tutte le dimensioni.
O Codano (Dinamarca) é um abismo enorme cheio de ilhas de todos os tamanhos.

Qui vivono i Cimbri ei Teutoni.
Aqui vivem o Cimbri e os Teutões.
  
Oltre, in un estuario (Golfo di Danzica) , abitano i Gotoni di stirpe germanica.
Além disso, em um estuário (Golfo de Gdansk), vivem Gotoni da raça germânica.

Qui i flutti del mare depositano l'ambra; essi raccolgono l'ambra allo stato grezzo nei fondali e sulla spiaggia per servirsene come combustibile oppure la vendono ai loro vicini.
Aqui as ondas do mar depositados âmbar, âmbar eles coletam estado bruto nas profundezas e na praia para usá-lo como combustível ou vendê-lo para os seus vizinhos.

Attraverso il continente l'ambra arriva così fino alle regioni a noi note.
Em todo o continente âmbar nos traz para as regiões conhecidas por nós.
  
 Il fiume Vistola divide queste regioni dalla Sarmazia
O rio Vístula separa estas regiões de Sarmatia (Europa centro orientale da Don a Danubio),

molto più estesa all'interno, fino all'Istro (Danubio) . (Europa Central e Oriental por Don do Danúbio),
dentro de muito maior, até all'Istro (Danúbio).

Le terre che si estendono di fronte ai Sarmati per il flusso e riflusso del mare talvolta sembrano isole, talvolta un continente.
As terras que se estendem em frente ao sármatas para o fluxo e refluxo das ilhas do mar às vezes aparecem, às vezes, um continente.
   
Ai confini dell'Asia si estende una regione dove l'inverno è perpetuo e il freddo intollerabile.
As fronteiras da Ásia encontra-se uma região onde o inverno é perpétua e intolerável frio.

Vi abitano popoli sciti, quasi tutti riuniti sotto il nome di Bergae.
Povos citas vivendo lá, quase todos unidos sob o nome de Bergae.

Sul litorale asiatico risiedono i primi Iperborei, al di là della regione dove si forma Borea e al di là dei monti Rifei (Urali).
Na costa asiática estão os hiperbóreos primeira, além da região onde se formam Boreas e além do Rifei montanhas (Urais).

Là il sole non sorge tutti i giorni come da noi, ma una volta apparso nell'equinozio di primavera non tramonta che nell'equinozio di autunno.
Lá, o sol não nasce todos os dias como nós, mas uma vez apareceu no equinócio da primavera do equinócio do outono que nunca vai se apagar.
   
Nessuno dei barbari ci sapeva indicare le bocche del Tanais (Don) . Nenhum de nós sabia bárbaros indicam as bocas do Tanais (Don)."




 

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HISTORIANDO MOÇAMBIQUE COLONIAL









Companhia dos Mujaos e Macuas Tendo sido proibido à Companhia de Mazane de Diu* comerciar no interior do território havia que disciplinar o negócio entre a ilha de Moçambique e os povos do litoral (macuas) e do interior continental (mujaos). Nasceu, assim, em Março de 1766, a Companhia dos Mujaos e Macuas, fundada por diversos habitantes da ilha de Moçambique, com a finalidade de estabelecerem comércio com os macuas e os mujaos. Autorizada a estabelecer cinco feitorias tinha, ainda, que manter na ilha uma loja e um armazém e a sua actividade comercial limitava-se ao território fronteiro à capital, tendo-se criado quatro feitorias no Mossuril e uma na Cabaceira**. As permutas entre a companhia e o interior eram, na sua essência, a troca de tecidos de algodão e missangas, vindos da Índia, por marfim, abada, escravos e bens alimentares, estes últimos tão necessários à ilha e sendo os três primeiros monopólio da companhia. A mesma teve curta duração já que, face aos inúmeros protestos dos comerciantes da Índia e apoiados pelo governo de Goa, o Rei de Portugal ordenou a extinção da mesma em 1769, invocando que os seus monopólios feriam a liberdade de comércio no território.


* - Já aberta ficha anteriormente.
** - Longo baixio, situado a Norte da ilha de Moçambique e que a liga ao continente, existindo na Grande e a Pequena.


Companhia Colonial - O mesmo que companhia majestática.


Companhia Majestática - Em finais do século XIX, o Estado Português alienou grande parte do território moçambicano ao capital privado, autorizando a criação de companhias majestática, a quem concedia não só a exploração económica de vastas  regiões, como também lhes autorizava a prática dos vários actos  de soberania como, por exemplo, o lançamento e cobrança de impostos, vassalagem de povos e  policiamento, entre outros. Foi a evolução do sistema feudal dos prazos para o sistema capitalista das grandes companhias. Com esta medida o governo português decapitava os prazos, cuja africanização dos prazeiros e as suas permanentes rebeliões, com a consequente estagnação económica juntamente com a desertificação humana causada pelas guerras e tráficos de escravos, só traziam dores da cabeça para os governantes e, ao mesmo tempo, realizava dinheiro, pois leiloavam-se extensas áreas a indivíduos ou grupos financeiros com capital garantido. Em 1892 o governo português leiloa, em hasta pública, todo o território do vale do Zambeze. Esta medida atraiu os capitalistas estrangeiros, já que os nacionais não tinham recursos financeiros, o que também serviu os interesses do governo português, pois foi uma maneira de saciar os apetites estrangeiros pelas terras de Moçambique, evitando possíveis conflitos armados. Nasceram, assim, três grandes companhias: a Companhia da Zambézia, a Companhia de Moçambique e a Companhia do Niassa. Apareceram, em segundo plano, outras companhias majestática secundárias, mais pequenas, tais como a de Inhambane, da Gorongosa, do Luabo, do Boror, a Sena Sugar Estates, Ltd., a Societé du Madal e Empresa Agrícola do Lugela, Lda., entre muitas outras, as quais centravam a sua actividade na exploração de prazos que arrendavam. Em 1929 o Estado Português iniciou o processo de cessação das actividades das companhias majestáticas e assumiu a soberania directa dos territórios, integrado numa nova visão política de nacionalismo vincado. No entanto, as companhias secundárias sobreviveram a esta nacionalização e transformaram-se em empresas de cariz capitalista, mantendo as suas actividades adaptadas às novas determinações políticas da administração portuguesa.

 

Companhia da Zambézia – Companhia majestática cuja área de jurisdição abrangia múltiplos prazos, tais como o de Andone e Anguase, perto de Quelimane, o de Timbué, na foz do Zambeze e o de Massingir, na margem esquerda do rio Chire, bem como também possuía larga jurisdição no Distrito de Tete. Dedicava-se, principalmente, ao cultivo e exploração de palmares, de sisal, algodão e tabaco e à criação de gado bovino de alimento e de trabalho. Explorava, ainda, um serviço fluvial de barcos a vapor e a gasolina, estabelecendo ligações entre o Chinde e Tete, com diversas escalas pelos portos fluviais do rio Zambeze. Com capital maioritariamente de particulares portugueses tinha, no Governo, o seu accionista principal, tendo sido constituída em 1891 com sede em Quelimane.


Companhia de Moçambique – Companhia majestática que administrava um quarto do território moçambicano, cerca de 13.500.000 hectares. A Companhia administrava uma área referida por Território de Manica e Sofala, completamente independente da administração directa do Estado Português. O Território tinha, por limites, o rio Zambeze, a Norte, e pelo paralelo 22 a Sul, a Rodésia, a Oeste e o oceano Índico, a Este, com cerca de 434 quilómetros de costa marítima. À Companhia de Moçambique foram concedidos privilégios por Carta Régia de 1891, por um período de cinquenta anos, renováveis mas, em 1929, o Estado Português assumiu a soberania plena do território, cessando a actividade da Companhia, cerca de uma década mais tarde e que tinha a sua sede principal em Lisboa e a Beira como capital do Território. Dedicava-se, principalmente, à exploração dos minérios (ouro, prata, estanho, cobre e algum carvão); da agricultura (sisal, algodão, milho, amendoim e arroz); pecuária; indústria do açúcar e exploração de madeiras. O Governo de Lisboa era representado, na Companhia de Moçambique, por um Comissário, cujas competências para fiscalizar a Companhia foram estabelecidas pelo Ministério das Colónias, no âmbito do Decreto nº 28.006 de 02 de Setembro, cujo teor rezava o seguinte: Nos termos do art.º 28 do Acto Colonial e usando da faculdade conferida pelo parágrafo 1 do art.º 10 com referência ao parágrafo 2, do mesmo artigo e ao art.º 91, parágrafo 49, da Carta Orgânica do Império Colonial Português, o governo decreta e eu promulgo o seguinte: Artigo 1º: - É autorizado o Ministro das Colónias a ordenar ao Comissário do Governo junto da Companhia de Moçambique a realização em África de inspecções e inquéritos à actividade exercida pela mesma Companhia nos territórios confinados à sua administração. Artigo 2º: - O Ministro das Colónias fixará o tempo da sua duração e bem assim das normas a que devem obedecer e os objectivos em vista. Artigo 3º: - Dentro dos territórios administrados pela Companhia de Moçambique terá o Comissário do Governo precedência sobre todas as entidades, com excepção do Chefe de Estado, Presidente do Conselho, Ministros, Sub-Secretários de Estado e Governador-Geral da Colónia de Moçambique. Artigo 4º: - A Companhia de Moçambique abonará ao Comissário do Governo durante todo o seu tempo de impedimento nos serviços que trata o artigo primeiro, os vencimentos que legalmente está percebendo, os quais serão pagos na metrópole a pessoa que o mesmo Comissário designar. Artigo 5º: - O Comissário do Governo, quando em serviço em África, terá um secretário, nomeado pelo Ministro das Colónias sob proposta daquele. Artigo 6º: - Tanto o Comissário do Governo como o seu secretário vencerão diariamente ajudas de custo, a fixar em portaria pelo Ministro das Colónias. Parágrafo Único: Pode o Ministro autorizar, por meio de despacho, que um e outro recebam antes do embarque a ajuda de custo correspondente a quarenta dias. A restante ajuda de custo será paga na Beira, semanalmente, observadas as formalidades estabelecidas na lei para o seu processamento. Artigo 7º: - Constituem encargo da Colónia de Moçambique as ajudas de custo a que se refere o artigo precedente e os transportes do Comissário do Governo e do seu secretário os quais poderão fazer-se pelas vias que o Ministro determinar. Parágrafo Único: Para efeitos do preceituado neste artigo é autorizado o Governo da Colónia de Moçambique a abrir desde já um crédito especial da importância de 250.000$00. Publique-se e cumpra-se como nele se contém.”

