"O Mundo não é uma herança dos nossos pais, mas um empréstimo que pedimos aos nossos filhos" (Autor desconhecido)
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Henry Morton Stanley

Aventureiros, viajantes e exploradores
Henry Morton Stanley - (Denbig (País de Gales), 28/01/1841 - Londres, 10/05/1904) - Jornalista e explorador. Depois de uma infância atribulada de fome e privações, sem saber dos seus familiares e passada, grande parte dela, num internato para pobres até aos 15 anos de idade, em 1859 emigra para os Estados Unidos da América, onde acaba por participar na Guerra Civil que varreu aquele País, primeiro no Exército Confederado (sulista) e, depois, desertando para o Exército Federal (nortista), onde presta serviço na Marinha de Guerra de onde acaba, também, por desertar. Abraçando o jornalismo, realiza diversas reportagens que começam a torná-lo conhecido até que organiza uma incursão ao Império Otomano (turco), onde é feito prisioneiro. Depois de liberto, sob pesado resgate, acaba contratado, em 1869, como jornalista correspondente do "New York Herald", na altura liderado por James Bennet. Fruto do misterioso desaparecimento de David Livingstone, algures na África Central  e, depois de goradas algumas tentativas britânicas de o encontrar, James Bennet ordena a Henry Morton Stanley que o tente localizar, pelo que este organiza uma imponente expedição que, em 1871, sai de Zanzibar para o interior africano levando, na sua equipa, Sidi Mubarak Bombay. A 10 de Novembro de 1871 (há quem atribua a data de 28 de Outubro), depois de percorridos cerca de mil e quinhentos quilómetros numa violenta viagem pedestre, em duzentos e trinta e seis dias, Henry Morton Stranley atinge Udjiji, na Rodésia do Norte (actual Zâmbia) e localiza, aí, David Livingstone. Ficou célebre, para a História, a sua primeira frase inquiridora, quando o avistou: "Dr. Livingstone, I presume?" . Esta simples frase, na época, representou a consagração africana de Henry Morton Stanley e, verídica ou não, a verdade é que ainda hoje ela circula nos anais, sendo repetida até à exaustão e acabando por simbolizar o atingir um objectivo final depois de muitas dificuldades, à semelhança da frase "Levar a carta a Garcia." Fica com David Livingstone algum tempo, aproveitando para explorarem o lago Tanganica, após o que se separa do missionário e regressa à Europa. Os seus caminhos não mais voltarão a cruzar-se por falecimento de David Livingstone. Em 1874, de novo ao serviço do jornal "New York Herald" e em parceria com o britânico "Daily Telegraph" realiza uma portentosa viagem que vai unir o Oceano Índico ao Atlântico, ao tentar determinar, ao certo, o curso do rio Congo, um dos últimos grandes mistérios da geografia africana. Saído de Zanzibar, em Novembro de 1874, leva consigo três europeus - Frederik Baker e os irmãos Edward e Frank Pocoke - e cerca de trezentos nativos africanos, com a função principal de carregadores; e um barco, o "Lady Alice", este dividido em três secções para mais fácil transporte, principalmente em locais onde fosse necessário transpôr cataratas. Depois de 999 dias duma viagem, que foi outra descida aos infernos, tamanhas e tais as dificuldades que ele e os que findaram a mesma tiveram de enfrentar (fome, frio, calor tórrido, combates com gentios hostis, doenças, traições, deserções de carregadores e de equipamento, toda a espécie de animais, principalmente os venenosos) a 09 de Agosto de 1877, Henry Morton Stanley atinge Boma, um posto situado no (então) Congo português. Tinha conseguido levar ao fim o seu propósito, mas deixando no caminho, por terem falecido, os outros europeus que consigo tinham iniciado a viagem, bem como mais de dois terços dos nativos, na maior parte por deserção ou morte. No decurso da mesma provara que o lago Tanganica não era a nascente do rio Nilo e determinara que, daí, partia o rio Lukuga, afluente do rio Lualaba e que este era, afinal, o mítico rio Congo; bem com tinha circum-navegado o o lago Tanganica e descoberto o rio Shimeeyou. Estava resolvido o mistério do rio Congo, desde a sua nascente à foz e a ciência geográfica africana conquistava mais pontos. (Sobre esta viagem existe uma reconstituição recente feita pelo jornalista Tim Butcher, a que já aludi anteriormente, e que deu origem ao livro "Rio de sangue", da sua autoria). De Boma regressa a Zanzibar, agora via marítima e, daí, retorna a Londres, onde é recebido com as honras apenas devidas a heróis nacionais. De seguida, em 1879, presta os seus serviços ao Rei Leopoldo II, da Bélgica, um dos maiores predadores de terras africanas que há memória, criador do Estado Livre do Congo (futuro Congo Belga e actual República Democrática do Congo), território imenso este que não passava da coutada real africana.  Ainda ao serviço deste Rei belga, Henry Morton Stanley organiza, em 1886, uma expedição de socorro ao Emir Pascha, Governador sudanês e, no regresso desta expedição, descobre o lago Edward (1888), pertencente à cadeia dos Grandes Lagos Africanos. Esta expedição trouxe inúmeros amargos de boca para este explorador pois, para além da mesma não ter atingido, no pleno, os seus objectivos também, se bem que eventualmente à sua revelia (nunca se apurou ao certo) no regresso da expedição foi comprada, por europeus que a integravam, uma rapariga com cerca de 12 anos de idade e entregue a mesma a canibais, que a cozeram e a comeram, tendo tal acto sido documentado pelos europeus, para verem como os canibais se comportavam neste acto antropófago. Nos seus últimos anos de vida, passados em Londres, ainda exerceu funções de deputado, no Parlamento, tendo sido condecorado como "Cavaleiro da Ordem do Banho" (1899). Publicou diversos livros, entre os quais "As minhas primeiras viagens", "Aventuras na América e na Ásia", "Como eu encontrei Livingstone" e "Viagens, aventuras e descobertas na África Central", este último já por mim referido anteriormente. Passou à História como um dos mais importantes exploradores do continente africano (e foi-o sem dúvida alguma), a par dum David Livingstone ou Richard Burton (entre outros).  No entanto, fruto dos tempos que atravessou, da mentalidade vitoriana e das dificuldades que viveu, era cruel, despótico e não olhando a meios para atingir os seus fins, escravizando os negros em trabalhos forçados e fazendo jus ao seu cognome africano, o "Bula  Matari" (traduzido:"o que parte pedras"), do qual tinha bastante orgulho e que foi colocado na sua lápide.