 
Companhia do Boror – Companhia majestática de pequena dimensão, situada na área de Quelimane e que era arrendatária de um conglomerado de prazos que abrangiam os do Boror, que se estendia desde o rio Namacurra até à parte mais ocidental do Distrito de Quelimane, aos do Licungo e Macuse, que ficavam nas margens dos rios com o mesmo nome ainda os prazos de Namedurro e Tirre. Dedicava-se, principalmente, à agricultura e era detentora do maior palmar do mundo, que ultrapassava um milhão de palmeiras, dedicando-se ainda ao cultivo da borracha, do sisal e da cana sacarina, com a consequente indústria do açúcar e álcool.

 
Companhia do Niassa – Companhia majestática fundada em 1891, que administrava os territórios nortenhos de Moçambique, e que abrangiam toda área de Cabo Delgado e Niassa referidos, genericamente, como Territórios de Cabo Delgado, em finais do século XIX e princípios do século XX. Os Territórios, eram limitados, a sul, pelo Distrito de Moçambique, no prolongamento do rio Lúrio, a norte pelo rio Rovuma, a oeste pelo Lago Niassa e a este pelo Oceano Índico, possuindo cerca de 170 milhas de costa marítima. Estabelecida desde 1894 na zona, a Companhia do Niassa detinha poderes absolutos nos Territórios, excepto nas áreas militares e judiciais. A sede do Governo dos Territórios de Cabo Delgado era em Porto Amélia, onde residia o Governador da Companhia, como máxima autoridade e mantinha em funcionamento vários serviços públicos tais como Secretaria-Geral, Fazenda, Correios e Telégrafos, Trabalho Indígena e Polícia e subdividia a região em catorze concelhos bem como publicava um Boletim Oficial. A entidade que se encontrava por detrás da Companhia do Niassa era a britânica Niassa Consolidated Company, a qual detinha 219.000 acções das 436.539 emitidas, no valor fiduciário de uma libra cada. As receitas da Companhia do Niassa provinham, principalmente, do imposto de palhota e das alfândegas, sendo certo que a sua intervenção ao longo dos anos, no território, foi parasitária e em nada beneficiou o desenvolvimento da mesma, quer agrícola, quer pecuária, quer piscatória ou mesmo industrial, que ficaram, praticamente, na estaca zero. Os interesses da Companhia não passavam pelo desenvolvimento mas sim, apenas, pelo arrecadar dinheiro pelas vias mais fáceis. Em 28 de Outubro de 1929 os referidos Territórios de Cabo Delgado deixaram de ser administrados pela Companhia e passaram para a soberania directa do Estado Português.


Empresa Agrícola do Lugela, Lda. – Companhia de capital português e arrendatária dos prazos Lomué, Lugela e Milange, no Distrito de Quelimane. Dedicava-se à agricultura e à exploração do sisal, tabaco e algodão e chá. 

 
Sena Sugar Estates, Ltd. – Companhia arrendatária do prazo Maganja, junto ao rio Chire. Dedicava-se principalmente à fabricação do açúcar, em Marromeu e Mopeia, onde possuía fábricas que produziam, cada uma, cerca de cinquenta mil toneladas anuais. A primeira exploração açucareira pertenceu, em 1893, à Companhia do Açúcar de Moçambique. Por volta de 1900, nasceu a Sociedade Açucareira da África Oriental Portuguesa, de capital francês, que começou a laborar em 1902, uma fábrica em Marromeu, fábrica esta que acabou por ser adquirida, em 1910, pela The Sena Sugar Factory, Ltd., uma empresa de capital britânico, criada em 1904. Todas estas fusões acabaram por se fundir, em 1920, na Sena Sugar Estates Limited, empresa que sobreviveu à extinção das companhias majestáticas. Para além da actividade açucareira, também explorava uma concessão algodoeira, em Mopeia, uma via-férrea ligando Marromeu a Caia e uma flotilha de embarcações no rio Zambeze.

 

Société du Madal – Companhia arrendatária dos prazos Cheringone, Inhanssugue, Madal, Mahindo e Tangalane, no Distrito de Quelimane. A sua actividade económica centrava-se na exploração de palmares e oficinas de reparações de embarcações e material agrícola. Com sede no Principado do Mónaco, tinha sucursais em Angoche, Ibo, ilha de Moçambique, Quelimane e Porto Amélia.



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LIVROS



Título: Fórmula para o caos
Sub-título: A CIA e o outro 11 de Setembro: a queda de Salvador Allende (1970-1973)
Autor: Luiz Alberto Moniz Bandeira
Editora: Tribuna                      Ano: 2009                   Págs.: 551       Género: História política







A propósito de se ter passado mais um aniversário do fatídico 11 de Setembro de 2001, que tanto abalou a sociedade norte-americana bem como de parte do resto do mundo, para que a memória não morra, importa lembrar o outro 11 de Setembro (1973), data onde ocorreu um golpe de estado no Chile, que pôs fim a um regime democrático, presidido por Salvador Allende e instaurou uma sangrenta ditadura militar liderada pelo General Augusto Pinochet.
 
 
Este golpe de estado militar chileno foi financiado, liderado e parcialmente executado pelos Estados Unidos da América,  através da toda-poderosa CIA. Aliás, o próprio título do livro - "Fórmula para o caos" - é inspirado na frase de Henry Heckenser, chefe da CIA na capital chilena na altura, para designar o conjunto de operações subterrâneas que aquele departamento ajudou a levar a cabo para desestabilizar o regime (atentados, assassinatos,sabotagens, etc.).


Tendo ganho as eleições em 1970, Salvador Allende governou o País com base na Unidade Popular e de tendência socialista, no que se tornou um crime de lesa-pátria para os interesses norte-americanos. Incrementou-se uma melhoria de qualidade de vida no seio das populações mais carenciadas, nacionalizaram-se empresas estrangeiras, intensificou-se a reforma agrária, entre outras medidas. Os alarmes dispararam e o Embaixador norte-americano no Chile, E. Korry, numa carta enviada a Eduardo Frei em Outubro de 1970, afirma: "..Deve saber que não permitiremos que chegue ao Chile uma porca, um parafuso... Enquanto Allende estiver no poder, faremos tudo ao nosso alcance para condenar o Chile e os chilenos às maiores privações e misérias...". A estação da CIA em Santiago do Chile, também em 14 de Outubro de 1970, determinava através do telegrama 762 para: "...informar os oficiais golpistas que o governo dos EUA lhes dará o seu apoio total no golpe...".

 
O golpe saiu vitorioso para as forças revoltosas, culminando com o suicídio presidencial, instalando-se uma ditadura com a consequente perseguição, prisão ou morte de milhares de oposicionistas (outros nem tanto, mas serviu para ajustes de contas particulares), tudo com a benção da Administração norte-americana que voltou a  ter, naquele País, uma liderança favorável aos seus interesses económicos.
 
 
Foi mais um dos muitos golpes de estado contra os interesses das populações que a política norte-americana nos habituou há décadas e décadas. Mas deste 11 de Setembro praticamente ninguém fala. Todos choram as vítimas norte-americanas, poucos ou quase ninguém acende uma vela pela vítimas chilenas. 

 
O livro acima referido é do melhor que já li sobre a história deste golpe. O Autor, Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira, é um conceituado catedrático brasileiro que não hipoteca o seu nome e o seu prestígio intelectual a interesses privados, preocupando-se apenas com o domínio da verdade. O seu livro não se limita só a relatar o golpe, mas aponta as causas para a génese do mesmo cujo objectivo foi sempre o de desestabilizar o governo democraticamente eleito mas contrário aos interesses capitalistas, forma simplificada de legitimar, ao olhos do Mundo, uma tomada de poder militar.
 
 
Baseando a sua pesquisa em abundante documentação consultada, principalmente, quer nos EUA quer no Brasil, após ter sido desclassificada, o livro em si, nucleando-se no golpe chileno dá-nos, também, uma panorâmica mais compreensiva sobre outros golpes regionais que aconteceram, quer na Bolívia, no Uruguai e no Peru.
 


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Título: Caça ao homem 
Sub-título: Os dez anos de caça a Bin Laden desde o 11 de Setembro até Abbottabad
Autor: Peter L. Bergen
Editora:  D.Quixote              Ano: 2012                    Págs.: 371          Género: História/Reportagem






Osama Bin Laden era o homem mais procurado em todo o mundo pelas forças especiais norte-americanas e a caça ao mesmo durou cerca de uma década, até que culminou com a sua morte, numa bem sucedida operação norte-americana em território paquistanês. Apontado como o financiador e mentor do tristemente famoso 11/09 em território norte-americano, nunca duvidei que a sua vida estava com prazo encurtado. Mesmo assim ainda levou uma década a escapar-se às investigações norte-americanas.
 
 
O 11/09 foi, em termos militares, uma operação bem  pensada e executada. Escusemo-nos de nos armarmos em virgens ofendidas; os alvos eram puramente estratégicos e simbólicos: as torres gémeas eram o símbolo do coração do capitalismo, o Pentágono o  símbolo do poderio militar e o braço armado do imperialismo americano e a Casa Branca o símbolo do poder político, enquanto cérebro. Falhou o objectivo político, mas foram alcançados os outros dois. Por momentos os EUA sentiram na pele o terror e o pânico que já tinham lançado noutras partes do planeta. Provaram o seu próprio remédio.
 
 
O 11/09 foi, em termos políticos, uma operação desastrosa. Pode ser fácil atacar de surpresa um inimigo. O difícil é o dia seguinte. E os EUA, compreensivelmente, não ficaram quietos. Como reflexo directo desta operação, um dos piores políticos norte-americanos de todo o século XX - George Bush filho - foi reeleito como Presidente, com uma esmagadora maioria, baseando a sua campanha, entre outras coisas, a instilação do medo da insegurança, na destruição da Al-Qaeda e na morte do seu líder. 


O 11/09 foi, em termos humanos, uma operação desastrosa. A mortandade que causou, quer os imediatos quer os que vieram a falecer posteriormente, não justificava os objectivos políticos-militares a que a operação se propunha. Mas para os radicais muçulmanos, talibãs com cérebro de noz, nada disso foi levado em conta. 


Ora é precisamente a história que medeia o 11/09 até à operação das forças especiais em Abbottabad que o Autor, Peter L. Bergen nos relata denotando profundo conhecimento do que se terá passado. Tendo conhecido pessoalmente Bin Laden, que entrevistou para a CNN em 1997, e  denotando  mover-se bem no seio das teias políticas de Washington e do Pentágono, deixa-nos um livro empolgante, que se lê da primeira à última página com o rigor de quem sabe do que escreve e como se escreve. 
 