Nota: Os nomes sublinhados reportam-se a pessoas já por mim biografadas anteriormente. 

Livro

Agostinho da Silva (1906/1994), poeta, ensaísta, professor e filósofo, foi um homem multifacetado, que viajou por várias partes do mundo, mas a sua principal formação deveu-se às escolas que frequentou em Portugal, na França e no Brasil, sendo este último País o da sua eleição, onde ele dizia que o "brasileiro era o português à solta". Pedagogo de primeira água, na década de 40 editou, por sua iniciativa e em Lisboa, os "Cadernos de Informação Cultural", quinzenário popular onde, numa escrita simples e acessível a qualquer leitor de formação escolar primária, divulgava todo um saber polivalente duma enciclopédia em pequenos cadernos a custo reduzido. É sobre estes cadernos que, não em livro mas mais em jeito de sebenta, que falo sobre a publicação de dois trabalhos biográficos saídos da pena deste mestre, que são: "As viagens de Livingstone" (Edição do Autor, Lisboa, 1944, 32 págs.), no qual aborda a saga de David Livingstone por África e "As viagens de Stanley" (Edição do Autor, Lisboa, 1942, 20 págs.), referentes a Henry Morton Stanley, acima referido. Não sendo duas obras de referência para historiadores de peso não deixa, no entanto, de ser interessante a sua leitura, até para nos apercebermos como se aprendia na quela altura.

Disco

Adoro ouvir músicas da autoria de Hans Zimmer (1957), compositor alemão que tem feito a banda sonora de inúmeros filmes (contei uma quinzena). Destaco aqui a banda sonora dos filmes "Tears of the Sun" e "Mother Africa - the power of one", metragens estas que se reportam à temática africana. Em audição permanente no Youtube, a qualquer hora do dia ou da noite, num computador perto de si. 

Filme

Nestes dias frios que, felizmente, se vão instalando nas nossas terras, nada como avassalar-me à bendita preguiça e prazenteirar-me, semi-deitado no sofá, saboreando um café quente e revendo um bom velho filme como, por exemplo, o "Dr. Jivago". É um dos filmes da minha vida. Acho mesmo que já não se fazem filmes como este (lá vem a conversa de velho). Bom, mas o "Dr. Jivago" é um filme que dá gosto rever. Baseado na obra de Boris Pasternak e realizado pelo Mestre David Lean e com os principais papéis magistralmente desempenhados por Omar Sharif (que saudades) e Julie Christie (que sonho), com uma banda sonora fabulosa composta por Maurice Jarre, retratando uma história de amor em tempo de revoluções e guerras, são 190 minutos de puro e orgásmico prazer.

Gostei

Manoel de Oliveira completa a bonita idade de 103 (isso mesmo - 103) anos no próximo Domingo (11 de Dezembro) e tenciona, no ano que se avizinha, rodar mais um documentário e uma longa-metragem. Lembro-me de, meio a a sério meio a a  brincar, há muitos anos dizer aos meus filhos: "se não comerem a sopa ponho-vos a ver um filme do Manoel de Oliveira" e eles, no gozo, engolirem-na a todo o vapor. Independentemente de gostarmos ou não dos seus filmes, a verdade é  que a assiduidade laboral deste decano mundial dos realizadores cinematográficos é um exemplo para todos os nós. Porque parar é morrer. Parabéns e obrigado, Manoel de Oliveira. Domingo, haja sopa ou não, vou ver "Non, ou a vã  glória de mandar".   

Lembro-me de, em rapaz, haver uma piada bacoca que se lançava às raparigas magras que passavam na rua e sobre as quais se comentava "Aquela não passava por Guimarães". Durante o meu tempo de rapazola nunca percebi o sentido desta frase até que, mais tarde (daaaahhhh) vim a saber que a cidade-berço era famosa pelas suas múltiplas fábricas de cutelaria e que, no antigamente (e ainda hoje) os cabos dos talhares eram feitos a partir de ossos. Daí a piada(?) à magreza das mulheres, de apenas terem pele e osso.  Era o tempo da "chicha pura, que gordura é formusura". Leio hoje (DN Globo) que talhares vimaranenses estão a ser exportados para todo o mundo, fruto do aperfeiçoamento de novas tecnologias, desenho e materiais. Fico satisfeito. E também por ver que as mulheres magras continuam a passar nas ruas. Afinal, foi  mais um mito da minha adolescência que feneceu. Antes isso que as magras.

Lamento

Toda a história rocambolesca do dito "Estripador de Lisboa", vinda a lume ultimamente. Nada mais há a acrescentar para além do que já foi escrito, por exemplo, por José Pacheco Pereira na sua crónica titulada "A miserável história falsa do estripador" (Sábado, nº 397), com a qual concordo na íntegra. Foi tudo lamentável: o pai mitómano, o filho feito bufo de pacotilha na vã glória duns minutos "andywharolianos", a jornalista de ar intelectualóide feita numa "expert de serial killers" (foi mesmo "loira"), o jornal a parangonar o que as autoridades não tinham descoberto em vinte anos, as televisões a comerem-se na abertura dos noticiários, pondo os pivots a pavonearem-se e, no final de toda esta linha de montagem de tristes figuras... todos aqueles parvos anónimos que, sedentos de histórias macabras que metam sangue e sexo, ficam ávidos a verem as notícias e dando palpites morais e judiciais. Sem perceberem nada do assunto.

Recomendo

A leitura (e não só mas também a aquisição) da revista mensal "National Geographic Portugal", da qual sou leitor assíduo há muito tempo. Um espectáculo de revista, com informação rigorosa, fotografias fabulosas, escrita num português fluente, sem gralhas e com uma apresentação muito cuidada, a começar pela capa. Através desta revista, que reputo do melhor que há em Portugal, viajo pelo Mundo sem erros de navegação. Custa o mesmo que um maço de tabaco e não prejudica a saúde. Pelo contrário.

Nota: Esta recomendação é puramente opinativa, não sendo subjacente à mesma qualquer intuito publicitário remunerado, pelo que a mesma não pode ser usada  para outros fins.

Associação

Não sendo uma associação não deixo de falar no gatil/canil da Câmara Municipal de Lisboa. Lembro-me de, há muitos anos, ter visitado o mesmo que, se não me falha a memória, ficava para os lados do Campo Grande. Lembro-me dos animais estarem em péssimas condições de "sub-sobrevivência" e de falar-se de passarem fome. Não havia verbas ou havia falta de sensibilidade dos responsáveis de então. Visitei as instalações actuais, em Monsanto e... saí de lá com dois rafeirolas que vieram aumentar o meu agregado tribal. Pelo que reparei, os animais estavam tratados e, dentro do possível, em condições sanitárias e de espaço aceitáveis, imperando a higiene. Não sendo um especialista em ambiente animal, esta mudança de localização e novas instalações, para o que era é, para mim, um exemplo de grande avanço civilizacional (como está na moda agora dizer-se). Pode-se adoptar gratuitamente animais, dentro de certas regas e a Câmara oferece a identificação electrónica (chip), bem com o a desparazitação e esterelização. Que Diabo, para quê comprar um animal quando se pode ter um de borla?  E há-os para todos gostos e feitios. Mas é bom lembrarmo-nos que um animal adoptado é... para toda a vida. Dele ou nossa. Porque há duas coisas na vida que nunca devemos trair: o nosso animal de estimação e o nosso clube desportivo. Tudo o mais... logo se vê.

Imbecilidades

Não acreditei e tive que reler. O Presidente da Coreia do Sul, o sr. Lee Myung-Back, vai usar cuecas térmicas no Inverno, como forma de contribuir para a poupança de energia do País (???) e até já comentou que o uso das mesmas lhe causou um desconforto inicial (Sábado, nº 397). Mas... isto de usar cuecas dá direito a comentários presidenciais? Será que não acontece nada de importante naquele País? Não sei porquê, lembrei-me do nosso Venerando Chefe de Estado a comentar o olhar meigo das vacas, numa visita que fez aos  Açores. Pois eu, à boa maneira "tuga", também vou dar o meu contributo "cuecal" para a poupança de energia no meu País. Tenho uma solução magistral. Não, não vou usar as ditas térmicas - que são mais caras (nem as encontro "marteladas" na Feira do Relógio ou de Carcavelos) e produzem um aumento de emissões de carbono (é bonito dizer isto, não é?). E qual é a solução? Simples: peido-me. É ecológico, calorento e biodegradável. E, num esforço nacional, a todos clamo, plagiando  distorcidamente uma frase comunista: "Portugueses de todo o Mundo, peidai-vos." 

"Um alemão quer multar Bento XVI por não usar cinto no papamóvel." (Sábado, nº 397). Só pode ser mesmo por gozo. Porque senão... voto nele para "Imbecil 2011".

Uma pergunta

Leio (DN Economia) que o calçado português está na moda, respira saúde e exporta-se bem e que até mulheres como Michele Obama e Paris Hilton usam-no. Da Michele Obama não tenho dúvias mas... uma pergunta: será que a Paris Hilton sabe para que servem os sapatos? Não correrá o risco de confundir o salto com um vibrador manual e o corpo do sapato com um copo? 