 
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Título: O livro negro da condição das mulheres
Autor: Diversos (mais de 40), com organização de Christine Ockrente, Coordenação de Sandrine Treiner.
Editora: Temas e Debates      Ano: 2007      Págs. :734          Género: Sociologia
 
 







Para aqueles a quem os Direitos Humanos, no caso específico o das mulheres, são um combate em prol do qual o mesmo deve ser permanente, este é um livro a ser lido.
 
 
Os livros negros têm como objectivo denunciar as injustiças de determinadas situações, áreas políticas, sociais, etc. São o contraponto dos livros brancos. Encontramos no mercado alguns livros negros que denunciam os excessos, as arbitariedades, as prepotências deste ou daquele sistema político, desta ou daquela condição social, etc. 

 
No caso vertente o tema aborda e denuncia a condição subserviente e humilhante a que as mulheres são sujeitas em grande parte do Planeta, alertando-nos para o ainda longo caminho que o sexo feminino tem que trilhar.
 
 
 
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FILMES



Sobre os dois 11/09 (1973 e 2001) abordo dois filmes que dão uma visão parcial do que se passou nesses dois dias.

 
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Título: Chove em Santiago
Realização: Helvio Soto
Actores: Jean-Louis Trintignant; Annie Girardot; Bibi Anderson (entre outros)                 
Banda Sonora: Astor Piazzolla
Tempo:    110 minutos               Ano: 1976              Género: Drama / Documento histórico







"Chove em Santiago" era a frase código dos militares chilenos revoltosos que desencadearam a tomada do poder. O filme aborda o golpe de estado, mas não com o rigor histórico do que realmente se passou. A título exemplificativo temos a morte do Presidente Salvador Allende que, no filme, aparece de arma na mão a morrer em combate contra os militares quando, na realidade, o mesmo suicidou-se.  Mas, no global, é um bom filme a ver-se.


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Título: Voo 93
Realização: Paul Greengrass
Actores: Christian Clemenson, Amanda Mackey (entre outros)
Tempo: 106 minutos              Ano: 2006                     Género: Drama / Documento histórico


 
No dia 11/09/2001 foram desviados quatro aviões. Dois atiraram-se para as torres gémeas, um terceiro despenhou-se sobre o Pentágono e o quarto avião (o voo 93) teria, como destino final, depois de sequestrado a Casa Branca.
 
Um filme que relata a coragem dos 40 passageiros e da tripulação do voo 93 quando se aperceberam do sequestro do avião. Reagindo contra os assaltantes pagaram todos com a vida quando a aeronave se despenhou, impedindo que a mesma atingisse o seu objectivo.
 
 
Mesmo aqueles que, cinicamente, dizem que os passageiros estavam condenados de qualquer maneira, desvalorizando estupidamente o seu acto, não deixa de ser um acto heróico colectivo. Pelo menos as suas mortes evitaram que os sequestradores da Al-Qaeda tivessem atingido o seu objectivo.




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DOCUMENTÁRIO



Salvador Allende foi um homem que, na década de 60 e 70 do século passado, marcou indelevelmente a política chilena, no particular e a sul-americana, no geral. Podem-se contestar as suas opções políticas e as suas decisões enquanto governante. Mas o que ninguém pode negar é que era um homem de causas pelas quais travou os combates da sua vida. A sua morte voluntária fez-me lembrar a frase de Ciprião de Figueiredo e que se tornou, séculos depois, no lema da Região Autónoma dos Açores: "Antes morrer livres que em paz sujeitos". Relembrando esta personagem carismática, que marcou a esquerda sul-americana, reproduzo um documentário sobre a sua pessoa, enquanto homem e político.
 








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MÚSICA



Vitor Jara - (Nuble, 28/09/1932 - Santiago, 16/09/1093) - Poeta, professor, dramaturgo, músico e cantor. Filho de camponeses pobres, com um pai analfabeto e alcoólico mas tendo uma mãe lutadora que nunca baixou os braços, efectua os seus estudos secundários na capital chilena, em Santiago.
 
 
Depois duma curta passagem por um seminário católico ingressa na Universidade do Chile, onde integra o elenco de "Carmina Burana", que lhe faz reavivar o gosto pela música. Em 1957 trava conhecimento com Violeta Parra, a mais importante divulgadora do flolclore chileno, que o incentiva na busca das raízes musicais chilenas. Dirige e encena peças de teatro, que o levam a percorrer a América latina, inicialmente e depois vários países europeus, principalmente os da "Cortina de Ferro". (1)
 
 
 
 
 
 
 
 
No início da década de 60 começa a compor e a cantar, actividade que acumula com a do teatro e do ensino universitário. A sua opção política, filiado no Partido Comunista Chileno, torna-o num esteio de defesa das ideias de Salvador Allende, tal como Pablo Neruda (1904/1973), poeta conterrâneo e laureado com o Prémio Nobel da Literatura (1971) que integra a sua lista de amigos pessoais. Aliás, será Vitor Jara quem presidirá à comissão criada para homenagear este poeta, quando o Prémio Nobel lhe foi outorgado.
 
 
Com o aumento da instabilidade político-social que se instala no Chile no início da década de 70, fruto da minagem económica que a direita chilena apoiada por sectores militares desencadeia, Vitor Jara assume-se como indefectível apoiante de Salvador Allende, até ao fim.
 
 
Pagará caro essa opção política. Com o eclodir do golpe de estado de 11 de Setembro é dos primeiros a ser preso pelos militares revoltosos e levado para o estádio de futebol da capital, que se tornou tristemente célebre por se ter tornado numa enorme prisão para onde foram levados centenas de presos políticos nas semanas seguintes ao golpe.
 
 
 
 
 
 
Militares chilenos guardando presos
políticos, após o golpe de 11/09/1973
(foto retirada do blogue "avisoemdois.com.br")
 
 
 
Depois de torturado é assassinado a tiro e o seu corpo acaba lançado à rua, num bairro suburbano de Santiago.
 
 
Faz hoje (16/09/012), precisamente, trinta e nove anos.
 
 
Após o advento da democracia naquele País, numa homenagem à sua pessoa, o estádio de futebol chileno onde ele e muitas outras centenas de opositores ficaram presos, foi rebaptizado com o seu nome (2003).
 
 
 
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(1) - "Cortina de ferro" foi uma expressão utilizada por Winston Churchil, para definir a fronteira política que, na Europa do pós-guerra (IIGG), separava os países sob domínio do regime ditatorial comunista de Moscovo da restante Europa.


 
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"Plegaria  a un labrador" é uma música da autoria de Vitor Jara que se reproduz de seguida.







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POESIA


Pablo Neruda - (Parral, 12/07/1904 - Santiago, 23/09/1973). Poeta e diplomata chileno. Tendo efectuado os estudos secundários em Temuco, aqui descobre a sua veia de vate na adolescência. Ingressa na Universidade, em Santiago, para onde se muda aos 19 anos de idade. No ano seguinte publica a sua primeira obra poética. que titula de "Vinte poemas de amor e uma canção desesperada".
 
 
 
 
 
 
 
 
A partir de 1927 inicia a sua carreira diplomática, que durará cerca de dez anos, com uma primeira colocação em Rangum, na Birmânia (actual Myanmar), até findar a mesma em Espanha, quando eclodiu a guerra civil neste País (1936/1939). Ao longo desta década Pablo Neruda travou-se de amizades com intelectuais de várias partes do mundo. Em 1945 é eleito Senador e em 1971 é-lhe atribuído o Prémio Nobel da Literatura.
 
 
De formação política marxista era um indefectível  amigo e apoiante de  Salvador Allende. Em 1970, desiste da sua candidatura à Presidência chilena para não prejudicar a candidatura do seu amigo. Doente e já em fase terminal de doença cancerígena, toma conhecimento do golpe militar que liquida o regime democrático chileno. Morre doze dias depois da eclosão do mesmo.
 
 
Ao longo da sua vida Pablo Neruda escreveu e publicou mais de uma trintena de livros de poesia e de ensaios. Um ano volvido após a sua morte publicaram-se as suas memórias, com o título "Confesso que vivi".


 
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"Tus manos" de Pablo Neruda
 
 
 
 



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PORQUE SÓ HÁ UM PLANETA







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ACONTECEU



O complexo relvino: Quando se tornou público a forma como Miguel Relvas se tinha licenciado pela Universidade Lusófona, praticamente na base de muitos créditos e poucos estudos, choveu um anedotário nacional de todos os quadrantes, mais abertos e ousados dos sectores da oposição, mais encapotados do sector simpatizante ao Governo.
 
 
Mas a verdade é ter um título de "Dr." faz parte do nosso imaginário, País este que, até ao 25/04, sofria duma taxa de analfabetismo altíssima para os padrões europeus. Ter um "Dr." dava estatuto e até chegava-se ao ponto de se exigir esse título  académico nos livros de cheques e nas listas telefónicas. Pura parvoeira, só para alimentar as fogueiras das vaidades.
 
 
Não me querendo alongar mais nestas locubrações, veio a isto a propósito de, há uns tempos atrás ter entrado na Piscina Municipal do Vale do Fundão (Lisboa) onde me ia encontrar com pessoa amiga. Enquanto aguardava a sua vinda dei uma vista de olhos pelos anúncios ali colocados tendo apurado, pela leitura de duas placas metálicas postadas lado a lado, que a dita piscina fora inaugurada em 2005, após "obra  realizada na Presidência de Pedro Santana Lopes" e, ao lado desta, uma outra de idênticas dimensões informava que a gestão da mesma passara para o Clube Oriental de Lisboa em 2012, por decisão do "Dr. António Luís Santos Costa, Presidente da CML e do Dr. Manuel Silva Brito, Vereador da Cultura da CML".
 
 
Pedro Santana Lopes (PSL) é licenciado em Direito, tendo prosseguido estudos académicos superiores complementares no estrangeiro. Politicamente não partilho das suas ideias nem da sua actuação enquanto Primeiro-Ministro que foi. Mas ali, na placa era apenas e tão-somente Pedro Santana Lopes. Contrariamente ao seu edil sucessor e ao vereador que lá tinham que ter o grau de "Drs." na placa. Não fossem ficar ofendidos.  
 
 
Tal como o ex-Presidente CML Carmona Rodrigues que em tudo o que inaugurou mandou pôr o título de "Professor Doutor". Para catedrático viu-se o esterco político que fez no seu consulado ministerial e municipal. Para catar votos até andou a dançar com idosas nos bailaricos populares do Mercado da Ribeira. A propósito, nunca mais o vi lá a dançar. Francamente Senhor Professor Doutor. As velhinhas ainda hoje estão lá a suspirar por si e pelas suas promessas.
 
 
Mas não são os únicos. São raríssimos os casos em que políticos apenas querem o seu nome a surgir nos escaparates. Contam-se pelos dedos duma mão e ainda sobram. Que me lembre só três casos: o de PSL; o do Zé (José Sá Fernandes, Vereador alfacinha) e o do Álvaro (Álvaro Pereira, Ministro da Economia).


Se a vaidade e a estupidez pagassem impostos, estes políticos andavam todos carimbados. Por isso, a fogueira das vaidades nunca se extinguirá. PSL subiu um degrau na minha escala. Se bem que isso não lhe faça falta nenhuma. E eu também nunca esperei que algum dia viesse a escrever isto. Estou mesmo a ficar velho.
 
 
 
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Dr. Jekil versus Mr. Hide: Pedro Passos Coelho (PPC) efectuou, na sexta-feira de 07/09, uma breve locução ao País no qual anunciou violentas medidas que atingem toda a classe trabalhadora e pensionista portuguesas no próximo ano, agravando ainda mais as condições de vida da maioria dos portugueses. Com todas as ganas de cão raivoso atirou-se ao Trabalho mas, qual cordeiro cobarde, deixou em paz o Capital. Logo de seguida, não contente com o sadismo, foi a um concerto musical comemorativo dos 50 anos de carreira de Paulo de Carvalho, onde se mostrou bem disposto e até cantarolou.
 
 
No dia seguinte o simplesmente Pedro, cidadão e pai, veio todo piegas choramingar no ombro dos portugueses, via facebook.
 
 
Só lamento uma coisa: é que este povo é fatalista e tem memória curta. Nas próximas eleições legislativas voltam a votar nele. Por isso só lamento o destino daqueles que, não votando nos partidos do "centrão", vão ter que aguentar as burrices eleitorais dos seus conterrâneos.
 
 

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 DECLARAÇÃO DE INTERESSES
 
 
 
 
Textos escritos em desrespeito pelas novas normas do Acordo Ortográfico.
 
 
 
Todas as referências constantes na presente mensagem e que se reportem a livros, fotografias, documentários, filmes, músicas; empresas comerciais, industriais ou de qualquer outro género; associações humanitárias, de defesa ambiental, animal ou florestal, bem como nomes de pessoas são incompatíveis com intuitos publicitários de carácter comercial ou que envolvam qualquer outro tipo de permuta material. Reflectem, apenas e tão-somente, a opinião do Autor.

 
 
 

Todas as fotografias, documentários e filmes constantes na presente mensagem foram colhidos do Google Imagens e do Youtube. Deste modo, a sua utilização não pressupõe a concordância dos Autores dos mesmos com as opiniões constantes nos textos onde estejam inseridos.
 
 
 



Ahhhhhhhhhhhhhhhh.............. bendito repouso.

 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Hanon




VIAJANTES, AVENTUREIROS E EXPLORADORES



 
Hanon - Desconhece-se a sua data de nascimento que se calcula que tenha sido por volta de 500 AC, presumindo-se que tenha falecido por volta de 440 AC. Foi um navegador cartaginês, por muitos considerado como tendo sido o primeiro navegador da Antiguidade a explorar a costa ocidental africana. No apogeu económico da cidade-estado de Cartago, decidiu-se expandir as suas actividades económicas para Ocidente, a fim de buscar outras fontes quer de absorção de matérias comerciáveis quer de colocação dos seus produtos.
 

Por volta de 800 AC navegadores fenícios, vindos de Tiro fundaram, na actual Tunísia, uma feitoria económica que chamaram de Cartago, sendo que a sua localização actual é um bairro de Túnis. Os fenícios eram excelsos marinheiros e habéis comerciantes, pelo que o desenvolvimento de Cartago foi uma consequência natural da sua actividade mercantilistico-marítima.
 
 
 
 
Ruínas de Cartago
 
 

O poderio cartaginês acabou por rivalizar com o de Roma, no domínio do Mar Mediterrâneo, pelo que o confronto bélico entre as duas potências foi o desaguar natural desta rivalidade, tendo originado três guerras (entre 264 AC e 146 AC) que acabaram com a vitória romana, acabando Cartago por ter sido riscada da História e englobada no Império Romano.


 
Mas foi no decurso do seu apogeu económico que esta Cidade-Estado resolveu enviar duas expedições marítimas para Ocidente, confiando uma a Himilco, com a finalidade deste atingir as Colunas de Hércules (Estreito de Gibraltar) e rumar para Norte e a Hanon o comando da outra expedição marítima a qual, após ultrapassadas as Colunas de Hércules rumaria para Sul e exploraria a costa africana.

 

Da expedição de Himilco pouco ou nada se sabe mas a história da expedição de Hanon sobreviveu até aos tempos actuais, por ter sido encontrada uma estela(1) onde o mesmo relatava a sua odisseia. Essa estela, conhecida pelo "Périplo de Hanon", colocada num templo cartaginês, acabou destruída após a terceira guerra romano-cartaginesa (guerras púnicas) mas sobreviveram-lhe cópias, quer em grego quer em latim. Foi a reprodução dessas cópias que levou ao conhecimento actual da odisseia de Hanon.

 
 
Pela leitura que se fez das referidas cópias apercebemo-nos que a expedição de Hanon tinha por missão explorar a costa africana até onde pudesse chegar e fundar, ao longo do percurso,  feitorias. Comandando uma frota de dezenas de navios e milhares de homens e mulheres Hanon, ultrapassado que foi Gibraltar (Colunas de Hércules) fundou feitorias ao longo da costa marroquina, após o que flectiu para sul, navegando sempre à vista. Atingiu a costa da actual República dos Camarões e continuou a navegar para sul, passando o rio Geba na actual Guiné-Bissau podendo ter atingido o Golfo da Guiné, dando por finda a sua viagem exploratória e retornando a Cartago.
 

 
 
 
O navio trirreme, uma criação naval fenícia
 
 
 
Nesta época os navios costumavam navegar junto à costa pelo que Hanon, perito neste tipo de navegação, ultrapassado Gibraltar e atingindo a extremidade noroeste africana flectiu para Sul, ao longo da actual costa marroquina. Dois dias após terem passado Gibraltar fundaram uma feitoria no vale de Sebu (Marrocos). Continuando a rumar para Sul, Hanon depara-se com um promontório tão assustador (cabo de Cantin) que aí erguem um templo dedicado a Poseidon .

 
 
Cerca de trinta milhas mais adiante atingem, eventualmente, o uadi (2) Tensift onde encontram elefantes e outros animais selvagens. Acabam por criarem mais cinco feitorias ao longo da costa atlântica marroquina. Posteriormente uma luz difusa no horizonte acaba por lhe revelar estar perante o deserto do Sahara. Resolve desembarcar para se abastecer de água em "Lixos, um grande rio que corre da África" (vem do interior africano), presumindo-se que seja o uadi Dra. Aqui tem o primeiro encontro com nativos, de relacionamento amigável. Levando alguns lixitas a bordo para servirem de intérpretes em terras mais a Sul acaba por atingir a enseada do rio Ouro onde funda mais uma colónia.
 

 
Continuando a sua navegação para Sul atinge a embocadura do rio Senegal onde avista muitos crocodilos e hipopótamos. Interna-se pelo rio senegal mas a hostilidade das populações nativas, muito agressivas, impedem-no  de desembarcar pelo que retorna ao Atlântico e desce até ter dobrado o cabo Verde (não confundir com o arquipélago de Cabo Verde). Finalmente, ao décimo segundo dia de viagem, acaba por mandar baixar as âncoras e permite que os seus homens venham a terra, onde as árvores tinham um perfume intenso e muito agradável.


 
A atingir o extremo da sua viagem marítima, dois dias depois a frota de Hanon atinge o rio Gâmbia e, após se ter abastecido de água doce, continua a navegar até que, dois dias mais tarde, atinge o rio Geba, na actual Guiné-Bissau e, muito provavelmente, navega nos Bijagós. Rumando ainda um pouco mais para Sul, terá atingido o Golfo da Guiné (muito discutível), onde capturam e matam três gorilas fêmeas cujas peles levam para Cartago.


 
Terminando abruptamente a sua narrativa de viagem, invocando escassez de alimentos, Hanon e a sua equipa desaparecem da História. Demorariam uns dois mil anos até que outros navegadores se aventurassem por aqueles mares atlânticos em direcção ao Sul. 


 
Desconhecem-se outros elementos biográficos sobre Hanon, salvo que regressou a casa e terá escrito o seu périplo. Tudo o mais são conjecturas, incompatíveis com o rigor histórico.

 
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(1) - Estela é uma placa de pedra onde se gravam desenhos e inscrições dos mais diversos matizes.
(2) - Uadi é o leito seco de um rio, que se enche apenas na época das chuvas. Trata-se duma palavra árabe que traduzida significa "rio" ou "águas correntes". 

 
 
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Périplo de Hanon

 
 
 
 
 
 
 Texto do Périplo de Hanon: tendo lido várias versões sobre este texto  (inglês, castelhano e português) e por serem todas traduções umas das outras, optei por verter para aqui o texto em português e constante na internet. As letras maísculas, em itálico e negradas, não são parte do texto copiado, servindo apenas de linha de guia condutoras da viagem com terminologia geográfica actual.
 