Aconteceu

A Gulbenkien e o Centro Nacional de Cultura homenagearam, no passado dia 06 de Dezembro, Gonçalo Ribeiro Teles, 89 anos duma vida cheia. Mais que justa a homenagem a este arquitecto paisagista, professor, político, pensador e pedagogo mas, acima de tudo, um ecologista defensor intransigente do equilíbrio entre o Homem e a Natureza. A ele devemos a existência de reservas agrícolas e ecológicas, os jardins da Gulbenkian e de Amália Rodrigues (ambos em Lisboa), entre muitas outras coisas. Mas, acima de tudo, todos nós lhe devemos a pedagogia de nos ter ensinado a coragem duma postura vertical na defesa de princípios e valores importantes. Que falta nos fazem Homens deste quilate.

Está a acontecer

A vila de Óbidos volta a recriar a Vila Natal, à semelhança do ano passado. O evento durará de hoje (08 de Dezembro) a 03 de Janeiro próximo. Uma excelente oportunidade de voltarmos aos nossos tempos em que a inocência ainda não estava perdida.

Vai acontecer

Entre os dias 11 e 18 de Dezembro corrente o Bairro Alto, em Lisboa, comemora com diversos eventos os seus 498 anos de existência oficial. Nasceu a 15 de Dezembro de 1513.

Três arquitectos - Siza Vieira, Souto  Moura e Alcino Soutinho - recebem um doutoramento "honoris causa" pela Universidade de Aveiro, no próximo dia 15 de Dezembro. Para os mais distraídos: são três consagrados arquitectos a nível mundial. Novamente para os mais distraídos: são portugueses.

Memória da semana

06/12/1185 - Morre, em Coimbra, D. Afonso Henriques, o "Pai da Pátria".

07/12/1924 - Nasce, em Lisboa, Mário Soares. Opositor, desde a década de 40, do Estado Novo, após a instauração da democracia, exerceu os cargos de Ministro, Primeiro-Ministro e Presidente da República, para além de ter sido parlamentar nacional e europeu. Figura incontornável da História de Portugal na segunda metade do século XX, ainda hoje exerce, no pleno, o seu direito de cidadania. A ele se deve, fundamentalmente, o ter contribuído para evitar que o País resvalasse para uma nova ditadura, no decurso do PREC, responsabilidades na descolonização e a entrada de Portugal na CEE (actual União Europeia).

08/12/1720 - É fundada, por D. João V, a Academia Real de História, em Lisboa (actual Academia de Ciências de Lisboa).
08/12/1894 - Nasce, em Vila Viçosa, a poetisa Florbela Espanca. Tendo-se voluntariado na morte aos 36 anos, depois duma vida atribulada e de sofrimento, toda a sua obra poética foi compilada por Guido Batelli num volume que titulou de "Sonetos completos", quatro anos após o seu passamento. Das várias homenagens que lhe têm sido efectuadas ao longo dos tempos, destaco a dos "Trovante", que musicaram um poema seu: "Ser poeta".

Foi dito

"Os que morreram antes de Cristo nunca o souberam." (anónimo).

"Antes morrer livres que em paz sujeitos." .Frase que, sendo presentemente o lema oficial da região Autónoma dos Açores, foi escrita por Ciprião de Figueiredo, corregedor daquele arquipélago, numa carta que, em 1582, endereçou ao Rei Filipe II de Espanha (I de Portugal) recusando, deste modo, submeter-se à soberania castelhana.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