  1. "Os cartagineses ordenaram a Hanão que empreendesse uma viagem para além dos Pilares de Hércules e fundasse algumas cidades púnicas. De acordo com as ordens, ele navegou com 60 navios de 50 remos cada, transportando trinta mil homens e mulheres, com as provisões e outros equipamentos necessários.
  2. Depois de, na nossa viagem, atravessarmos os Pilares de Hércules (A), e navegarmos durante dois dias para lá deles, fundámos a primeira cidade, a que chamámos Thymiaterion. Abaixo dela existe uma extensa planície. (B)
  3. Navegando de lá na direcção do oeste, chegámos a Soloeis, um promontório africano, que está coberto por árvores. (C)
  4. Aqui dedicámos um templo a Poseidon. Navegando para leste durante meio dia, chegámos a uma lagoa. Não era longe do mar e estava coberta com abundantes juncos longos, que elefantes e outros animais selvagens estavam comendo. (D)
  5. Depois de deixarmos a lagoa, navegámos por um dia. À beira-mar fundámos cidades, chamadas Karikon Teichos, Gytte, Akra, Melitta e Arambys.
  6. Continuando a nossa viagem a partir daí, atingimos o Lixos, um grande rio que corre da África.(E) Os lixitas, uma tribo nómada, estavam a pastorear o seu gado junto a ele. Permanecemos com eles por algum tempo e tornámo-nos amigos.
  7. Para além do território deles, povos negros hostis ocupam uma terra plena de animais selvagens. Está rodeada pelas grandes montanhas de onde corre o Lixos. De acordo com os lixitas, povos estranhos habitam entre essas montanhas: homens das cavernas que correm mais rápido que cavalos.
  8. Quando conseguimos que intérpretes lixitas nos acompanhassem, navegámos para sul, ao longo da costa desértica, durante dois dias. Depois de navegarmos para leste por um dia, encontrámos, no recesso de uma baía (F), uma pequena ilha (G), cuja circunferência era de cinco estádios. Deixámos aí colonos e chamámo-lhe Kerne. Pela duração da viagem, calculámos que esta ilha fique na posição oposta de Cartago, pois o tempo de navegação de Cartago até aos Pilares de Hércules, e de lá até Kerne, era o mesmo.
  9. Navegando daí, atravessámos um rio chamado Chretes e atingimos uma baía que continha três ilhas maiores do que a de Kerne. Depois de um dia de navegação a partir dali, chegámos ao fim da baía, que era dominado por grandes montanhas, cheias de selvagens vestidos com peles de animais. Atirando pedras, eles impediram que desembarcássemos, e fizeram-nos afastar.
  10. Partindo dali, chegámos a outro grande rio, muito largo (H), cheio de crocodilos e hipopótamos. Regressando daí, voltámos para Kerne.
  11. A partir dali, navegámos para sul durante doze dias. Mantivemo-nos próximo da costa, inteiramente habitada por negros, que fugiam de nós quando nos aproximávamos. A sua língua era incompreensível, mesmo para os nossos lixitas.
  12. No último dia ancorámos junto a umas altas montanhas. Elas estavam cobertas por árvores cuja madeira era aromática e colorida.
  13. Navegando em torno das montanhas durante dois dias, chegámos a uma imensa baía, para além da qual, do lado de terra, estava uma planície (I). Durante a noite observámos grandes e pequenos fogos, dispersos por toda a parte, flamejando de tempo em tempo.
  14. Tomando aí aguada, continuámos viagem durante cinco dias ao longo da costa, até que chegámos a uma grande baía, que de acordo com os nossos intérpretes era o Corno do Ocidente (J). Nela havia uma grande ilha, na qual existia uma lagoa, salgada como o mar, e nela outra ilha (K). Aqui desembarcámos. De dia não conseguimos ver nada a não ser floresta, mas durante a noite vimos muitos fogos acenderem-se, e ouvimos o som de flautas, o bater de címbalos e tambores e os gritos de uma multidão. Tivemos medo e os nossos adivinhos aconselharam que deixássemos a ilha.
  15. Navegámos rapidamente para fora dali, passando ao longo de uma costa ardente cheia de incenso. Grandes torrentes de fogo vazavam no mar, e a terra era inacessível devido ao calor.
  16. Rapidamente e com temor, navegámos para longe daquele lugar. Navegando durante quatro dias, vimos, à noite, a costa cheia de fogo. No meio havia uma grande chama, mais alta do que as outras, parecendo subir até às estrelas. De dia, verificámos que era uma grande montanha, a qual era chamada Carro dos Deuses (L).
  17. Navegando dali ao longo das torrentes de fogo, ao fim de três dias chegámos a uma baía chamada Corno do Sul (M).
  18. Neste golfo havia uma ilha, parecida com a primeira, com uma lagoa, no interior da qual havia outra ilha, cheia de selvagens. A maioria eram mulheres com o corpo coberto de pelos, a que os nossos intérpretes chamavam gorilas. Apesar de os termos perseguido, não pudemos apanhar nenhum macho: todos escaparam por serem grandes trepadores que se defendiam atirando pedras. Contudo, capturámos três mulheres, que se recusaram a seguir os que as tinham apanhado, mordendo-os e arranhando-os com as garras. Por isso, matámo-las e tirámo-lhes as peles, que trouxemos para Cartago. Não navegámos mais, pois as nossas provisões começavam a escassear."
 


A) - estreito de Gibraltar.
B) - vale do rio Sebu, em Marrocos.
C) - cabo Cantin, em Marrocos.
D) - uadi Tensif, em Marrocos.
E) - uadi Dra, em Marrocos.
F) - enseada do Rio do Ouro, em território Sahauri.
G) - ilha de Herne.
H) - rio Senegal, no Senegal.
I) - estuário do rio Gâmbia, na Gâmbia.
J) - estuário do rio Geba, na Guiné-Bissau.
K) - arquipélago dos Bijagós, na Guiné-Bissau.
L) - monte Kakulima, na Serra Leoa.
M) - estreito de Sherbro, na Serra Leoa.


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HISTORIANDO MOÇAMBIQUE COLONIAL
 
 



 
 
Boletim Oficial – Era o órgão de imprensa que difundia as notícias do Governo, tendo o seu primeiro número sido publicado no dia 13 de Maio de 1854 e, até 1870, foi o único jornal de Moçambique. No primeiro número consignava-se que Este Boletim sairá todos os sabbados, e assigna-se para elle na Secretaria do Governo Geral” (sic) e custava “assignatura por trimestre 800 (reis) Por semestre 1500 (reis) Folha avulsa 80 (reis)” (sic). Sendo de publicação semanal, manteve-se ininterrupto até à proclamação da independência do território, exceptuando o período que mediou entre 21 de Outubro de 1854 a 05 de Janeiro de 1855. As primeiras determinações publicadas no seu primeiro número reportavam-se ao acto eleitoral a realizar no território, determinando para 06 de Agosto desse ano a realização das mesmas. Antes do seu aparecimento, toda a legislação do território, bem como toas as restantes notícias oficiais do território (nomeações e demissões de funcionários, por exemplo), eram publicadas nas Actas do Conselho Ultramarino e das quais, até à data da independência, existia uma colecção completa em Lourenço Marques. Translada-se, na íntegra, por se poder considerar um documento histórico, o primeiro número publicado: Anno 1854 - Numero 1- Boletim do Governo da Província de Moçambique – Sabado 13 de Maio: A Imprensa é um dos melhores inventos do espirito humano. Ella tem prestado os mais importantes serviços ao Commercio, a industria, aos interesses, e á civilisação d´uma grande parte dos povos do universo. Convencido da sua utilidade, O Governo de Sua Magestade Ordenou que se instituísse n´esta Capital uma Typographia. – O Governo actual se lisongeia de ser o seu instituidor. Vai pois publicar-se regularmente uma vez por semana – O Boletim official do Governo da Provincia de Moçambique. O Governo reserva uma parte da folha para a publicação de seus actos que deseja cheguem ao alcanse de todos; e apreciará lealmente, as reflexões judiciosas, que sobre elles lhe forem feitas. A outra parte será destinada aos interesses do Commercio, e á publicação d´artigos de conveniencia publica. Alem d´isso a typographia está habilitada para dár ao prélo quaes quer outras obras que se convencionem. PARTE OFFICIAL – GOVERNO GERAL: O Governador Geral da Provincia de Moçambique, em Conselho determina o seguinte: Tendo por Portaria Circular do respectivo Ministério, sob o nº 1158, com data de 31 de Janeiro do anno proximo passado, sido mandado cumprir n´esta Provincia, o Decreto de 30 de Setembro de 1852, para as eleições de Deputados, e o de 17 de Janeiro de 1853, pelo qual o Governo deu algumas providencias, em virtude do art.118, para o primeiro ter a devida e regular execução n´esta Provincia. Attendendo a que para a execução do Decreto de 30 de Setembro de 1852, se tornar ainda mais prompta, mais exacta, e mais efficaz, se tornam necessárias outras provisões, absolutamente indispensaveis, e especiaes a esta parte dos domínios da Corôa Portugueza, sem as quaes todos os trabalhos elleitoraes, seriam impossiveis; provisões já previnidas e auctorisadas no art.118, #1º do Decreto Elleitoral – ouvido o Conselho do Governo, e com o voto unanime do mesmo: Hei por conveniente determinar, que tenha execução n´esta Provincia o Decreto Elleitoral de 30 de Setembro de 1852, com as provisões do Decreto de 17 de Janeiro de 1853, e as que se seguem: Art.1º - Não estando ainda estabelecido por Lei n´esta Província, o Tributo de Decima, para se poderem conhecer os maiores e menores Contribuintes, e sendo as Camaras Municipaes compostas dos principaes habitantes, naturaes, Europeus, e filhos de Goa, estabelecidos; estas continuarão a ser em toda a Provincia as competentes para a formação do recenseamento. # único – As Camaras poderão chamar uma, ou mais pessoas notáveis, e de maior simpathia do seu Districto, para as ajudar no desempenho dos trabalhos do recenciamento. Art. 2º - O recensiamento feito pelas Camaras Municipaes, começará em toda a Provincia no dia 30 de Junho, e no dia immediato será publicado por copia, na porta do edificio da Caza da Camara, e Igreja Parochial, aonde sera conservado até 5 de Julho, para as reclamações. Art. 3º - Das reclamações das decisões das Camaras ha recurso, na Cidade de Moçambique para o Juiz de Direito, e nos mais districtos da Provincia, para os Juizos Ordinários em primeira e ultima instancia. Art. 4º - Haverá n esta Provincia sete Assembleas Primarias a saber: em Moçambique, no Ibo, em Quilimane, em Senna, em Tette, em Sofalla, e Inhambane, e isto porque a topographia do paiz senão presta a uma outra melhor. Art. 5º - As Assembleas mandarão á Cabeça do Circulo Elleitoral: as de Moçambique, Quilimane e Inhambane, cada uma dous, as de Senna, Tette, Sofalla, e Ibo, cada uma um, Portadores d´Actas com todos os documentos de que falla a elleição do Decreto Elleitoral. Art. 6º - A elleição para Deputados terá logar em toda a Provincia, no dia 6 d´Agosto do corrente anno. Art. 7º - Os Governadores dos portos subalternos facilitarão a partida para a Capital do Circulo elleitoral a todos os portadores d´Actas, ou da remessa dos papeis de elleição, aos nomeados em Moçambique. Art. 8º - Logo que á Capital cheguem os Portadores das actas O Governador Geral em Conselho designará o dia para a reunião dos mesmos. Palacio do Governo Geral de Moçambique, 28 d´Abril de 1854. Vasco Guedes de Carvalho e Menezes. /// O Governador Geral da Província de Moçambique determina o seguinte: Havendo por Decretos Regios de 17, 18 e 19 de Outubro de 1853, sido creadas Alfandegas em diversos portos d´esta Provincia, e alterado o systema de direitos, que devem pagar os generos e mercadorias nacionaes e estrangeiras, que se despacharem nas Alfandegas da Provincia, ficando a Alfandega de Moçambique considerada como Alfandega de deposito por certo e determinado tempo; e tendo sobre um objecto tão delicado e melindroso, que altera o systema fiscal, e modo de viver dos povos d´esta Provincia, ao qual estavam costumados ha seculos desde o começo da conquista, ouvido o Conselho do Governo na conformidade do art. 16º do Decreto de 7 de Dezembro de 1836, as pessoas mais notáveis da Capital, e vinculadas aos interesses da Provincia, e de Sua Magestade, que foram d´opinião quasi na totalidade, “que nas actuais circunstancias da Provincia, a abertura dos portos, seria uma Calamidade para o Commercio portuguez, e para a administração publica, por isso que a Provincia, ainda não estava preparada para a adopção de taes medidas”: Hei por conveniente em conformidade, com o que se dicidio em duas reuniões do Conselho do Governo, e pessoas referidas, aonde se tratou a materia com a maior lealdade, experiencia, e perfeito conhecimento d´um objecto que ha tanto tempo agita a Provincia, suspender “provisoriamente”, a execução n´esta Provincia dos Decretos de 17, 18 e 19 d´Outubro do anno ultimo, em quanto Sua Magestade, á presença de Quem, vou mandar todo o processo da discussão, e opiniões por escripto dos homens entendidos na matéria, não resolver o contrario. Outro sim Hey por conveniente determinar, que como esperiencia, e mesmo, para observar, se de futuro se poderá levar a effeito o systema do Governo, quanto á abertura dos portos, e acabar, talvez, com o prejuízo, que possa haver, e que se tenha introduzido por uma longa educação e habitos na consciencia publica d´esta Capital, que no Ibo, nas Ilhas de Cabo Delgado, se estabeleça uma Alfandega, que receberá a despacho todos os generos e mercadorias, que são admittidas na Alfandega de Moçambique com a percepção dos mesmos direitos, que se percebem d´importação e exportação, pela Pauta da mesma Alfandega. O Governador das Ilhas de Cabo Delgado, ao qual se darão as competentes instrucções e regulamentos para a exacta, e fiel execução d´esta Portaria, e mais Governadores subalternos a Auctoridades da Provincia, assim o tenham entendido e cumpram. Palacio do Governo Geral de Moçambique, 1º de Maio de 1854 – Vasco Guedes de Carvalho Menezes. /////////////// O Governador Geral da Provincia de Moçambique, em Conselho determina o seguinte: Havendo sido restabelecida pelo Decreto de 24 de Novembro de 1853, nos territórios de Rios de Senna a antiga divisão em dous governos, iguaes em direitos, e consideração, que são «o Governo de Quilimane, e o Governo de Tette» auctorisando este governo em Conselho a estabelecer provisoriamente a divisão dos ditos territorios, entre os dous mencionados governos, e havendo sido esta materia maduramente ponderada em Conselho d´este Governo, e considerado mais vantajoso ás conveniencias do serviço, e mais rapidas communicações, unir-se a Villa de Senna ao Governo de Quilimane, e o Governo de Tette ficar separado, fixando-se os limites das jurisdicções os que até agora regularam aos dos Commandantes Militares das duas Villas, Senna, e Tette: Hei por conveniente conformando-me com o unanime voto do Conselho, determinar o seguinte: Art. 1º - A Villa de Senna fica reunida ao Governo de Quilimane, a jurisdicção do qual fica ciscunscripta até os limites que prezentemente constituem os da referida Villa de Senna. Art. 2º - O Governo de Tette fica independente do de Quilimane, exercendo o Governador d´esta Villa a sua jurisdicção por todas as terras da Coroa, onde actualmente a exercia o Commandante Militar da referida Villa de Tette. As Auctoridades, aquem o conhecimento d´esta pertencer, assim o tenham entendido, e cumpram. Palacio do Governo Geral de Moçambique, 2 de Maio de 1854. - Vasco Guedes de Carvalho e Menezes. /////////////// Decreto de 25 de Novembro de 1853 – Estando determinado pelo artigo terceiro do Decreto de vinte e nove de Dezembro de mil oitocentos e cincoenta e dous, que o pagaamento dos ordenados, soldos, prets, e quaesquer outros vencimentos, aos funcionarios civis, e militares da Provincia de Moçambique, que os recebiam em moeda provincial, seja feito em moeda forte, dando-se cem reis d´esta moeda por cada quatrocentos e dez reis provinciais, por ser esta então a proporção entre a moeda do reino, e a d´aquella Provincia; e sendo ha muito reconhecido, que os soldos, prets e ontros vencimentos dos Officiaes militares, e mais praças da guarnição da dita Provincia em consequencia das successivas alterações, que alli teve o valor da moeda, se acham de tal sorte reduzidos, que são evidentemente insifficientes não só para manter a decencia e decoro da profissão militar, mas ainda para attender ás primeiras necessieades da vida; Hey por bem, em Nome d´ElRei, Uzando da faculdade concedida pelo artigo quinze do Acto Addicional á Carta Constitucional da Monarchia, e Conformando-Me com o parecer do Conselho Ultramarino, depois de Ouvido o Conselho de Ministros, Ordenar, que desde o dia da publicação do presente Decreto na Capital da referida Provincia se observe provisoriamente o seguinte: = Artigo primeiro = Os soldos dos Officiaes da Provincia de Moçambique serão regulados pela tarifa de deseseis de Dezembro de mil setecentos e noventa, e as gratificações de commando de Corpo, ou Companhia serão abonadas na conformidade do Alvará de vinte e um de Fevereiro de mil oitocentos e deseseis. = Paragrapho unico = Cessa todo e qualquer abono, que até agora tenha sido feito com a denominação de mantimento, lenha, e azeite; e bem assim as gratificações aos Ajudantes de Corpo, Praça de São Sebastião; e outros não comprehendidos os de pessoa do Governador Geral. = Artigo segundo - O abono de forragens aos Officiaes que o devam ter, será feito na razão de trinta e seis mil e quinhentos reis, por anno. = Artigo terceiro - O pret á tropa será pago em quanto senão organisa definitivamente a força militar da sobredita Provincia , pela tarifa que faz parte do presente Decreto continuando a abonar-se-lhe o pão ou mantimento, e qualquer outro vencimento a que tenha direito, pela forma e segundo as ordens alli em vigor. = Artigo quarto – Fica derrogada toda a Legislação em contrario. O Visconde d´Atouguia, Par do reino, Ministro e Secretario d´Estado dos Negócios Estrangeiros, e dos da Marinha e Ultramar, assim o tenha entendido e faça executar. Paço em vinte e cinco de Novembro de mil oitocentos cincoenta e três. = Rei Regente = Visconde d´Atouguia = Está conforme, António Pedro Carvalho. ------------ Tarifa a que se refere o Decreto d´esta data, para provisoriamente regular o pret dos soldados e mais praças da Guarnição da Provincia de Moçambique, enquanto senão organizar definitivamente a força militar da dita Provincia: (Postos e pret diario (em reis)) Sargento Ajudante … 160; Sargento Quartel Mestre ...160; Tambor ou Corneta Mor …100; Cabo de Tambores ou de Corneta … 80; Coronheiro ou Espingardeiro alem da gratificação correspondente ao seu trabalho …80; Primeiro Sargento …100; Segundo Sargento …80; Furriel …70; Cabo …60; Anspeçada …45; Soldado …40; Tambor ou Corneta …60. Secretaria d´Estado dos Negócios da marinha e Ultramar em 25 de Novembro de 1853 --- Visconde d´Atouguia. --- Está conforme, António Pedro Carvalho. /////////////// O Governador Geral da Provincia de Moçambique determina o seguinte: Convindo dar a mais prompta execução do Decreto de 25 de Novembro de 1853, transmitido a este Governo por Portaria do Ministerio respecitivo, com data de 29 do referido mez e anno, sob o nº 1248, pelo qual se regula a tarifa, por que os Officiaes d´esta Provincia devem vencer os seus soldos, gratificações, e forragens, bem com o pret á tropa, segunda a tarifa a que se refere o art. 3º do referido Decreto: Hey por conveniente, que o citado Decreto de 25 de Novembro de 1853, e a tarifa, que faz parte do mesmo, tenha inteiro vigor, e execução n´esta Provincia, desde a publicação d´esta Portaria, como se acha ordenado naquelle Decreto. --- As Auctoridades a quem o conhecimento d´esta pertencer assim o tenham entendido e cumpram. Palacio do Governo Geral de Moçambique, 8 de Maio de 1854. – Vasco Guedes de Carvalho e Menezes. /////////////// Nº 149 = Quartel General do Governo da Provincia de Moçambique, no Palacio de S.Paulo, aos 12 de Maio de 1854. Ordem á Força Armada. Publica-se o seguinte, para que tenha a devida execução: Exonerado o Commandante Interino da Villa de Tette, por Portaria de 2 do corrente mez, em consequencia de hir tomar posse d´quelle governo, o Governador d´aquelle districto o Major Antonio Candido Pedrozo Gamitto, nomeado pelo Decreto de 6 de Dezembro de 1853. /// Exonerado o Governador Interino do districto de Sofalla, o Capitão Joaquim Carlos de Andrade, por Portaria de 2 do corrente mez, por se achar proximo a seguir o seu destino, o Governador d´aquelle Districto Francisco Duarte d´Oliveira Rego, nomeado pelo Decreto de 4 de Março de 1853. /// Exonerado o Governador Interino de Quilimane e Rios de Senna, o 2º Tenente da Armada Jeronimo Romero, por Portaria de 8 do corrente mez, por se achar proximo a seguir o seu destino, o Governador d´aquelle districto, o Coronel Joaquim d´Azevedo Alpoim, nomeado pelo Decreto de 24 de Novembro de 1853. /// Exonerado o Commandante Militar Interino da Villa de Senna, e nomeado para o substituir o Major Tito Augusto d´Araujo Sicarde, por Portaria datada de 11 do corrente mez. /// Concedida a licença, que pedio o Governador Interino d´Inhambane Pedro Valente da Costa Loureiro e Pinho, para vir a esta Capital, e nomeado para o substituir o Major d´Artilheria Jacintho Henriques d´Oliveira, por Portaria datada d´hontem. /// Exonerado o Cirurgião da 2ª Classe Joaquim Francisco Collaço, do cargo de Cirurgião do Batalhão d´Infanteria desta Capital, e nomeado para o substituir o Cirurgião da mesma Classe em Commissão Brutus Turquetille. /// Nomeado Commadante da Foeça expedicionária que deve marcjhar para Tette, o Capitão gregório Gomes Castellao. --- Continuará. /////////////// JUNTA DA FAZENDA PUBLICA – Acha-se em pagamento o mez de Setembro de 1853 a todas as classes subsidiadas pelo Cofre publico. Secretaria da Junta da Fazenda 6 de Maio de 1854. – Manoel de Aguiar. /////////////// SERVIÇO DE MARINHA – Registo do porto de Moçambique, 12 de Maio de 1854. – Embarcações entradas: Brigue de guerr inglez = Nardoba = Commandante Karro, de Quilimane, com 130 pessoas de tripolação. /// Patacho inglez = Anays = Capitão Mestre de Anjoanes, com differentes generos 12 pessoas de tripolação, e 8 passageiros /// Hiate portuguez = Esperança = Mestre Mamod Aly Ussene de Quelimane com marfim, e mais generos, 9 pesoas de tripolação, e 31 passageiros. /// Barca Americana = Emely Wilder = Capitão H. Riches, de Zanzibar com marfim, goma copal, e mais generos, 13 pessoas de tripolação, e 7 passageiros. /// Heate = 31 de Dezembro = Mestre Ismalgi Inufo, do Ibo com urzella, e 10 pessoas de tripulação. /// Pangaio Arabe = Falel Ker = Mestre Salamane Nous-Lee, com fasendas, 14 pessoas de tripolação, e 6 passageiros. /// Escuna Portugueza = 4 d´Abril = Mestre Ussene Salmagi, de Quilemane, com marfim, 15 pessoas de tripolação, e 36 passageiros. /// Pangaio Arabe = Reanie = Mestre Mussudi, de Anjoanes com differentes genros, 21 pessoas de tripulação, e 8 passageiros. /// Lancha Portugueza = flor de Matibana = Mestre Vaudila, do Ibo, com marfim, urssella, mais generos, 10 pessoas de tripulção, e 12 passageiros. /// Pangaio Arabe = Harf = Mestre Abdala ladry, de S.Lourenço, com fazendas Americanas, e chapeos de palha, com 13 pessoas de tripolação, e 2 passgeirs. /// Fragata Portugueza = D. Fernando = Comadante V. I. dos Santos Moreira de Lima, de Lisboa, com 229 pessoas de tripulação, e 483 passageiros. /// Lancha Portugueza = Resto = Mestre sabo, do Ibo, com goma copal, 8 pessoas de tripolação. --- Continuará. /////////////// COMMERCIO. Cambio e preços correntes da Camara Municipal de Moçambique, no mez d´Abril de 1854: (Dinheiro – reis): EM OURO: Uma onça … 57$600; Meia dobla … 32$600; Uma barrinha … 26$500; Uma libra sterlina … 18$000 /// EM PRATA: Um pezo hespanhol … 3$600; Um dito mexicano … 3$600; Um dito francez de 5 francos... 3$200; Uma pataca … 2$400; Um cruzado novo … 1$600 /// MARFIM E MAIS OBJECTOS (Uma Arroba): de marfim groço … 144$000; de dito meião... 120$000; de dito miúdo … 96$000; de dito cêra … 76$000; de dente de cavallo marinho torto... 120$000; de dito de dito direito... 20$000; de ponta d´abada... 21$600; de cera bruta... 20$000; de dita em vellas... 51$200; de vellas da terra... 40$000; de breu do reino... 3$200; de dito do norte... 4$000; de assucar em pó... 11$200; de dito em pedra... 14$400; de zerzelim... 6$400; de côco... 6$400; de ferro inglez... 4$800; de dito da suecia... 7$200; de pregos grossos... 8$000; de goma copal... 10$800; de café limpo... 10$000; Uma libra de tartaruga... 16$000; uma libra de chá bom... 4$800; /// UMA PANJA: de trigo de senna... 3$200; de arros fino limpo... 4$000; de dito grosso... 2$400; de zerzelim... 2$400; de feijão encarnado... $500; de dito branco... $800; de milho fino... $500; de muxuere... $500; de macaca... $300; de milho grosso... $400 ---- Reducção da moeda, na rszão de 100 rs. Por 410 --- Secretaria da Camara Municipal de Moçambique, 9 de Maio de 1854. /////////////// HOSPITAL MILITAR – Mappa do movimento de doentes do Hospital Militar de Moçambique desde o 6 até 11 do corrente: Existiam: Europeos 40; Nativos 9; De Goa 14; Todos 63 /// Entraram n´este mez durante os ditos seis dias: Europeos 26; Nativos 5; De Goa 3; Todos 34 /// Somma: Europeos 66; Nativos 14; De Goa 17; Todos 97 /// Saíram curados: Europeos 25; Nativos 5; De Goa 2; Todos 32 /// Fallesceram: Europeos 1; Nativos 0; De Goa 0; Todos 1 /// Ficam existindo: Europeos 40; Nativos 9; De Goa 15; Todos 64 /// N.B. – Fallesceo de Diatnese scorbutica, e de senectude. /// Hospital Militar de Moçambique, 11 de Maio de 1854. Dr. Jacques Nicolau de Salis – Phisico Mor. /////////////// Moçambique: - Na Imprensa Nacional.      
 