David Livingstone

Aventureiros, viajantes e exploradores:
David Livingstone - (Blantyre (Escócia), 19/03/1813 - Chitambo (Rodésia do Norte - actual Zâmbia), 01/05/1873) - Missionário, médico e explorador africanista. Tendo feito os seus estudos em Glasgow, em Setembro de 1838 é aceite na Sociedade Missionária de Londres (London Missionary Society) e, dois anos depois, a 20 de Novembro, é ordenado missionário na Albion Saint Chapel, nesta mesma cidade. A 08 de Dezembro de 1840 embarca no navio "George" com destino a África. Após a sua chegada à cidade do Cabo ruma para Norte e, em 1842, instala-se numa missão religiosa em Matosa, a cerca de trezentos quilómetros de Kuruman, nas margens do rio Limpopo, junto do povo bechuana. Numa caçada quase que perde a vida quando um leão o ataca e lhe fractura um braço. Casa-se em 1845, com Mary Moffat, filha de Robert Moffat e que o tratara do ferimento causado pelo leão e, em 1840,  acompanha dois caçadores ingleses (William Oswell e Mungo Murray) à região do Kalaári onde, segundo relatos de nativos, existia um grande lago. A viagem foi um pesadelo, onde quase morreram de sede, para além de terem enfrentado toda a espécie de adversidades, tais como ataques de cobras, leões e elefantes. A 01 de Agosto desse mesmo ano atinge o lago Ngami, na Bechuanalândia (actual Botswana), sendo os primeiros europeus a terem atingido tal zona, pelo que acabou condecorado pela Real Sociedade de Geografia de Londres, por tal facto exploratório. Em 1851 instala-se na região dos macololos, explora a região do rio Zambeze e, pela primeira vez ouve, dos nativos, relatos da existência dumas quedas de água nesse mesmo rio, a que chamavam de "Mosewatunya". No ano seguinte regressa à cidade do Cabo, onde embarca a mulher e os quatro filhos que já tinha na altura, para Inglaterra. Entre 11 de Novembro de 1853 e 31 de Maio de 1854 David Livingstone explora e liga o interior africano até à costa oriental africana. Em 1854 é condecorado pela Sociedade de Geografia da França e a Universidade de Glasgow atribui-lhe o grau de Doutor. Inicia o seu projecto de ligar, a pé, o continente africano de costa a costa, o que vem a conseguir ligando Luanda a Quelimane e descobrindo as famosas cataratas "Mosewatunya", que rebaptiza com o nome de "Victoria Falls", em homenagem à sua Rainha Victoria, jornada esta iniciada e concluída entre 03 de Novembro de 1855 e 20 de Maio de 1856. Esta proeza leva a Real Sociedade de Geografia de Londres a condecorá-lo com a Medalha de Ouro(Patron´s Gold Medal), tornando-se no primeiro europeu a conseguir tal descoberta. Em 1856 retorna a Inglaterra, coberto de glória, reunindo-se à sua família e, em finais do ano seguinte, publica o seu livro "Missionary travels and researches in South Africa". Volta a África em 1858, agora como explorador encarregado de cartografar as vastas regiões do rio Zambeze e tentar rasgar caminhos que permitissem abrir rotas comerciais. Efectuou novas viagens, de carácter exploratório e religioso ao longo dos rios Zambeze e Chire, tendo atingido e explorado o lago Niassa (1861). No ano seguinte morre a sua mulher e, em 1864, torna a Inglaterra, onde repousa durante dois anos. Regressa a Zanzibar, financiado pela Real Sociedade de Geografia de Londres, a fim de iniciar novas explorações nas zonas dos Grandes Lagos Africanos e para tentar descobrir as misteriosas nascentes do rio Nilo, naquilo que era considerado o maior desafio do século para qualquer explorador africano. Em Abril de 1867 atinge o lago Tanganica e, no ano seguinte, a 18 de Julho, descobre o lago Bangwelo. A 14 de Março de 1869 estabelece-se em Udjiji, juntao ao lago Tanganica, na Rodésia do Norte (actual Zâmbia). Efectua novas missões exploratórias até que é dado como desaparecido no interior africano, durantes largos meses, originando a criação duma expedição financiada pelo jornal norte-americano "The New York Herald", chefiada por Henry Morton Stanley, expedição esta que vem a localizar David Livingstone em Udjiji, em 28 de Outubro de 1871. Ficou célebre esse encontro entre os dois exploradores, cujo relato correu mundo, com a  célebre pergunta: "Dr. Livingstone, I presume?".  Durante largos meses os dois exploradores percorrem as zonas adjacentes ao lago Tanganyka, até que Henry Morton Stanley regressa, deixando David Livingstone para trás, pois este não queria regressar à Europa, enquanto não encontrasse as nascentes do rio Nilo, a sua grande obsessão. Envelhecido e doente, tomado por febres, David Livingstone continua a sua busca obsessiva, sem êxito, até que a morte o colhe em Chitambo. Tornou-se, juntamente com Cecil Rhodes, num acérrimo adversário dos portugueses, se bem que por motivos diferentes e a quem os apodava de "negreiros divulgadores de sífilis" . Criticava abertamente a escravatura, que classificava como uma praga da humanidade, tendo lutado abertamente contra o tráfico negreiro o que também lhe granjeou inúmeros inimigos. Os seus restos mortais, foram mumificados e trazidos de Chitambo para Zanzibar, pelos seus fiéis criados James Chuma e Abdullah Susi, dois african-bombays*, numa viagem fúnebre que durou nove meses. Cruzaram-se em Bagamoyo, no Tanganica (actual Tânzania), com a expedição do explorador Vernon Cameron, que fora enviada a ter com David Livingstone e acabaram surpreendidos com a notícia do seu passamento. Este brilhante explorador e missionário que, a par com James Booth, foi um dos primeiros europeus a defender intransigentemente os direitos humanos das gentes africanas e que baseava que o desenvolvimento dos mesmos assentava no princípio dos "Três C - Crsitianismo, Comércio e  Civilização", repousa na Abadia de Westeminster, em Londres, para onde foi trazido com honras de funeral de Estado, no ano seguinte à data da sua morte.

*African-Bombays - Palavra inglesa que se reportava a todos os nativos africanos que, trabalhando como escravos na zona do Oceano Índico, eram resgatados pela Marinha Britânica, nas perseguições que desencadeavam contra os esclavagistas, quer nos barcos negreiros, quer em plantações ilhéus ou na placa continental. Após o resgate, esses escravos eram levados para Bombaim, na Índia Britânica, onde eram integrados em áreas agrícolas e, posteriormente, já libertos da sua anteriuor condição, por ali ficavam ou retornavam a África. O mais famoso "african-bombay" foi Sidi Mubarak Bombay.

Livro:
"David Livingstone - Viagens de exploração no Zambeze e na África Central" , de Júlio da Gama (Livraria Universal de Magalhães & Moniz - Editores; Porto; 1880; 181 págs.). Trata-se do relato das viagens que o explorador David Livingstone efectuou na África Austral e bacia do Zambeze, entre 1840 e 1864 e na África Central (do Niassa ao Alto Congo), entre 1866 e 1873.

Disco:
Morreu o cineasta Ken Russel. Dele fica-me a memória de ter dirigido o videoclip "Nikita", magistralmente cantado por Elton Jonh. Um videoclip muito inteligente, que não precisou de ser legendado para, em qualquer parte do mundo visse quem o visse e falasse a língua que falasse, se percebesse o sentido da letra da canção romântica.