 
 
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IN MEMORIAN
 

 
Neil Armstrong, o homem que todos nós adoraríamos ser ou ter sido, partiu para a sua Grande Grande Viagem intergaláctica. Não me vou debruçar sobre a lendária vida deste Homem das Estrelas, já por todos nós conhecida. Admiro-o por tudo: pelo que fez antes, pelo que fez durante e, principalmente, pelo que fez depois de ter sido alcandorado para a fama, numa pura e permanente aula de humildade, descrição e recato.





 
A notícia do agora seu falecimento físico trouxe-me à memória o meu dia/noite em que ele alunou. Estava eu no coração do belíssimo Niassa, em Moçambique e, tal como milhões de seres humanos, acompanhei a sua saga pelo relato radiofónico. Foi das rarísimas ocasiões da minha vida em que deleguei um orgasmo por procuração. Nessa longa madrugada, em plena zona de guerra colonial, a Paz pairou com o calar das armas e o cantar dos corações descontrolados. Pelo menos nessa madrugada fomos todos americanos humanos.      



Neil Armstrong, dando corpo ao sonho de Ícaro, mais do que ter capitaneado a Apollo 11, para mim, mais importante, foi ele ter sido o Almirante dos sonhos da Humanidade.


 
 
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UMA PERSONALIDADE PARA A ETERNIDADE
 

 
 
Nicolas Winton, cidadão britânico nascido em 1909, resgatou da antiga República da Checoslováquia (1) 669 crianças judias pouco antes do eclodir da II Guerra Mundial, conseguindo que as mesmas escapassem à barbárie nazi. Conseguiu integrá-las no Reino Unido e Suécia tendo mantido, durante longos anos, um total silêncio sobre esta sua actividade humanitária.
 
 
 
 
 

 

Posteriormente a sua acção de resgate tornou-se pública e acabou por ser, justamente, reconhecido quer pelas nações quer pelos seus "filhos" sobreviventes. Titular de várias condecorações europeias e com o seu nome dado a  alguns estabelecimentos escolares, apenas por ter antepassados judeus é que Israel não o considera "Justo entre as Nações" (2).

 
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(1) - Após a bendita queda do Muro de Berlim a Checoslováquia cindiu-se em dois países: as repúblicas Checa e Eslováquia.

(2) - Prémio instituído pelo Yad Vashem (Autoridade para a Recordação dos Mártires e Heróis do Holocausto, criada por Israel em 1953) e atribuído a todos os que, não sendo judeus nem tendo tal ascendência, praticaram actos para salvar elementos desta comunidade.


 
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LEITURAS

 
 
Título - Kahina, a profetisa
Sub-Título - A história verídica de uma princesa berbere
Autora - Gisèle Helimi
Editora - Bertrand Editora         Ano - 2007             Págs. - 246            Género - Romance







No pretérito dia 29/05/2012 publiquei, neste blogue, um pequeno resumo sobre a vida de "Khaina, a Rainha magrebina" na secção "Relembrando Histórias e Lendas de África". Por lapso (acontece a todos) não aludi a um romance que aborda a vida desta mulher, sendo o mesmo aquele que se encontra acima referido.



A autora - Gisèle Halimi - é uma advogada franco-tunisina, combatente de primeira linha de causas que envolvam os direitos humanos e a emancipação das mulheres. O livro acima assinalado trata-se dum romance ligeiro, que aborda de forma apaixonadamente épica a vida de Kahina, heroizando a mesma aos píncaros. 



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Título - O Rei do Monte Brasil
Sub-Título - Gungunhana e Mouzinho de Albuquerque: guerra, traição, amor e morte num conflito que marcou a história portuguesa.
Autora - Ana Cristina Silva
Editora - Oficina do Livro           Ano - 2012                Págs. - 166           Género - Romance
 







Mouzinho de Albuquerque é, ainda para muitos portugueses, um exemplo de patriota impoluto e incorrupto. A sua saga bélica nas terras moçambicanas atingiu o apogeu quando, quase contra tudo e contra todos, arriscou tudo numa odisseia que o levou a capturar Gungunhana sendo este, na altura, o potentado do Reino de Gaza.



À captura de Gungunhana seguiu-se a sua exibição nas ruas de Lourenço Marques e, de seguida, a sua vinda, sob prisão, para Lisboa, juntamente com outros elementos da sua comitiva. A capital do Reino não foi o término do seu périplo de cativo, pois acabou enviado para a ilha Terceira, nos Açores, onde viveu os últimos anos da sua vida, depois de ter sido baptizado segundos os ritos católicos e onde lhe foi atribuído o nome cristão de Reynaldo Frederico Gungunhana, tendo falecido em 1906, no forte que existe no Monte Brasil, perto da cidade de Angra do Heroísmo. Juntamente com ele, acompanharam-no mais três companheiros de infortúnio, o régulo Matibejana, o seu tio Molungo e o seu filho Godido. Todos eles faleceram naquela ilha atlântica e apenas Matibejana deixou descendência açoriana, que ainda hoje existe. 