Exposição:
"25 anos de aquisições e doações" é uma exposição que exibe centenas de peças adquiridas ou doadas, com especial relevo para os artigos que foram pertença da nossa Casa Real, tais como jóias, pinturas, cerâmicas, ourivesaria, tecidos, móveis e aguarelas, entre outros. No Palácio Nacional da Ajuda (Lisboa), entre os dias 06 de Dezembro próximo e 06 de Abril de 2012.

Lamento:
Um homem esqueceu-se duma mala contendo 1,4 milhões de euros num restaurante (Sábado,pág. 33). Lamento não ter sido eu a encontrá-la.

Recomendo:
Uma ida à Feira de Velharias de Algés, que se realiza todos os quartos domingos do mês, durante o dia todo. Idêntica à Feira da Ladra lisboeta, mas com a vantagem de ser em terreno plano, num jardim, com bastante arvoredo que projecta frescura, bancos para descanso e bar com esplanada no centro da feira, para se tomar algo.

Imbecilidades:
A Comissão de Promoção da Virtude e Prevenção do Vício, na Arábia Saudita, pretende a promulgação duma lei que obrigue as mulheres a andarem com os olhos cobertos se estes forem considerados muito bonitos e, por isso mesmo, sensuais (Sábado, pág. 30). Estou de acordo. E até digo mais: estou a pensar escrever-lhes a sugerir que as mesmas sejam proibidas de sairem de casa se estiverem menstruadas, suadas ou banhadas. Não vá o cheiro das feromonas atazanar as pobres cornetas daqueles desgraçados beduínos púdicos. Francamente. Não há pachorra.

Uma pergunta:
Uma mulher foi "...violada com violência..." (Sábado, pág. 36). Como será uma violação pacífica?

Vai acontecer:
Em Oeiras, lançamento do livro póstumo "Memórias do Oriente - Índia, Timor e Moçambique", de Dias Antunes. No Palácio Verney, dia 06 de Dezembro próximo, pelas 15H00.

Uma oportunidade para ver um espectáculo da espectacular Áurea. No dia 25 de Dezembro próximo, pelas 22H30, no Casino de Lisboa. E, cereja no topo do bolo, não se paga bilhete. Melhor prenda de Natal é difícil.

Está a acontecer:
Em Skopje, capital da Macedónia, estão-se a plantar 5,7 milhões de pinheiros (Sábado, pág. 36). Para variar, o Natal serve de justificação a uma boa causa. Para variar do atentado ecológico que se teima em perpetuar, em nome da paz e harmonia universal, em ceifarem milhões de jovens árvores que serviriam para despoluirem as cabeças dos cabeçudos que as cortam.

Aconteceu:
Os "hackers" do auto-denominado grupo "LulzSec Portugal" atacaram o sistema informático ligado à PSP e divulgaram ,publicamente, dados pessoais de polícias. Também atacaram o sítio do Parlamento e do Hospital  da Cruz Vermelha, bem como já entraram noutros sítios do Estado e ameaçaram não se ficarem por aqui, indo assestar as baterias a bancos e empresas. Bom... e quando é que os gestores/administradores desses sítios se resolvem a abrir os cordões à bolsa e mandarem instalar sistemas de segurança eficazes para protegerem os bancos de dados? É que esses sistemas já existem. Não dando uma garantia a cem por cento dão-na, no entanto, numa percentagem muito elevada. É puro acto de negligência criaram bancos de dados confidenciais e não os protegerem como deve de ser. E não vale a pena virem para a imprensa vociferarem contra os "hackers". Eles existem e vão continuar activos e vivos.

Mas não é só neste jardim à beira-mar plantado que os "hackers" atacaram. O grupo "Teampoison" atacou, informaticamente, as Nações Unidas e divulgaram as palavras-chaves de mais de mil endereços electrónicos de funcionários daquela organização. Como protesto contra a inactividade da ONU em muitas situações trágicas de conflitos que assolaram várias partes do mundo.

E lá continua o folhetim "Isaltino Morais". Já cheira mal tanto atraso nas decisões judiciais. Agora o Tribunal da Relação indeferiu mais um requerimento do arguido e ainda existem pendentes mais dois recursos. Mas será que é difícil os Juízes trabalharem um pouco mais e tomarem decisões rápidas. Nem que seja para justificarem o vencimento. Decidam-se, porra.

Outro folhetim judicial que se arrasta é o de "Vale e Azevedo". Já nem me lembrava dele. Lá continua em Londres, a aguardar que os magestosos Juízes de Sua Magestade se decidam, favoravelmente ou não, sobre o terceiro mandado de captura europeu que a Justiça de cá emitiu. Porra, decidam-se.

E, na Noruega, consideraram o Anders Breivik chanfrado ou, como se deve dizer politicamente correcto, como sofrendo de "esquizofrenia paranóide", pelo que não pode ser condenado por ter morto 77 pessoas. Pois, então, como ele não joga com o baralho mental todo, é inimputável e vai ter direito a tratmento psiquiátrico. Que pena não se ter cruzado com uma bala perdida. E não se pode condená-lo a ouvir, até ao fim da vida, ininterruptamente o "Paranoid" dos Black Sabath?

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (?), só no mês de Outubro passado a floresta amazónica foi desflorestada em 385,5 quilómetros quadrados. No mês anterior tinha sofrido uma razia de 253,8 quilómetros quadrados. Eu não sei se podemos culpar só os políticos brasileiros. Coitados... afinal, eles descendem de nós. Talvez, por isso, se possam considerar inimputáveis.