Mouzinho de Albuquerque faleceu voluntariamente em 1902, depois de meter uma bala na cabeça quando seguia a bordo duma caleche, em Lisboa. A sua morte prematura levantou muitas teorias de conspiração, que ainda nos dias de hoje não são consentâneas umas com as outras. É dos portugueses mais biografados e a sua vida meteórica não deixa ninguém indiferente. Gigante que foi da implementação da  presença portuguesa no Sul moçambicano, militar probo e incorrupto, era fidelíssimo à trilogia espiritual de Deus, Pátria e Monarquia. 



E é sobre estas duas personagens - Gungunhana e Mouzinho de Albuquerque - vividas em mundos antagónicos e inconciliáveis que a Autora - Ana Cristina Silva - nos oferece um romance no qual põe-se na mente dos mesmos e nos relata os seus pensamentos e as suas ansiedades, quando ambos caminham para o crepúsculo das suas vidas.



Um livro ligeiro que, pela abordagem original que faz dos personagens, transmite-nos uma leitura que nos prende da primeira à última página. No entanto não gostei do monólogo de Gungunhana. É elaborado demais, um falar pensante muito virtuoso. Aí, para mim, reside o pecado deste livro: dava trabalho pôr o linguarejar de Gungunhana mais consentâneo com o seu modo de ser e estar. Pô-lo a falar mentalmente como se toda a vida tivesse convivido nos salões da aristocracia lisboeta... não lembrava ao Diabo. Lapso da Autora ou uma forma simplificada de escrever um livro? E, assim, uma excelente e original ideia de escrita, acaba esbatida na distração ou na preguiça. O que é pena.


 
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FILME



Título - África dos meus sonhos.
Realização - Hugh Hudson   Actores - Kim Basinger, Vincent Perez nos papeis principais.
Ano - 2000   Tempo - 120 minutos  Género - Biografia/Drama








Já tendo visto este filme à venda em estabelecimentos da especialidade, há muito tempo, nunca me senti atraído a comprá-lo. Tinha a sensação que se tratava de um filme cor-de-rosa, em que África apenas serve de pano de fundo a uma rebuscada historieta qualquer de amores mal entendidos. Um pouco à imagem do filme "África Minha" que, para mim, não passa duma lamechice sobre a vida da falhada Karen Blixen.


Num destes últimos dias calhei de ver este filme na televisão e verifiquei que se tratava da história da vida de Kuki Gallmann, um italiana nascida em 1942 que, mãe de um filho e casada em segundas núpcias, acompanha o marido para o Quénia, onde se estabelecem numa fazenda (1972). Posteriormente à morte do marido e do filho, deixa-se ficar naquele País com uma filha, envederando pela carreira de escritora e tornando-se uma conservacionista de primeira linha. Fundou a Gallmann Memorial Foundation, em homenagem aos falecidos marido (num desastre) e filho (de picada duma cobra), tendo sido premiada por diversas vezes.





Kuki Gallmann



Um filme ligeiro, sem nada de especial a assinalar, onde os acontecimentos fluem ao ritmo africano mas, apesar de tudo, um pouco mais suportável de ver que o oscarizado "África minha". Tive sorte em vê-lo num sonolenta tarde calorenta, deitado no sofá e a dormitar aos bochechos. Não perdi grande coisa, atendendo a que a mais valia do mesmo é a presença da sempre bela Kim Basinger, que desempenha o papel principal.




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PORQUE SÓ HÁ UM PLANETA



Pessoa amiga remeteu-me um "mail" contendo uma listagem dos subsídios que o Estado forneceu a pessoas ligadas ao ramo da tauromaquia durante parte do ano de 2011.



Pessoalmente sou contra o espectáculo da tauromaquia, que rotulo de bárbaro, sádico e violador dos princípios de avanços civilizacionais que julgamos já ter atingido. Por isso também me oponho a todo e qualquer subsídio que, oriundo dos meus impostos, sirvam para financiar esta tristeza.



Daí que subscrevo, na íntegra, o grito de revolta desta pessoa minha amiga e transcrevo, de seguida, o "mail" que a mesma me remeteu sem alterar uma vírgula.


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"Subsídios para as touradas

Por falar em subsídios, no passado dia 21/03/2012 foi publicada no Diário da República a lista dos subsídios atribuídos pelo IFAP no 2.º semestre de 2011, tal como se havia publicado a listagem relativa ao 1.º semestre de 2011 no dia 26/09/...2011.



No ano de 2011 o IFAP atribuiu subsídios no valor de €9.823.004,34 às empresas e membros das famílias da tauromaquia :

Ortigão Costa - 1.236.214,63 €
Lupi - 980.437,77 €
Passanha - 735.847,05 €
Palha - 772.579,22 €
Ribeiro Telles - 472.777,55 €
Câmara - 915.637,78 €
Veiga Teixeira - 635.390,94 €
Freixo - 568.929,14 €
Cunhal Patrício - 172.798,71 €
Brito Paes - 441.838,32 €
Pinheiro Caldeira - 125.467,45 €
Dias Coutinho - 389.712,42 €
Cortes de Moura - 313.676,87 €
Rego Botelho - 420.673,80 €
Cardoso Charrua - 80.759,12 €
Romão Moura - 248.378,56 €
Brito Vinhas - 53.686,78 €
Romão Tenório - 283.173,89 €
Sousa Cabral - 318.257,79 €
Varela Crujo - 188.957,35 €
Assunção Coimbra - 330.789,44 €
Murteira - 137.019,76 €


Andam os canis municipais a matar cães e gatos porque não têm mais espaço para os acolher e há 10 milhões de euros aplicados na tourada só no ano de 2011? As associações vivem de CARIDADE! Tal como os velhotes que nem têm dinheiro para pagar os medicamentos com a porcaria de reforma que recebem!



Este Verão vamos ver mais e mais florestas a arderem porque as câmaras não têm subsídios para a limpeza das mesmas, e Portugal não tem dinheiro para comprar helicópteros. Andam as esquadras da polícia podres e os carros enfiados em garagens porque não há fundos para os arranjar.



Andam as crianças a ir para a escola sem tomar o pequeno almoço porque há famílias que só têm dinheiro para pagar as rendas, para não dormirem na rua. Foram cortados subsídios de Natal para ajudar a pagar a dívida portuguesa ao estrangeiro.


Não há dinheiro para nada mas há 10 MILHÕES DE EUROS para a tauromaquia só num ano?"



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Chamar a isto arte seria para rir... senão fosse trágico.


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Caro leitor: Não seja cobarde e assuma-se como Pessoa Civilizada que diz ser. No caso da tauromaquia não pactue com barbaridades medievais. Dê o primeiro passo: recuse-se a ir ver espectáculos tauromáticos, por exemplo. Se todos nós aderíssemos a esta ideia... isso é que seria um belo espectáculo: ver uma praça de touros deserta de público.







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Solidariedade institucional







Não sei porquê o visionamento deste pequeno vídeo fez-me lembrar dois elementos dos dois grandes partidos do "arco do poder" do nosso País (PS e PSD)a comerem do mesmo tacho (Orçamento).



Nota: Desde já apresento as minhas desculpas ao cachorro e ao pássaro por estar a compará-los com políticos portugueses. Não tive intenção de ofendê-los (aos animais).



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ACONTECEU

 
 
EUA - Faleceu Scott Mackenzie (1939/2012). Passou, no panorama musical na década de 60, como um dos autores e intérprete da mais que famosa música "San Francisco", que rapidamente se tornaria no hino da contra-cultura do movimento hippie (1967).







Ao ler o óbito deste cantor lembrei-me de, na altura em que esta canção era presença permanente na rádio ter visto, numa tarde domingueira, quando me preparava para ver uma matiné no cinema Gil Vicente (ou Manuel Rodrigues, já não me recordo bem), em Lourenço Marques, aparecerem dois jovens engravatados e cada um deles com uma flor na orelha. Alvos de chacota de muita gente ali presente (até eu mandei umas "bocas", armado em marialva), o par de jovens não cedeu e entraram no cinema sem terem retirado as flores. Fizeram jus à canção. Hoje pergunto-me onde estarão agora esse par de jovens na altura.


 
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Paquistão - Uma criança cristã, de 11 anos, foi acusada do crime de blasfémia, no Paquistão, acusada por um clérigo muçulmano de ter queimado folhas do Alcorão. A criança, que sofre de perturbações mentais, arrisca-se a prisão perpétua ou a ser condenada à morte.


 
Posteriormente a Polícia acabou por deter o clérigo muçulmano que acusara a referida criança, pois teria sido este a queimar as referidas páginas do livro sagrado e colocá-las nos pertences da criança, para criar um movimento de onda repulsiva anti-cristã.  

 
 
Uma pergunta ingénua: e não se pode extreminar o tal clérigo? Por exemplo, por "lapidação religiosa": enterrá-lo só com a cabeça de fora e atirar-lhe bíblias ao toutiço, até ele arranjar guia de marcha para ir ter com as 72 virgens paradisíacas.
 




 
 
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África do Sul - O Ministério Público sul-africano deteve e acusou 270 mineiros pela morte de 34 camaradas laborais, que foram mortos pela Polícia numa repressão grevista. Baseou-se numa lei do tempo do apartheid e não revogada que é a da "intenção comum" que criminaliza quem participa em manifestações que acabem com mortos. Espantoso mundo este em que vivo.


 
Uma pergunta ingénua: e se tudo isto se tivesse passado no tempo dos governos do apartheid? Não ouvi, como então ouvia, coros de protesto por este mundo fora. Se fossem brancos a mandar matar pretos eram nazistas, mas se forem pretos a mandar matar pretos... bom, vamos lá estudar a situação. Até dá para invocar as estúpidas leis do apartheid.  
 
 
 
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DECLARAÇÃO DE INTERESSES
 
 
Textos escritos em desrespeito pelas novas normas do Acordo Ortográfico.
 
 
 
 
 
 
Todas as referências constantes na presente mensagem e que se reportem a livros, fotografias, documentários, filmes, músicas; empresas comerciais, industriais ou de qualquer outro género; associações humanitárias, de defesa ambiental, animal ou florestal, bem como nomes de pessoas são incompatíveis com intuitos publicitários de carácter comercial ou que envolvam qualquer outro tipo de permuta material. Reflectem, apenas e tão-somente, a opinião do Autor.
 
 
 
 
Todas as fotografias, documentários e filmes constantes na presente mensagem foram colhidos do Google Imagens e do Youtube. Deste modo, a sua utilização não pressupõe a concordância dos Autores dos mesmos com as opiniões constantes nos textos onde estejam inseridos.
 
 
 
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Uauhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!! Vou descansar outra vez.