Na Argentina uma professora entregou aos alunos uma "pen" com material didático de biologia mas que, por lapso, tinha também gravado uma cena de sexo explícito em que ela participava activamente e que, por esquecimento, não a desgravou. Que sorte daqueles alunos. E não percebo porque é que os pais ficaram indignados. No meu tempo da primária (já lá  vão 50 anos) também tínhamos cenas de sexo. Era quando não sabíamos a tabuada ou não fazíamos os trabalhos de casa e a professora (ainda me lembro dela, a D. Maria Emília) mandava baixarmos os calções e, no estrado e de rabo desnudado virado para a turma, aplicava-nos umas reguadas no dito cujo com a "menina dos olhos", que era uma grossa régua de madeira. Democraticamente tocava a todos os  faltosos. Ainda vi uns bons pares de cus de infelizes colegas meus da desgraça. E choravam. Sim, porque isto de apanhar no cu, ao que dizem, faz doer.

Efemérides da semana:
29/11/1874 - Nascimento de Egas Moniz, neurocirurgião português, Prémio Nobel da Medicina.
30/11/1609 - O astrónomo italiano Galileu Galilei observa a face da Lua, pela primeira vez com um telescópio por si construído e faz um desenho desta sua observação.
30/11/1874 - Nascimento de Winston Churhill, político britânico, Prémio Nobel da Literatura.
30/11/1935 - Falecimento de Fernando Pessoa, poeta português.

Foi dito:
"Em nossa casa comíamos "à la carte". Aquele que tirava a Ás de Espadas, comia." Woody Allen, cineasta norte-americano. 

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Livro:
Tim Butcher (1967) é um jornalista britânico que, após ter estado como correspondente do jornal "Daily Telegraph" durante quatro anos em África, resolveu encetar a reconstituição da lendária viagem que, no século XIX, Henry Morton Stanley (1841/1904) fez pelo rio Congo, no sentido Este/Oeste, tendo sido uma das viagens mais fascinantes levadas a cabo e só conseguida devido à vontade indómita e inquebrável de Henry Morton Stanley que tudo venceu, desde doenças, ataques de animais quer terrestres quer fluviais, traições, morte dos seus lugar-tenentes, revoltas do seu pessoal, combates com tribos inimigas, o percurso dum rio desconhecido que foi tentando mapear, a solidão, a fome, enfim, tudo o que se possa imaginar coube nesta epopeia que ocorreu entre 1874/1877. "Primus inter pares", Henry M. Stanley, independentemente das motivações económicas, aventureiras ou militaristas que o levaram a cruzar África em múltiplas direcções, quer ao serviço de interesses colonialistas europeus (a criação do Estado Livre do Congo, como feudo privado do Rei Leopoldo I da Bélgica), de glória pessoal e pura aventura (localização do outro lendário Dr. Livingstone, na actual Zâmbia, onde nasceu a celebrada pergunta "Doctor Livingstone I presume?") ou a missão militarizada de apoio ao Emir Pascha, no sul do Sudão, para a História ele fez mais que jus ao cognome com que ficou conhecido: "Bula Matari"  que traduzido significa "O que parte pedras". Ora bem, é sobre a odisseia desta viagem pelo rio Congo que recomendo a leitura de dois livros sobre a mesma. O primeiro foi escrito na primeira pessoa pelo próprio Henry M. Stanley e tem por título "Através do continente negro ou as nascentes do Nilo, circum-navegação dos Grandes Lagos da África Equatorial e descida do rio Livingstone ou Congo até ao Oceano Atlântico". (Mendonça & Irwin, Empresa Editora, Lisboa, 1880, Volume 1 - 366 págs.; Volume 2 - 424 págs.; Volume 3: 339 págs. e mapas). O segundo livro sobre esta viagem fluvial foi escrito por Tim Butcher, com o título "Rio de sangue - uma aventura apaixonante no coração de África" (Bertrand Editora, Lisboa, 2009, 383 págs.), no qual o jornalista efectua, em finais do milénio passado, o mesmo percurso que Henry M. Stanley fizera pouco mais de um século antes. O interessante, ao lerem-se ambas as obras, é comparar África num salto temporal que mediou cem anos e comparar as amplitudes evolutivas (ou não) nesta parte central do continente africano, quer nos povos, quer nas mentalidades, quer na devastação ecológica.

Documentário:
Hugo van Lawick (1937/2002) foi um dos mais importantes fotógrafos e documentaristas sobre a vida selvagem africana, onde se iniciou em finais da década de 50. Travou amizade com o lendário paleontólogo Louis Leakey (1903/1972) que o apresentou a Jane Goodall (1934), a lendária especialista em chimpanzés. Com ela terçou amores e documentários sobre estes primatas. Um dos grandes amores da sua vida profissional foi o Parque Nacional do Serengueti, na Tanzânia, onde ficou sepulto no mesmo local onde durante décadas teve a sua tenda montada. Daí a minha recomendação para se ver, da sua autoria, "A sinfonia do Serengueti", um filme de 80 minutos sobre um dos mais belos ecossistemas da vida selvagem africana, com cerca de 30.000 quilómetros quadrados de área.

Exposição:
"Frida Kahlo - as suas fotografias", no Pavilhão Preto do Museu da Cidade, em Lisboa. Trata-se de um conjunto de 257 fotografias desta pintora mexicana que está patente até 29 de Janeiro próximo e que se subdividem em seis áreas: "Os pais"; "A Casa Azul"; "O corpo acidentado"; "Os amores de Frida"; "A fotografia" e "A luta política".

Aconteceu:
Uma mulher afegã, de nome Gulnaz, foi violada por um homem casado e, fruto disso, acabou grávida. Por ter tido relações sexuais com um homem casado, foi incriminada em adultério e condenada a 12 anos de cadeia, não tendo a legislação do seu País cuidado do acto em si ter sido contra vontade da mesma. Agora, na cadeia, onde se encontra com a sua filha, fruto da violação e que entretanto nasceu, tem hipótese de sair em liberdade antes da pena cumprida, desde que se case com o violador. Mas, se sair, pode sofrer represálias atentatórias contra a sua vida, pois quer os seus próprios familiares quer os do violador consideram que ela  desonrou o nome das famílias. É o que se pode dizer saltar do lume para a frigideira. Uma pergunta: que andamos nós a fazer no Afeganistão, há mais de dez anos? Uma meditação: e ainda nos queixamos nós da nossa crise.

Uma mulher paquistanesa, de nome Asia Bibi, camponesa e católica, no seu País, foi buscar água quando trabalhava no campo. Logo ali foi acusada por outras mulheres, muçulmanas, de ter conspurcado a água por ser cristã. Tendo-se recusado a mudar de religião, foi acusada de blasfémia contra o Profeta do Islão e acabou sentenciada à morte, pela legislação penal paquistanesa. Admite-se que o Supremo Tribunal acabe por revogar a pena capital. Mas, clérigos radicais, já ameaçaram que se tal suceder ela correrá risco de vida, caso saia em liberdade. Uma pergunta: que andamos nós a fazer no Paquistão há tantos anos? Uma meditação: e ainda nos queixamos nós da nossa crise.
"Laços de sangue" é uma telenovela produzida pela SIC/TV Globo que venceu, no difícil mercado estadunidense, o prémio "Emmy" para a Melhor Novela Internacional. Já no ano passado foi a telenovela "Meu amor" a arrecadar idêntico "Emmy". Aprendemos bem com os brasileiros e parece que o aluno está a suplantar o mestre. Não vi nenhuma das duas (cá em casa, democraticamente, "proibi" o visionamento de telechachas) mas... não deixam de fazer bem ao nosso ego lusitano estes prémios. Num País que só sabe falar da crise.

O Parlamento Europeu e o Conselho Europeu das Mulheres Empresárias premiou a portuguesa Sandra Correia, responsável da "Pelcor" como "Melhor Empresária da Europa 2011". Bom... repito o final do parágrafo anterior: não deixam de fazer bem ao nosso ego lusitano estes prémios. Num País que só sabe falar da crise. 

Uma dupla de jovens arquitectos portugueses, José Maria Cumbre (31 anos) e Nuno Sousa Caetano (33 anos) foram distinguidos na 5ª Edição dos Prémios de Arquitectura Ascensores Enor, em Vigo - Espanha, devido ao projecto dum bar sito no Jardim 9 de Abril, em Lisboa. Bom... repito de novo: não deixam de fazer bem ao nosso ego lusitano estes prémios. Num País que só sabe falar da crise.

Está a acontecer:
Uma greve geral, em Portugal, com as confederações sindicais UGT e CGTP juntas neste processo reinvindicativo. Independentemente das razões que lhes assistam e da disparidade do número de aderentes à greve que o Governo e os Sindicatos vão apresentar, faço uma pergunta: Porque é que os Sindicatos não pagam, dos seus cofres, aos grevistas o dia de trabalho? De certeza que muito mais gente haveria de aderir. Creio que muitos não fazem greve porque o dia de salário que lhes é descontado pesa nas despesas lá de casa. É que isto dos senhores dirigentes sindicais incitarem os trabalhadores à greve é muito bonito. Até podem ter carradas de razão e não é isso que está em causa. Mas esquecem-se dos cortes que esses mesmos trabalhadores sofrem, por Lei, por tal adesão. E que eu saiba ou calcule, aos senhores dirigentes sindicais não lhes afecta o bolso. Ou, pelo menos, podiam pagar uma percentagem do corte, escalonado na proporção dos vencimentos dos grevistas. E o controle nem era difícil: bastava os delegados sindicais confirmarem tais cortes, depois dos trabalhadores lhes exibirem a folha de pagamento no mês em que sofressem o corte.

Vai acontecer:
A fim de comemorar a candidatura do fado a Património Imaterial da Humanidade, o Museu do fado - Lisboa, a partir das 10H00 do dia 26 de Novembro corrente, vai manter as portas abertas ao público durante 36 horas, ininterruptamente.

Efemérides da semana:
Charles Darwin publica "A origem das espécies", um dos livros mais polémicos de todos os tempos, onde se teoriza a evolução gradual, através do método da selecção natural (24/11/1859)
Ocorre, em Dallas - EUA, o assassinato do Presidente Jonh F. Kennedy (22/11/1963)

Disseram:
 "Comemora-se em todo o País uma promulgação do despacho número cem da Marinha Mercante Portuguesa, tendo sido dado esse número não por acaso, mas porque vem precedido doutros noventa e nove anteriormente promulgados." (Américo Thomaz, político)